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Bom Jardim de Minas - Notícias
27/08/2015 14h29

Personagens que fazem parte da nossa história - Manuel Altomare Nardy

Manuel Altomare Nardy deixou um grande exemplo na cidade de Bom Jardim de Minas.

Por Bruna Abbud

 

“Manuel, filho primogênito de Aristeu Victorio Nardy e Angelina Altomare Nardy, nasceu no dia 06 de setembro de 1915, na cidade de Bom Jardim de Minas. Teve nove irmãos, sendo eles: Helena, Adão, Afrânio, Maria, Josefina, Hélio, Aurora, Silvério e Angelina. Viveu durante 52 anos, vindo a falecer, vítima de um enfarte, no dia 25 de novembro de 1967, na cidade mineira de São João Nepomuceno, localidade em que era Juiz.

O bonjardinense foi conhecido por distribuir a justiça com equidade. Era possuidor de um grande coração, firme nas atitudes, porém magnânimo no trato de seus semelhantes, razão pela qual angariou muita simpatia durante sua trajetória entre os homens. Prova-se isto com os títulos de cidadão honorário, recebidos por vovô, de todas as cidades em que levou a justiça.

Passou a infância em sua cidade natal, mudou-se para Juiz de Fora com o objetivo de concluir os estudos secundários no colégio Academia e graduou-se em Direito na Faculdade de Direito de Niterói, sendo o primeiro Advogado da cidade de Bom Jardim de Minas. Dr. Manuel era um jovem idealista, inteligente e sonhador.

Casou-se com Irene Nardy Silva, filha de Assis Rodrigues da Silva, amigo e sócio de seu pai, em 30 de janeiro de 1940. Desta união nasceram cinco filhos, sendo eles: Rogério, Yeda, Leda Maria, Telma Thereza e Irene Claudia.

Nos primeiros anos de casado, vovô advogou na cidade de Andrelândia. Recebia, muitas vezes, por seus serviços, honorários simbólicos, como ovos, frangos e queijos, sempre com o intuito de ajudar, principalmente seus conterrâneos. Na época era muito dispendioso o percurso para chegar ao município em que advogava, sendo necessário ir à cavalo até a cidade de Arantina e nesta embarcar em um trem, para finalmente poder chegar ao seu destino, o fórum de Andrelândia.

Na década de 50, vovô prestou concurso para magistratura, obtendo êxito em sua primeira tentativa. Dr. Manuel iniciou seus trabalhos na comarca de Ibiraci, localizada no triângulo mineiro. Em 28 de março de 1955 tomou posse na comarca de Conceição do Rio Verde, sendo o primeiro Juiz de Direito desta. Posteriormente, prestou seus serviços nas cidades de Caxambu, São Gonçalo do Sapucaí e Baependi, findando, infelizmente, sua brilhante carreira, em São João Nepomuceno. Vovô, mesmo residindo em outras localidades, nunca se desvencilhou dos laços com a terra natal, pois além de ter muitos amigos e familiares nesta, ele também possuía algumas propriedades, dessa maneira, sempre passava as férias com sua família em Bom Jardim. Nessas viagens, vovô dividia sua família, pedia para que uns fossem de trem e outros de automóvel, com a intenção evitar que uma fatalidade acometece todos os seus descendentes.

Durante o tempo que esteve em Caxambu, a cadeia municipal veio a ruir. Vovô Manuel não teve dúvidas: alugou uma casa com um grande quintal e nesta instalou os presidiários. Nesse período, fez com o prefeito uma parceria, essa consistia no fato dos presos executarem afazeres da prefeitura, recebendo em troca salários, além de trabalharem na horta feita no quintal da casa alugada. Dessa maneira, os presos produziriam os alimentos para a própria subsistência, além de contribuírem com a renda de seus familiares com o salário pago pela prefeitura. Dr. Manuel achava injusto o indivíduo preso onerar o Estado, por isso pensou nessa solução, que deu muito certo na cidade.

Ainda em Caxambu, Dr. Manuel, juntamente com a polícia e o Ministério Público, conseguiu, em uma operação, fechar o cassino que existia no município. No local da operação foram encontrados um desembargador e dois deputados, que de forma alguma foram poupados.

Dr. Manuel era um homem justo, detentor de uma escala de valores morais. Sempre foi um bom católico, praticante, que não faltava às missas dominícais, era devoto de Nhá Chica e sempre respeitou as demais crenças religiosas. Deixando esse legado aos seus filhos. Sua residência sempre foi aberta aos seus conterrâneos, que muitas vezes iam lá almoçar, quando estavam em Caxambu. Vovô sempre teve muitos amigos na política, como o Ex Presidente Tancredo Neves e Magalhães Pinto, que foram seus amigos e colegas de profissão, e utilizava seus contatos políticos em prol dos bonjardinenses. 

Vovô sempre foi muito admirado e devido ao seu maravilhoso exemplo, influenciou dois de seus filhos, Rogério e Yeda, a cursarem direito. Além disso, quatro de seus netos seguiram seus passos, sendo Luiz Rafael, Juiz no Estado de São Paulo, Roberta e Rogéria advogadas em São Paulo e eu, estudante de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora. Dr. Manuel será sempre lembrado por seus familiares pelo fato de ter sido um homem justo, além de bom filho, irmão, marido e pai”.

 

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