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Opinião
22/05/2014 12h24

À fama, os cavacos do ofício!!!

José Luiz Ayres

Por José Luiz Ayres

Numa ocasião, há mais ou menos uns dez anos, fui contatado através do jornal o qual também possuo espaço semanal a escrever minhas crônicas: “Esses turistas pitorescos”, por um senhor empresário e empreendedor, dono de uma fazenda no município de Pirai (RJ), no intuito em obter a publicidade veiculada ao rodapé da crônica por período a ser estabelecido, onde faríamos negociações. Todavia, este contato ser agendado, preferencialmente, seria em meio a semana dada a atividade e as atenções dispensadas aos frequentadores, no que é de suma importância a presença do empresário no convívio do lazer integrado a eles. Por via telefonia agendamos o encontro à próxima quinta-feira, onde foi passado em como chegar ao local, já que distava em 6 Km da via Dutra à entrada de Pirai, a seguir por estrada vicinal de terra em meio a densa vegetação sempre em frente, até a única bifurcação onde a seta indicativa encaminhará à fazenda há menos de 250m. No local, observará às instruções a serem seguidas por questões de segurança e pela privacidade aos frequentadores, mesmo a fazer alusão a propriedade com o nome de fazenda. Pois a área campestre na verdade, é como um club privê a ter à atração principal à prática do naturismo, em que a liberdade em viver livre integrada a natureza, excluída dos preconceitos, tabus repressores e da malícia que envolve as pessoas ali, são esquecidas diante dos seus adeptos nesta aberta e unida confraria, cujo objetivo é se ver e sentir livres do ranço do pudor imposto pela sociedade que vivemos atrelados.

Diante de tal informação que a princípio me assustou, afinal nunca me imaginei que um dia pudesse passar por essa experiência ao vivo e a cores, agendamos o encontro. Porém ao desligar o telefone, me pus a pensar como me comportaria perante o possível impacto ao ver as pessoas nuas a transitarem por todo lado sem que houvesse qualquer constrangimento ou pudor uns com os outros; a conversar, banhar-se às piscinas, praticar seus esportes de quadra, sentar-se às mesas nas refeições, enfim viver e conviver naturalmente como se nada ao redor as preocupassem ou mesmo as inibissem ao traçar parâmetros que as pudessem levar a se envergonhar diante de um detalhe físico exposto naquele quase desfile, cuja beleza a seu modo ali se faz presente. Mas, óbvio que teria de efetuar minha, talvez “Torturante”, missão comercial, vez que o patrocínio não era de se recusar.

Quinta-feira por volta das 10hs, lá estava à frente da porteira, cercado pela exuberante natureza no resquício de mata atlântica. Deixei o carro e fui a caminho da tal placa de orientação, lí, em seguida acionei o interfone e fui atendido por uma voz feminina que após identificar-me, solicitou que aguardasse. Não tardou, uma mulher se chegou a abrir a porteira a me fazer entrar e me passar um crachá em que se lia “visitante”, a indicar que conduzisse o veículo ao estacionamento atrás do “vestiário”. Ao estacionar, sou recepcionado por uma jovem num “topless”, que me levou à administração, onde ao entrar à sala, a se apresentar, um cidadão de meia idade me recebeu trajando apenas uma pequena toalha a cobrir sua genitália, que após nossas apresentações me fez sentar. De súbito, sem esperar, entra ao recinto conduzindo a bandeja de café e agua, a nos servir, uma mulher desnuda, o qual confesso me fez tremer. Entre me preguntas e respostas, informações e esclarecimentos sobre a publicidade, chegamos a bom termo e pôs-se a assinar a minuta contratual, cujo prazo dar-se-ia por 6 meses com renovação em prioridade e o cheque correspondente a parcela inicial. Com a formalização do negócio concluído, me convidou a visitar todo o complexo e sua estrutura lazerosa, após solicitar que acompanhasse a sua secretária, afim de que me colocasse de forma adequada aos costumes do naturismo, já que iríamos percorrer toda área e seria de bom alvitre, junto aos empregados e principalmente aos poucos frequentadores que no momento ali se encontravam, que não me vissem vestido, pois poderia causar certo desconforto. Assim sendo, lá fui acompanhando a secretária a nos introduzir numa sala, onde um tanto desarticulado me despi a lhe entregar a roupa e os pertences, envolvido ainda pelo pudor natural.

Ao deixar o prédio e me ver livre, me senti constrangido, mas que logo aquela incômoda inibição se desfez a deixar-me tranquilo no caminhar, mesmo ao cruzar com várias pessoas durante a visitação, notadamente no belo hotel, onde a recepcionista, as camareiras e outros executavam suas tarefas sem qualquer vestimenta. Depois de percorrer toda área, nos dirigimos ao restaurante, onde como convidado, sentei à mesa a ser servido por belas jovens garçonetes a nos prestar atendimentos sempre sorridentes e amáveis.

Fim do almoço, de regresso à administração, uma mulher se chega, a qual me foi apresentada como a esposa do empresário, eu sou apresentado como cronista do jornal cuja publicidade será veiculada e em conversa agradável seguimos ao escritório a nos deliciarmos com licor e café. Após despedirmos, conduzido pela secretária, nos introduzimos à sala onde me vesti a retornar a vida pudica que vivemos, levando comigo um belo contrato que veio perdurar por quase 5 anos. Entretanto, confesso que nunca consegui me habituar com a pratica do naturismo por inúmeras razões, pois mesmo desprovido do preconceito, às vezes que lá retornei comercialmente e passai a me considerar, porque não, como um “turista” pitoresco; mesmo que a persuasão me induzisse a devaneios lúbricos.

 

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