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Opinião
30/10/2014 15h06

De louco cada um tem um pouco!

José Luiz Ayres

Entre a gama de particularidades que o ser humano, possui o ato de colecionar, alguma coisa sempre se faz presente ao longo da vida nos mais variados tipos de objetos e coisas ditas importantes, as quais o levam muitas das vezes a uma obcecada dedicação a tornar o ato mais do que um “hobby” e sim uma excentricidade obsessiva além do previsto.

Desfrutando de agradável remanso à cidade de Serra Negra – SP, em aconchegante hotel, quando entre inúmeros hóspedes um cidadão de meia idade nos chamou atenção pelo seu comportamento egocêntrico, onde sempre isolado, solitário e esquivo a evitar contatos pessoais, mantinha-se aparentemente alheio a tudo a sua volta, portando invariavelmente um pequeno livro; como uma agenda, o qual sempre se dispunha folheá-lo e proceder à vez por outra anotações a nos causar curiosidade.

Aquele ato simples, nos deixava mais intrigados ao vê-lo por varias vezes procedendo da mesma forma sentada aos bancos das praças, lanchonetes e bares como ocorria às dependências do hotel. Lógico que aquele procedimento passou a nos trazer ainda mais curiosidade. Afinal o que tanto o levava a anotar naquela misteriosa agenda?

Numa noite, resolvemos curtir uma “tratoria” a tomar um bom vinho e ouvir o tecladista que se apresentava de acordo com rol de eventos exposto à portaria do hotel, quando de repente, eis que surgi a sentar-se numa das mesas um pouco afastadas a colocar sua agenda sobre ela, a ter o atendimento do garçom que o trouxe uma garrafa de vinho e uma taça, onde servido bebericou o liquido como um “sommelier” a degustá-lo sobre a qualidade do “bouquet”, que nos pareceu aprovar e solicitar a completar a taça com vinho e passar a folhear sua enigmática agenda.

Com o passar do tempo, me dirigi ao toalete e nova surpresa, ao ver o tal cidadão deixar um dos box de vaso sanitário e se introduzir a outro e logo deixá-lo. Deparando-se comigo que me ocupava do lavatório, sem ação me pareceu, ao olhar-me através do espelho, expõe um semblante de olhar circunspecto a esboçar um sorriso insólito e, cumprimentou-me a dizer que estava ali em missão literária a copilar elementos manuscritos atrás das portas expostos por anônimos “poetas e filósofos” em seus momentos reflexivos e solitários ao se utilizarem das dependências restritas às necessidades fisiológicas, a extravasar os sentimentos que lhes são tomados. Segundo revelou, o que me causou certa perplexidade, é que seu objetivo destinava-se a colher dados ao seu livro, que como professor universitário de literatura da língua portuguesa, esse desejo cultural já vem amadurando há anos dada coleção iniciada quando ainda jovem e universitário, passou a colecionar como um “fraseologista” fosse; se é que podemos assim dizer, ou um pesquisador pelo fraseado, pela locução e o significado do que a representa quando é criada por se estar em total isolamento e solidão. Mas com o passar dos anos a coleção passou a ser objeto de estudo, onde mesmo; como disse não ser um psicólogo, aprofundou-se sobre a matéria complexa exposta, prioritariamente em reservados públicos, a demonstrar em simples, porém reveladoras escritas, o quão é na verdade e o que gostariam de ser e agir, mas se sentem pela frustração em não poder se libertar dos grilhõesda sociedade que o vigia. Exemplificando, abriu a porta de um dos box a mostrar-me um dado copilado onde se lia: Ah... Antônio se você soubesse.

Atordoado me pergunta: - Veja bem a frase e a interprete. Qual será o objetivo desse extravasamento de quem a escreveu?

Confesso que me juguei “incapaz” por “n” conclusões e razões. No que pese a interpretação da frase, dependerá da cabeça de cada um ao lê-la, principalmente se levando em conta ao local a ser utilizado só por homens. Sem nada a dizer, meneei a cabeça e com exclamativo “tchau” me retirei. Um tanto confuso e perplexo deixei o toalete, não podendo crer no que presenciara, e matei a curiosidade, achando que de louco cada um tem um pouco e que neste lugar solitário, onde a vaidade é desprezada, todo fraco faz força e ao contrário, todo valente se acovarda. Por isso só me resta dizer, o quão são pitorescos esse turistas intelectos imbuídos nas suas intrínsecas inteligências egocêntricas!

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