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Relacionamento: Aplique 6 regras da economia e tenha sucesso na relação a dois

Por Michelle Achkar

 

O termo aplicado à economia encontra muitas semelhanças na vida a dois. O livro aponta como um cenário perfeito pode ser abalado ou destruído devido a acontecimentos não planejados, como os problemas financeiros.

 

Se você é daquelas que acredita que amor e dinheiro não combinam, saiba que regras da economia podem ser a chave para um relacionamento feliz. Esse é o tema do livro Spousonomics - Or How To Maximise Returns On The Biggest Investment Of Your Life (Maridoeconomia - Ou Como Maximizar Retornos do Maior Investimento de sua Vida), escrito pelas jornalistas americanas Paula Szuchman e Jenny Anderson.


O raciocínio é simples: assim como em qualquer negócio ou investimento, o segredo está em saber onde aplicar recursos para obter os melhores resultados. E não há problemas se os recursos são limitados. Segundo as autoras, tudo pode ser contornado.


As propostas ajudam a evitar discussões sobre quem irá lavar a louça após o jantar ou a manejar a relação em meio a longas jornadas de trabalho, além de poderem ser aplicadas para melhorar o uso do tempo, energia, libido e até mesmo o dinheiro.

 


Quem é melhor, desempenha a tarefa

 

Melhorar a organização da casa, do tempo e evitar brigas sobre quem faz o quê são aspectos que podem ser resolvidos com a teoria da vantagem comparativa do economista inglês David Ricardo. Segundo ele, as tarefas não devem ser desenvolvidas igualmente por todos, mas que cada um deve assumir aquelas nas quais são melhores.


Segundo as autoras, quando há uma tarefa a ser realizada, as empresas definem funções e papéis para os membros da equipe. O que não acontece com freqüência em casa, pois a falta de organização nesse quesito faz com que um deles geralmente assuma todas as funções, gerando brigas e discussões.


As escritoras também não recomendam tentar dividir tudo meio a meio, pois dizem que a tendência é a de ficar monitorando se o trabalho da outra parte foi feito. Portanto, a solução seria dividir as funções dessa maneira e cada um cumpre sua parte no acordo. No caso de casais que têm disponibilidade de tempo diferente em casa, a sugestão é tentar compensar pelas tarefas mais realizadas. Por exemplo, se um deles faz a maioria das ações, planeje uma noite fora com auxílio de alguém da família ou contrate uma babá para olhar as crianças. Segundo elas, isso ajuda a evitar sentimento de ressentimento por cuidar de tudo.

 


Avaliar as decisões a longo prazo

 

Pensar que as decisões tomadas hoje terão conseqüências futuras pode ajudar em diversas áreas do relacionamento. As autoras citam como exemplos adiar conversas importantes, desprezar o sexo ou não cuidar da boa forma física como exemplos do que é chamado de "desconto hiperbólico": uma premissa econômica básica que diz que sempre preferimos uma gratificação instantânea a uma gratificação postergada. Para que você queira esperar, é preciso oferecer vantagens.

 

Por isso que comer uma sobremesa agora parece muito mais vantajoso do que se preparar para perder peso no verão. Seguindo esse raciocínio pode-se não estar vendo que atitudes cotidianas aparentemente sem importância podem ter impacto profundo na relação num futuro próximo ou distante.


Segundo as autoras há uma maneira de fazer escolhas de maneira inteligente, com o chamado de "dispositivo do comprometimento", algo que colabore para que mudanças sejam feitas. Se, por exemplo, o casal planeja uma saída a dois, mas sempre um compromisso de trabalho acaba atrapalhando, a sugestão é a de marcar algo mais importante, que nenhum dos dois possa desmarcar, e garantir que tudo estará em ordem no dia, como a contratação de uma babá para cuidar dos filhos, se for o caso.

 


Tudo tem seu preço

 

Pesquisas apontam que há uma ligação entre felicidade conjugal e o sexo. E a diminuição da freqüência sexual é um dos principais desafios do casal. Segundo as autoras, o assunto deve ser tratado analisando-se o custo-benefício. Você pode estar cansada, com a caixa de e-mails cheias de mensagens ou querendo acabar de ler o romance que comprou há seis meses e, por isso, pretende jogar um balde de água fria nas intenções sexuais do parceiro. Segundo o livro, reavalie a decisão pensando nos benefícios que irá conquistar se parar de pensar no custo da ação: satisfação, parceiro feliz, lar em paz. "Normalmente se uma coisa custa muito para nós, deixamos de querê-la muito, e para muitos casais a prática do sexo é cara. Baixe o custo e a quantidade aumenta", informa o livro.

 


Evitar a bolha

 

O termo aplicado à economia encontra muitas semelhanças à vida a dois. Diz respeito a como um cenário perfeito pode ser abalado ou destruído devido a acontecimentos não planejados, como doença, problemas financeiros ou até mesmo uma gravidez indesejada. A solução para isso é não focar apenas nas coisas boas do relacionamento e ignorar os sinais de perigo. A recomendação é a de desenhar um gráfico simples avaliando como está a satisfação em vários aspectos da vida, como em relação ao tempo de qualidade que passam juntos, sentimentos em relação ao parceiro, satisfação em relação à vida sexual. Repita a avaliação a cada seis meses. As autoras afirmam que desenhar um cenário realista pode lhe dar pistas se tudo vai bem, mal ou até se é caso de buscar ajuda profissional.

 


Aprenda a jogar

 

Apesar de soar algo frio e calculista, a verdade é que você deve aprender a melhor maneira de jogar. E isso não tem nada a ver com trapaça. Use a Teoria dos Jogos. Trata-se de um ramo da matemática aplicada que estuda situações estratégicas onde jogadores escolhem diferentes ações na tentativa de melhorar seu retorno. Inicialmente, foi desenvolvida como ferramenta para compreender comportamento econômico, mas hoje usada em diversos campos acadêmicos. A questão é tomar decisões em momentos estratégicos, trabalhando em conjunto para fazer escolhas que sejam benéficas para o grupo. Portanto, é necessário pensar nos impactos que cada ação terá, relembrar o que aconteceu da última vez que uma situação parecida ocorreu e fazer o exercício de tentar se colocar no lugar do outro. Isso não significa apenas ceder, mas avaliar que tipo de estratégias são necessárias para você conseguir o que quer. As autoras recomendam até mesmo mudar de método e tentar algo menos ortodoxo como não lavar as roupas durante uma semana ou deixar a louça sobre a pia para forçar uma ajudinha extra se essa for a questão.

 


Não é preciso ganhar sempre

 

Abandonar a vontade de ganhar sempre e de querer tudo ao mesmo tempo ajuda a evitar desentendimentos e ressentimentos. Aprender a lidar com a aversão à perda é um dos passos ensinados no livro. Antes de discutir um assunto, reflita sobre ele, principalmente se for algo sobre o qual está muito nervoso. Em muitas vezes, após 24 horas, percebe-se que não se quer iniciar discussão alguma. Abandonar pensamentos sobre como a vida era nos primeiros anos do relacionamento, como não havia preocupação com dinheiro e mais tempo livre também são fundamentais para se ter mais felicidade na relação. A sugestão das autoras é a de fazer uma lista contando o que se tinha anteriormente e o que se tem agora, com a garantia de ver que mesmo tendo deixado algumas vantagens para trás, a vida atualmente pode ter novas que compensam e muito.



Autor: Michelle Achkar
 
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