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Domigo, 11 de Abril de 2021
Bom Jardim de Minas - Notícias
05/04/2016 14h54

Paróquia do Senhor Bom Jesus de Matozinhos: 160 anos de Misericórdia!

1755 a 1856 - Parte I - Seria ilógico pensar que a primeira construção de Bom Jardim de Minas seja a Antiga Matriz

Foto antiga da Igreja Matriz

Conforme relatamos na penúltima edição, viajaremos pelos últimos 160 anos da história da Paróquia do Senhor Bom Jesus DE Matozinhos de Bom Jardim de Minas com o objetivo de comemoramos e celebramos esta data que tem significado muito especial para toda nossa cidade, afinal, Bom Jardim de Minas é decorrência de todo o movimento colonizador que ocorreu nas zonas proibidas da Mantiqueira e, em especial, da existência na antiga Fazenda do Bom Jardim, um ponto de parada para os viajantes entre os Caminhos da Estrada Real, da devoção que consolidou a Fazenda do Português Correia de Lacerda da qual nasceu o Arraial que se tornou Paróquia para anos depois tornar-se cidade.
Para entendermos o hoje é necessário voltarmos no tempo, e começamos a contar a história destes 160 anos de misericórdia em 1755, quando, oficialmente, tem-se o primeiro registro de uma capela ou ermida dedicada ao Bom Jesus, ali, naquele 31 de maio de 1755, Bom Jardim nascia, efetivamente.
Seria ilógico pensar que a primeira construção de Bom Jardim de Minas seja a Antiga Matriz, obviamente, os Colonizadores aqui chegaram e se instalaram em ranchos e edificações para morada e de sua família, o cuidado em ocupar o solo era vital para sua sobrevivência e para firmar a terra como propriedade da Coroa Portuguesa, e aqui não poderia fugir à regra: primeiro se faz a casa grande, casas em arredores e com o trabalho os templos, estes, preferencialmente nos pontos mais altos da localização servindo de referência geografia e ponto marcatório do poderio da Igreja e da Coroa (Estado e Igreja eram quase que a mesma coisa, especialmente em Portugal), considerando também que segundo consta o fundador trouxe consigo uma pequena imagem do Bom Jesus Crucificado (Bom Jesus do Oratório), própria de oratórios menores e não havia impedimento canônico para o culto desta imagem na sede de sua fazenda, o que acreditamos que tenha ocorrido visto que a Antiga Matriz tem data oficial, gravada em sua fachada, de 1790, ou seja, não ficaria a Fazenda e o Arraial 35 anos sem um lugar para o culto da família e dos agregados da Fazenda do Bom Jardim, sobretudo pelo fato de ser o fundador homem muito religioso e cavaleiro da Ordem da Espora Dourada de Roma. Comprova isto a existência de batistérios da década de 1770 que registram batizados na Ermida do Sítio do Lacerda e registros na cidade de Barbacena no qual estão gravados que no século XVIII existia nas terras do Bom Jardim a capela de “Nossa Senhora Mãe dos Homens no Sítio do Bom Jardim (1789)” e as ermidas e oratórios do “Bom Jesus de Matosinhos (Sítio do Lacerda – 1767)” e “Santo Antônio do Rio Grande do Bom Jardim e Bom Jesus do Bom Jardim do Rio Grande (1794)”, esta última, ao que tudo indica, seria a nossa Antiga Matriz, no assento de óbito do fundador consta a mesma Igreja como sendo o lugar do seu sepultamento, pesquisadores e historiadores poderão nos ajudar.
Os registros de data apontam indícios de que houve como o embrião da Paroquia que comemora seus 160 anos em 2016 a seguinte movimentação social e eclesial: uma capela dedica a Nossa Senhora sob o título de Mãe dos Homens do Bom Jardim (provavelmente entre os primeiros passos da ocupação do território entre 1740 a 1755), já existindo assim a fazenda e o nome Bom Jardim já era identidade do lugar; um oratório dedicado ao Bom Jesus e a Santo Antônio, no sítio/fazenda do Lacerda e, em seguida, a construção de uma capela para o culto público que 66 anos depois seria a Matriz de Bom Jardim, quando a Paróquia foi criada, em 1856.
A gênese de nossa história pode ser encontrada em um dos livros do Cônego Raimundo Trindade que assim narra: “Bom Jardim. Capela do Bom Jesus do Bom Jardim, “no rio Grande acima”, filial da Borda da Borda do Campo, erigida a pedido do Capitão Antônio Pereira Correia de Lacerda, por provisão episcopal de 31 de maio de 1755. Freguesia por L. P. n.° 761 de 2 de maio de 1856. Primeiro vigário colado Francisco Ferreira Garcia, apresentado por Carta Imperial de 28 de outubro de 1859, assinada na Bahia, onde então se encontrava o Imperador; colado a 4 de fevereiro de 1860.

Por José Francisco
Mattos e Silva

Registros de batismos na Capela do Lacerda

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