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Internacional
20/02/2020 11h10

Democratas se unem em ataques a Bloomberg durante debate nos EUA

Os candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos fizeram do debate da noite desta quarta-feira, 19, em Nevada, o mais quente da corrida eleitoral até agora, com investidas contra Michael Bloomberg. O bilionário e ex-prefeito de Nova York, que entrou atrasado na campanha, estreou nos debates um dia após aparecer em segundo lugar em pesquisa nacional de intenções de voto do eleitorado democrata.

Favorito nas pesquisas eleitorais e com bons resultados nas prévias de Iowa e New Hampshire, o senador Bernie Sanders também teve de se defender de críticas, enquanto Elizabeth Warren se mostrou à vontade para disparar contra todos os demais. Warren foi quem mais falou durante o debate, segundo contagem da NBC. Em paralelo, o enfrentamento direto entre Pete Buttigieg e Amy Klobuchar mostrou a disputa dos candidatos centristas pela parcela moderada do eleitorado.

No primeiro bloco, democratas partiram para o ataque contra Bloomberg, cuja campanha cresceu nos últimos meses depois da injeção de ao menos US$ 300 milhões em propagandas de televisão. Bloomberg teve dificuldade em se desvencilhar dos confrontos durante o debate e demonstrou no palco menos carisma do que aparenta nos anúncios publicitários.

Sanders abriu a rodada de críticas ao ex-prefeito, seguido por Warren, quem afirmou que o partido não deve "substituir um bilionário por outro". "Eu gostaria de falar sobre contra quem estamos concorrendo: um bilionário que chama mulheres de gordas e lésbicas com cara de cavalo", disse Warren. "E não, não estou falando de Donald Trump. Estou falando do prefeito Bloomberg", iniciou a senadora.

Também foi Warren quem levantou o questionamento mais incisivo ao ex-prefeito, sobre as acusações de discriminação contra mulheres na empresa do bilionário. "Eu espero que vocês tenham ouvido qual foi a defesa dele: 'eu fui bom para algumas mulheres'. Isso não serve. O que precisamos saber é exatamente o que se esconde aí. Há um número de mulheres - dezenas, quem sabe? - que assinaram acordos de confidencialidade (NDA, na sigla em inglês) por assédio sexual e discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Então, senhor prefeito, você está disposto a liberar todas essas mulheres desses acordos para que possamos ouvir a versão delas da história?", questionou Warren.

Bloomberg se defendeu dizendo que são "alguns" acordos assinados e que nenhum deles o acusa diretamente de ter feito algo a não "talvez não gostar de uma piada". "Alguns são quantos?", questionou Warren. "E se elas estiverem dispostas a contar o lado delas da história, o que elas alegam, estaria tudo bem por você? Você libera aqui na televisão hoje?", pediu a democrata, endossada por Joe Biden. O ex-prefeito alegou que a decisão de firmar o acordo foi consensual entre as partes envolvidas, sem divulgar o número de casos ou anuir que as mulheres envolvidas possam falar, se desejarem, sobre a situação.

"Essa não é apenas uma questão de caráter. É também uma questão de chances eleitorais. Não vamos vencer Donald Trump com um homem que tem quem sabe quantos acordos de confidencialidade e histórias a conta-gotas de mulheres que dizem que foram assediadas e discriminadas. Isso não é o que fazemos como democratas", disse Warren.

Logo de saída, Bloomberg também foi questionado por Sanders por seu apoio ao que ficou conhecido como "Stop and Frisk", o termo em inglês para "parar e revistar". A política adotada em Nova York durante a gestão de Bloomberg consistia na revista pela polícia, que mirava especialmente negros e latinos.

No debate, o ex-prefeito voltou a pedir desculpas e afirmou que o problema foi "no que a medida se tornou". "Saiu do controle", justificou o ex-prefeito, que foi pressionado sobre o tema por Bernie Sanders, Joe Biden e Elizabeth Warren. "O 'Stop and Frisk' só parou depois de o governo Obama mandar monitores a Nova York", disse Biden, que foi vice-presidente durante o mandato de Obama.

Já Buttigieg tentou descolar a imagem de Bloomberg da de Obama. Em propaganda de televisão, o bilionário tenta mostrar aproximação ao popular ex-presidente, mas Bloomberg não endossou a candidatura de Obama em 2008. Em 2012, ele apoiou a reeleição do ex-presidente apenas na reta final da eleição, e com críticas.

"Nosso partido teve excelentes presidentes, como Obama, a quem Bloomberg fez oposição", disse Buttigieg, afirmando ainda que a legenda precisa escolher "um democrata", ao alfinetar o bilionário, que já foi filiado ao partido republicano. O ex-prefeito de Nova York também foi pressionado a liberar sua declaração de Imposto de Renda e, por algumas vezes, se mostrou orgulhoso de sua posição de bilionário.

As próximas duas prévias do mês acontecem em Nevada e Carolina do Sul. No dia 3 de março, os candidatos irão para a Super Terça, quando 14 Estados realizam prévias simultaneamente - incluindo locais populosos como Califórnia e Texas. Bloomberg só participa a partir da Super Terça. Até lá, parte dos candidatos como Biden e Warren busca a sobrevivência em uma campanha que começou frustrada, enquanto Sanders e Buttigieg tentam se consolidar.

Bernie Sanders também passou o debate na defensiva. O senador foi classificado por Buttigieg como uma figura polarizadora, acusado por Bloomberg de ser incapaz de vencer Trump e questionado sobre falta de transparência ao falar de sua saúde. O senador de Vermont, que teve um ataque cardíaco no final do ano passado, usou o tema para se voltar contra Bloomberg e disse que o ex-prefeito "também tem dois stents no coração". Os dois têm 78 anos de idade.

Bloomberg criticou o socialismo democrático proposto por Sanders, quem, por sua vez, defendeu que não existam bilionários. "Nós não vamos jogar fora o capitalismo. Nós tentamos isso. Outros países tentaram isso. Chamava-se comunismo e simplesmente não funcionou", disse Bloomberg, que ouviu de Sanders que falar em comunismo era uma "jogada barata".

Os candidatos centristas disputaram o espaço para se firmar como o nome viável nas eleições. O ex-prefeito de South Bend (Indiana) Pete Buttigieg ora se voltava contra Sanders e ora contra os outros candidatos moderados, especialmente a senadora Amy Klobuchar.

Na lanterna das pesquisas eleitorais, Klobuchar e Buttigieg têm um eleitorado de perfil similar: democratas mais conservadores, brancos e das áreas rurais. Ele provocou a senadora, que foi enfática na resposta e sugeriu que o ex-prefeito apenas "decorou" temas para ir ao debate.

Buttigieg ganhou força desde que saiu como vencedor do caucus em Iowa, mas sabe de sua limitação em Estados onde há mais eleitores negros, como a Carolina do Sul, que tendem a votar em Biden. O ex-prefeito de Indiana se apresentou como a única opção intermediária entre a "revolução", onde inclui Sanders, e o status quo. Logo no primeiro bloco do debate, o Buttigieg afirmou que Bernie Sanders e Michael Bloomberg são "as duas figuras mais polarizadoras do cenário". A tese de que Sanders é radical e que sua nomeação faria o partido ficar polarizado no extremo oposto de Trump tem sido usada pela campanha de reeleição do atual presidente como um argumento contra os democratas.

Os candidatos falaram ainda dos planos para o sistema de saúde americano, sobre o formato da convenção partidária, sobre crise climática e sobre o DACA - o programa de Obama para regularizar imigrantes que chegaram nos EUA menores de idade.

Fonte: Estadão Conteúdo
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