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Opinião
17/07/2014 10h26

Crise no futebol?

Bebeto Andrade

Por Bebeto Andrade

 

O futebol brasileiro não vive uma crise, apesar da goleada de 7x1 que a seleção tomou da Alemanha durante a Copa. Dizendo assim, pode parecer que sou um torcedor fanático, que fecha os olhos para o triste desempenho do time na disputa da semifinal e, depois, do terceiro lugar. Perdemos feio, e as causas são gritantes: um grupo desconjuntado, trocando passes sem nenhuma objetividade, dando chutões para a frente como último recurso de armação de jogadas. O resultado fala por si, mas apesar disso o futebol brasileiro não está em crise.

A maioria das pessoas conhece a história do nosso futebol a partir dos anos 1970, quando a seleção conquistou o tricampeonato mundial e se tornou a menina dos olhos do futebol mundial. Essa visão, claro, tem uma lógica: não há muitas imagens do futebol brasileiro antes desse período, de modo que só ouvimos falar que Garrincha foi um gênio, Nilton Santos foi a “enciclopédia” e Pelé, o astro maior. A TV, que hoje espalha mais de trinta câmeras pelo estádio, não dispõe de imagens dos jogos da Copa de 1950, por exemplo, e por isso é difícil julgar se a seleção mereceu ou não perder o jogo final para o Uruguai. A verdade é que o futebol é feito de imagens, e não adianta você explicar com palavras como foi belo um gol de Pelé ou um drible de Garrincha. E a outra verdade é que o Brasil já viveu momentos muito piores do que a realidade atual do nosso futebol.

 Nos anos 1930, quando teve início a Copa do Mundo, os clubes brasileiros mal tinham condições de comprar material esportivo, embora a profissionalização do esporte tenha ocorrido em 1933. Depois o Brasil perdeu uma Copa em casa, em 1950, e amargou um quinto lugar na Suíça, na copa seguinte. O título só veio em 1958, e aí começa a “época de ouro” da seleção brasileira: bicampeã no Chile, em 1962, e o tricampeonato no México, em 1970. Depois disso, disputamos quatro Copas do Mundo sem ganhar nada, e criou-se o mito da seleção de 1982 para consolo dos torcedores. Em resumo, o sucesso estrondoso da geração de Pelé foi seguido de uma amarga decepção, que agora parece se repetir com a perda da Copa em casa.

O que se deve levar em conta é que 1970 não existe mais, Pelé se aposentou e outro Garrincha só aparecerá daqui a uns mil anos. Por outro lado, seleções que antes não eram páreo para nós, agora formam bons jogadores e nos enfrentam de igual para igual. A equação, portanto, é simples: o Brasil precisa se adaptar à nova realidade, e o primeiro passo é admitir que Neymar é um ótimo jogador, mas não pode sozinho dar o título de campeão ao Brasil. É preciso montar um time competitivo, do goleiro ao atacante, e nele incluir Neymar, e não o contrário. É preciso, enfim, mandar para escanteio a ideia de um salvador da pátria, daquele cara que entra em campo e resolve a parada com sua genialidade.

Sem esquecer, claro, que o futebol não é o maior problema do Brasil, mas nem por isso deve ser deixado nas mãos de dirigentes mal preparados e às vezes desonestos.

 

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