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Internacional
05/11/2019 22h00

Embaixador dos EUA muda depoimento e admite conflito de interesses com a Ucrânia

O embaixador dos Estados Unidos para a União Europeia, Gordon Sondland, mudou seu depoimento no inquérito do impeachment do presidente Donald Trump e confirmou que houve conflito de interesses no acordo com a Ucrânia.

Sondland disse que sabia que o governo Trump havia congelado quase US$ 400 milhões em ajuda militar, enquanto pressionava a Ucrânia a investigar um dos seus principais rivais políticos, indicou um trecho do novo depoimento divulgado nesta terça-feira, 5.

Recuando do depoimento inicial, feito no mês passado, Sondland relatou que disse a um conselheiro presidencial da Ucrânia que "a retomada do auxílio dos EUA provavelmente não ocorreria, até que a Ucrânia fornecesse o depoimento público anticorrupção que nós discutimos por muitas semanas".

O embaixador acrescentou que até o início de setembro, "na ausência de uma explicação crível para a suspensão do auxílio, eu presumi que a suspensão da ajuda havia sido ligada ao argumento anticorrupção". Sondland entregou seu depoimento suplementar de quatro páginas por escrito na segunda-feira, depois que outros funcionários do governo fizeram o mesmo.

Ele confessou que considera o congelamento da verba para a Ucrânia como "imprudente", mesmo sem ter os detalhes de "quando, por que ou por quem a ajuda foi suspensa".

Os democratas que encaminham o inquérito do impeachment na Câmara dos Deputados também divulgaram nesta terça-feira o depoimento de Kurt Volker, o ex-representante especial dos EUA para negociações com a Ucrânia.

Testemunhas afirmaram em depoimentos que Volker e Sondland, juntamente com o secretário de Energia dos EUA, Rick Perry, eram conhecidos como os "três amigos", responsáveis pelo canal não oficial de Trump com oficiais do governo ucraniano.

Volker renunciou em setembro. Ele depôs às comissões de Assuntos Exteriores, Inteligência e Vigilância da Câmara por mais de oito horas no dia 3. Sondland testemunhou no dia 17. Perry, ex-governador do Texas, que disse que deve renunciar de seu gabinete até 1 de dezembro, rejeitou a depor até o momento.

A mudança de discurso de Sondland é significativa para o inquérito do impeachment de Trump. Em outubro, ele havia afirmado que escreveu ao diplomata americano na Ucrânia, William Taylor, que Trump havia sido claro de que não havia conflito de interesses entre o empréstimo e a investigação referente ao ex-vice-presidente Joe Biden.

Mas disse que somente estava repetindo o que Trump havia pedido, deixando em aberto se de fato sabia dos detalhes da negociação, ou mesmo se concordava com Trump.

Biden é pré-candidato democrata para a eleição presidencial de 2020. Seu filho, Hunter Biden, compôs o conselho de uma empresa de gás natural ucraniana investigada por corrupção.

O inquérito do impeachment de Trump foi aberto após uma denúncia anônima de um funcionário da inteligência da Casa Branca ter revelado que o presidente americano, em telefonema ao presidente ucraniano Volodmir Zelenski, em julho, pressionou para que a Ucrânia encaminhasse as investigações em relação aos Bidens no país. O auxílio financeiro dos EUA, que estava congelado na época, foi liberado dias depois da ligação. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Fonte: Estadão Conteúdo
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