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Ciência e Tecnologia
25/10/2012 10h10

Ciência e Tecnologia Cirurgia de implante cardíaco que se dissolve é transmitida de SP aos EUA

Cirurgia de implante cardíaco que se dissolve é transmitida de SP aos EUA

Novo "stent" para desobstruir artérias é absorvido pelo corpo em até 2 anos.
Material é testado no Brasil e pode entrar no mercado em breve, diz médico.


 O Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, transmite na tarde desta quarta-feira (24), via satélite, uma cirurgia de um paciente de 33 anos que vai receber um implante (stent) bioabsorvível para desobstruir as artérias do coração e restaurar o fluxo sanguíneo. Cerca de 13 mil médicos que se reúnem em um congresso em Miami, nos EUA, vão poder assistir à operação em tempo real.

Segundo o diretor de cardiologia invasiva do instituto, Alexandre Abizaid, esse é o primeiro procedimento do tipo a envolver uma artéria principal – até então, o método era feito apenas nas secundárias. "Não precisa abrir o peito. Um cateter entra pela virilha ou pelo braço e chega até o coração", explica o diretor.

Dez médicos de uma equipe multidisciplinar serão envolvidos nessa cirurgia e em outras seis, que devem ser feitas ainda nesta quarta e transmitidas aos EUA. Além do homem de 33 anos, outros dois pacientes que já têm os stents vão passar por uma reavaliação, e mais cinco pessoas passarão por outros tipos de operação cardiovascular.

 O stent, cujo nome oficial é suporte vascular bioabsorvível, pertence a uma nova geração de produtos que tem sido estudada há mais de dez anos pelo Dante Pazzanese, pelo Hospital Israelita Albert Einstein, também em São Paulo, e pelo Instituto de Cardiologia do Triângulo Mineiro, em Uberlândia (MG). A novidade é que, em um prazo de um ano e meio a dois anos, o material acrílico se dissolve dentro do organismo.

"Em contato com o sangue, esse componente duro vai se hidratando, ficando molinho e entra em um processo em que vira gás carbônico e água, que são absorvidos pelo corpo", destaca o médico.

De acordo com ele, a desvantagem dos stents metálicos é que eles são permanentes e, uma vez implantados, ficam no paciente até a morte. "Além disso, em crianças, é colocado um implante para aquele tamanho de artérias e, à medida que elas crescem, o objeto se torna pequeno", diz Abizaid.

Outro problema das gerações anteriores de implantes é que, nos seis primeiros meses após a cirurgia, a região cicatrizava e poderia formar uma espécie de queloide – principalmente em pessoas diabéticas, com problemas renais e artérias mais finas –, o que causava dor no peito. Para corrigir isso, a segunda geração dos produtos veio com um remédio "antiqueloide", e o índice de problemas baixou de 30% para 5%. Agora, porém, esse risco desaparece totalmente, já que o stent some.

"Quase 70 pacientes atendidos aqui no Dante Pazzanese usam esse novo stent, que é produzido nos EUA, pelo laboratório Abbott", afirma o médico. O implante já foi aprovado pela European Medicines Agency (Emea) e por países da Ásia e da América Latina, mas ainda não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nem da americana Food and Drug Administration (FDA).

Segundo Abizaid, é apenas uma questão de tempo para o produto chegar ao mercado, onde deve custar quase o mesmo que um stent normal – de R$ 6 mil a R$ 8 mil –, valor que deve ser coberto pelos convênios de saúde.






Fonte: G1

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