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Opinião
19/06/2014 09h20

Futebol para principiantes

Bebeto Andrade

Por Bebeto Andrade,

de Cruzília/MG

O futebol não é feito só de gols, pontapés e vaias na presidente. Como toda atividade humana, possui um vasto folclore que inclui personagens míticas, muitas superstições e um repertório rico de anedotas. Existe até um filósofo do futebol, o famoso Neném Prancha, que ninguém sabe onde ou quando viveu, mas que deixou uma obra digna de teses e ensaios acadêmicos.

Algumas frases atribuídas a Neném Prancha dão a medida de sua lucidez. Ele dizia, por exemplo, que se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado, e isso num tempo em que todos os times de futebol dispunham de um pai-de-santo oficial. Outra máxima de Neném Prancha é um pouco duvidosa, mas vive sendo repetida pelos comentaristas esportivos: pênalti que não foi pênalti não entra. Em outras palavras, o gol de pênalti de Neymar contra a Croácia não deveria valer.

Alguns jogadores também se tornaram famosos pelas frases de efeito. O Mirandinha, que jogou durante muito tempo no Corinthians, certa vez foi acusado de correr de mais e pensar de menos, criando jogadas bisonhas e sem nenhuma objetividade. Para se defender, o atacante corintiano respondeu: “ou corro ou penso”. Acho que foi o mesmo Mirandinha que desistiu de ir jogar na Alemanha, porque lhe disseram que ele nunca aprenderia a falar alemão e acabaria esquecendo o português.

Em Minas Gerais, o craque das palavras foi sem dúvida Paulo Isidoro, ex-atacante do Atlético. Depois de fazer um golaço num jogo do campeonato mineiro, o jogador tentou explicar a mecânica da jogada e saiu-se com esta: “Eu fingi que fui, não fui e acabei fondo.” Machucado e correndo o risco de não entrar em campo para uma partida importante, Paulo Isidoro ponderou em conversa com jornalistas: “Comigo ou semigo, a gente vamos ganhar.” Agora, a melhor frase de Paulo Isidoro é aquela em que o jogador tentou explicar a importância de um jogo entre Cruzeiro e Atlético: “Clássico é clássico e vice-versa.”

O folclore registra ainda a história de Garrincha na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Depois de ganhar o título, já na hora de fazer as malas para voltar ao Brasil, Garrincha comentou com o roupeiro da seleção que havia gostado muito da música sueca que tocava no rádio. O roupeiro foi a uma loja, comprou um rádio comum e o revendeu a Garrincha pelo triplo do preço. Garrincha pagou sem reclamar, pois achava que no rádio só tocava música sueca, mesmo no Brasil.

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