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Dia a Dia “Just in time”: veja como trocar a marcha do carro na hora certa Especialista responde a dúvidas sobre sistema de transmissão. Quando o carro não tem conta giros, o jeito é se guiar pela velocidade

A caixa de marchas é um dos itens que compõem o sistema de transmissão de um automóvel que mais intriga os motoristas. Na hora da troca, por exemplo, surge a dúvida: chegar ao limite da faixa vermelha ou engatar a próxima marcha antes disso? E nos carros que não têm esse marcador? Como saber a hora certa? Essa e outras perguntas que frequentemente provocam dúvidas nos motoristas são respondidas pelo jornalista Ricardo Lopes da Fonseca, que escreve para o portal G1, estuda sobre mecânica há mais de duas décadas e já se aventurou como piloto participando até do rally Paris-Dakar.

 

Na hora de trocar de marcha que número o conta-giros deve marcar?

 

Para troca das marchas existe uma faixa de giros limite para cada motor. Nos carros que dispõem de marcador de giros, esse limite é a faixa vermelha, geralmente em torno de seis mil giros. Acima disso o carro estará extrapolando seu limite de rotações e corre-se o risco de danificá-lo. Porém, trocar as marchas no limite só serve se você quiser andar muito rápido, literalmente no limite, o que não é possível nas cidades e mesmo nas estradas, dado o limite de velocidade.

 

O meu carro não tem conta giros. Como posso saber a hora exata de trocar de marcha?

 

Quando seu carro não dispõe de marcador das rotações do motor o ideal é se basear pela velocidade. Alguns carros até contam com uma marca no velocímetro para facilitar, mas como regra pode-se adotar o seguinte esquema: ao arrancar, procure não esticar demais a primeira marcha, ao atingir 20 km/h já é o suficiente para trocar pela segunda. Na segunda utilize até 30 ou 35 km/h, passe para a terceira e nela permaneça até no máximo 45 ou 50 km/h. Na quarta vá para 60 km/h e se for andar por determinado tempo nessa velocidade passe para a quinta marcha. Se você estiver em uma estrada em que a velocidade limite for de 120 km/h, por exemplo, você pode acelerar em terceira até 60 km/h, depois na quarta até 90 km/h e na quinta até os 120 km/h.

 

Existe um tempo mais longo ou curto de marcha? Quando engato a primeira vai muito lento e, logo no início da arrancada, vai devagar. De repente, dá um tranco e vai bem mais rápido. Qual a explicação para isso?

 

Isso é uma característica do seu carro. O que ocorre é que a relação de marchas não é tão confortável. Em alguns modelos, principalmente os populares, se prioriza o uso urbano, com escalonamento de marchas mais reduzido. Ou seja, priorizando a força. Essa característica deixa o carro rápido nas arrancadas, mas também com muitos solavancos ao se tirar o pé do acelerador. A troca de marchas varia conforme o automóvel, pois, mesmo carros parecidos, podem ter motores e relação de marchas com concepções diferentes. Isso altera o modo de dirigir. Mas como via de regra a troca de marchas em torno dos dois mil giros está adequada. O que é importante observar é se o carro não fica rateando – a marcha utilizada está acima, é preciso reduzir - ou se o motor fica roncando alto, “esgoelando” – está abaixo do recomendado, é preciso subir uma marcha.

 

É recomendável usar a marcha até a velocidade limite antes de trocá-la, ou isso desgasta mais o conjunto?

 

Utilizar as marchas até o limite de cada uma não é recomendável. Isso você deve utilizar apenas em casos de necessidade, como em uma ultrapassagem, por exemplo. Fora disso, ou em uso constante dessa prática, o motor sofrerá desgaste prematuro e no caso dos giros ultrapassarem a faixa limite incorre na quebra.

 

Algumas pessoas afirmam que é possível trocar a marcha sem pisar na embreagem, quando há uma relação bastante estreita entre o motorista e o carro. Isso procede, ou é apenas mais um mito?

 

Isso é verdade sim. Nos carros de competição acontece isso, mas em corridas os pilotos estão utilizando o extremo dos carros e quando acaba uma prova o veículo vai para revisão. Em carros de rua não é indicada essa prática, pois, por melhor que seja a condução do motorista, o conjunto não estará sendo utilizado de forma correta e o desgaste das peças de transmissão se dará em menos tempo.

 

É verdade que seu eu arrancar o carro com o giro do motor muito alto no ponto morto, quando eu encaixar a primeira pode quebrar o motor?

 

Se o carro estiver parado, em ponto morto, e o motorista começar a acelerar, não acontece nada, apenas o consumo de combustível desnecessário. Se o motorista mantiver o carro acelerado e engatar uma marcha, ele vai precisar antes disso, acionar o pedal da embreagem, e uma vez acionada a embreagem é impossível quebrar alguma peça no motor. Se o motorista engatar a primeira marcha e continuar com o motor em alta rotação, quando tirar o pé da embreagem o carro vai sair abruptamente e cantando os pneus.

 

O óleo do câmbio deve ser completado ou trocado a cada quantos quilômetros? 

 

Antigamente era necessário fazer a troca a cada 10 mil quilômetros. Hoje, os óleos evoluíram bastante, mas ainda assim o câmbio manual deve ser verificado a cada 10 mil quilômetros e, se necessário, completar. Alguns fabricantes recomendam trocá-lo aos 30 mil; outros, aos 50 mil. O certo então é verificar o que o fabricante do seu carro pede e seguir a recomendação.

 

Quando o chamado “freio-motor” é utilizado com a caixa de marcha, corre-se o risco dela quebrar?

 

Não corre o risco de quebrar, aliás, essa prática é recomendada, pois aumenta a segurança, ao contrário de andar com o motor desengrenado, já que o carro fica menos controlável. Também ocorre o superaquecimento dos freios que pode ocasionar uma fadiga.

 

Nas auto-escolas sempre ensinam os novos motoristas a trocar as marchas rapidamente, sem forçar ao motor, algo como no máximo de 2000 a 3000 rpm. Isto funciona na prática?

 

Isso é recomendável, sim. Na verdade, quando se troca de marchas rapidamente o que acontece é que se economiza combustível, pois o motor não abaixa muito as rotações de uma marcha para a outra. Além disso, o carro fica menos tempo desengatado, e engrenado fica mais a “mão”, ou seja, com melhor dirigibilidade.



Autor: Correio do Papagaio
 
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