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Cruzília - Notícias
18/04/2013 09h11

Personagens que fazem parte da Nossa História - Domiciano Ferreira Martins

Domiciano Ferreira Martins fez parte da história da cidade de Cruzília.

por Alcione Magalhães Ferreira

Domiciano Ferreira Martins, vovô Dico, conhecido por “Sô Dico”, filho de Prudenciana Flora de Oliveira e José Ferreira Martins (Zeca), nascido em1887, foi casado com Maria Augusta Junqueira de Andrade, com quem teve 11 filhos: dois mortos recém-nascidos; Paulo, Zalpha, Messias, Pedro, João, Geraldo, Manoel, Gabriel e Antonio Carlos.

Quando ele faleceu, em junho de 1967, aos 80 anos, eu ainda não havia completado 12 anos, e embora a nossa convivência tenha sido curta não deixou de ser intensa.

Dos seus cafés - que a todos oferecia no alpendre de sua casa -, borbulhantes como aperitivos, ia para o pedacinho do cigarro de palha, aceso por um fósforo partido ao meio, tamanha a sua economia.

Era no alpendre que recebia os amigos, filhos e netos para um “dedo de prosa”, um bom conselho ou uma palavra de consolo, para onde vinha correligionários, candidatos, e onde se concentravam eleitores sob suas orientações, pois fôra um político apaixonado, chefe de partido, caçador de candidatos e arrebanhador de eleitos.

Vovô Dico foi um desbravador. Adentrava sertões em busca de boiada. Utilizando-se de seu empreendedorismo rural conseguiu tornar-se um grande fazendeiro em Cruzília. Chegou a possuir muitos alqueires de terra, com a luz interior inerente à sua pessoa, a sua esperteza para contar moedas, com a força de seu trabalho.

Com a filosofia de vida que lhe era peculiar, criou os seus filhos e netos mais velhos, sempre patriarcal, e acumulou o seu patrimônio: “Bongue”.

Na varanda da sede, à tardinha, ainda ouço o toque do violão do tio Neneco, acompanhado pelas vozes sonoras de tia Wilma e mamãe entoando genuínas músicas brasileiras com o reconhecimento efusivo do vovô - “Pastos dos Potros”, “Os vinte”, “Nossa Senhora das Graças” (herança que meu pai recebera, onde nasci, onde ficaram as lembranças da minha infância e a dos meus irmãos); “Boa Vista”, “Santa Luzia”, “Picada”, “Santa Helena”, “Campo do Ribeirão”. E que ofertou uma a cada um de seus filhos.

Suas fazendas, antes de tudo, abasteciam a si mesmas. Dedicavam-se à pecuária, além do cultivo do milho, cana-de-açúcar, arroz, feijão, hortaliças e café. Produziam carne, leite, queijo e ovos.

Nelas não havia trabalho forçado. Os empregados eram amigos, e todos tinham as suas moradias, as suas próprias colheitas, tudo fluindo com harmonia.

Era adepto de um Brasil agrário, sem exploração para com o outro e para com a natureza; vida alicerçada na simplicidade, porém plena de fartura, sem o apego aos encantos consumistas que as cidades emanavam.

Não é preciso enumerar fatos e feitos de um homem para torná-lo grande. Estres se vão com a rigidez inexorável do tempo. O que o tempo não desfaz é a essência daqueles que amamos.

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