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Por baixo do manto de autoconfiança, muitos escondem uma visão negativa de si mesmos

por Julián Melgosa, doutor em psicologia



Muitas pessoas sofrem os efeitos de algum complexo. Algumas apresentam aparência de segurança e autoconfiança. Mostram-se brilhantes, são eficientes no trabalho e, inclusive, chegam a demonstrar que são felizes. No entanto, carregam dentro de si conflitos internos, talvez originados em alguma experiência da infância.

 

Como conseqüência, surgem inibições, falta de adaptação, inquietação, desejo de aparecer, ciúme excessivo, esquecimentos, violência ou remorso sem razão aparente.

 

Os complexos são processos inconscientes. Isto é, existem na mente, mas não estão totalmente disponíveis à consciência. A pessoa pensa e age sem saber explicar a razão de sua atitude. Isso dificulta o apoio e ajuda a essas pessoas, mas é possível obter a devida ajuda. Há muitos tipos de complexos: complexo de Édipo, complexo de castração, de desmama, no entanto, destacam-se dois complexos muito comuns: de inferioridade e culpa.



Complexo de inferioridade



Esse tipo de complexo talvez seja o mais propagado de todos. A expressão “complexo” quase sempre se refere ao complexo de inferioridade. Esse problema está hoje em mais evidência do que nunca, pela força que os meios de comunicação usam para causar complexos nas pessoas.



Complexo de culpa


Longe de se limitar a experimentar a culpa pelo não cumprimento de um princípio ético ou moral, existem pessoas que sofrem do complexo de culpa: uma falsa culpa, culpar-se em excesso ou dificuldade para se autoperdoar.

 

Além disso, essa sensação total de culpa não corresponde a um ato específico, mas é um medo generalizado e impreciso que produz angústia.

 


Como superar o complexo de inferioridade?



Para superar esse complexo, siga estas normas:



– Observe, de forma crítica, o ambiente em que você vive. Os modelos publicitários que predominam na sociedade de consumo oferecem uma imagem de perfeição. Além do mais, os amigos, vizinhos, conhecidos, etc., costumam demonstrar uma imagem que percebemos ser superior à realidade. Por isso, quando aqueles que estão próximos de você aparentarem ser pura virtude, imagine que por trás dessa fachada há muitas imperfeições.



– Estabeleça um plano realista de superação. Se você deseja ser mais organizado, mais extrovertido ou mais habilidoso, pense no que fazer para melhorar essas aptidões e procure cumprir esse plano. Não se compare com os outros, nem fique deprimido se você não chegou ao nível dos demais. Fixe-se em seus próprios progressos e se alegre com as vitórias que vai obtendo.



– Fuja da inferioridade nas características físicas. Há características de conduta que podem ser modificadas, mas a aparência física não. Não é possível acrescentar um centímetro sequer à sua altura, nem diminuir o tamanho do seu nariz, só porque você não gosta muito dele (salvo por meio de cirurgia estética). Aceite-se como você é e considere que todos somos bonitos, porque temos distinções, peculiaridades e somos exclusivos.

 



– Evite chegar ao extremo de pretender a superioridade. Uma reação comum entre os que intimamente se sentem inferiores é tentar demonstrar que são autosuficientes e superiores. Não caia nessa tendência. Mostre naturalidade e respeito para com os outros. Isso o ajudará a salvaguardar as relações interpessoais, fonte de adequada autoestima.



– Faça uso da compensação. Suavize suas deficiências. Se você é retraído e incapaz de se relacionar com o sexo oposto, se esforce para ser mais corajoso e extrovertido. Se tiver problema com obesidade, faça dieta e exercício físico. Vale a pena o esforço. Se não conseguir por si próprio, procure a ajuda de um profissional ou de um amigo íntimo. Outra forma de compensar suas áreas fracas é destacar as próprias virtudes. Se não puder se destacar nos estudos, reforce suas habilidades manuais ou esportivas.



– Procure um bom sistema de apoio social. É muito importante contar com um grupo de pessoas que o aceite e lhe ofereça ajuda. Seus amigos e a família talvez sejam os mais indicados. As pessoas com as quais você convive devem lhe mostrar apreço, reconhecer suas conquistas e respeita-lo como você é, sem ridicularizar seus defeitos.

 

Autoajuda


Como superar o complexo de culpa? Experimente o seguinte:

 

– Faça uma autoanálise realista. Se não puder fazer por si mesmo, procure apoio em alguém digno de confiança e com aptidão moral qualificada.

 

– Reflita em seus valores éticos. Compare esses valores com sua responsabilidade própria e compromisso para com eles. Se você sente culpa por alguma coisa que não possui esses valores fundamentais, talvez esteja sendo demasiado rigoroso para consigo mesmo.

 

– Fale com a pessoa que tem relação com sua culpa. Com freqüência, a culpa tem sua origem em ofensas interpessoais. Procure minimizar essas diferenças e peça perdão quando ofender alguém.

 

– Peça perdão a Deus. A consciência pode acusar por algum acontecimento antigo ou um ato praticado no passado. As pessoas envolvidas podem até já ter falecido, mas Deus promete salvação e remissão de qualquer pecado se você Lhe pedir perdão com sinceridade.



Autor: Julián Melgosa
 
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