Não adiantou chamá-la de "presidenta"
Uma notável queda de braço vem rolando na mídia: a disputa aberta entre a imprensa livre e os círculos oficiais. O pivô é o tratamento dado à atual ocupante (e não ocupanta) do Palácio do Planalto, a Sra. Dilma Roussef.
Enquanto jornalistas independentes a chamam, com naturalidade, de presidente, os ministros e os políticos da "base do governo" insistem em usar uma forma bem artificial, embora gramaticalmente correta, do feminino dessa palavra.
Presidenta é um vocábulo esquisito, feio, antipático. Além do mais, dona Dilma, que vem exercendo corretamente a Presidência da República, é a governante e
não a governanta do Brasil.
Governanta (substantivo feminino) é a mulher (uma doméstica graduada) que administra a casa de outra pessoa, enquanto governante (masculino e feminino) é quem governa.
Pode parecer uma questão bizantina, cretina, de lana caprina - como se dizia. Mas, não. No fundo, indica um grave sintoma da velhíssima doença brasileira, da classe política remando contra a correnteza do povo, ao divergir da imprensa livre.
Foi graças à liberdade de informação que a cidadania ficou sabendo do mar de baba em maré de Lua no Ministério dos Transportes. Todos aqueles amigos do alheio público chamavam a governante de presidenta - e de que adiantou?
Foi preciso o Estadão, Folha, Veja, Globo e outros grandes veículos, chamando-a de presidente, alertarem o povo e a própria Dona Dilma (ela vem afastando os
suspeitos) de que os brutos transportados no delírio do puxa-saquismo também amam o dinheiro fácil.
Autor: Miguel H. Borges