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Opinião
04/12/2014 12h42

“Iron Uncle” enferrujado, quase fundiu o motor!

José Luiz Ayres

Ao cruzarmos o jardim do hotel depois de estafante e saudável caminhada matinal e relaxarmos num dos bancos próximo ao estacionamento, dois veículos se chegam de onde quatro casais saltam visivelmente deslumbrados e eufóricos, a mostrarem as vicissitudes infantis que aflorava diante daquele paradisíaco local, em que a maturidade era esquecida, sem atinarem o quanto aqueles procedimentos os tornavam engraçados.  Entre risos, gracejos e bobagens rumaram à direção da recepção. Cumprimentando-nos, fizeram questão de se apresentarem, no que também os fizemos saudando-os pela benvinda e ótima presença.

Passaram então a desfrutar do hotel sob um clima de descontração, a relacionarem-se com todos independente da possível simpatia, cujo entrosamento mostrava-se sem dúvida bem comunicativo. Entretanto, um dos cidadãos, porém, se sobressaía como o “rei do pedaço”, querendo aparecer a impor a todos suas vontades e artimanhas achando que teríamos de aceitar absurdez de ações muitas das vezes incompatíveis com a faixa etária das pessoas. Só que pela recusa e de certa forma inconveniente, costumava “tirar sarro” daquele que se negava a compartilhar de suas vontades e loucuras explícitas.

Numa manhã, juntando-se aos jovens, resolveu participar de um enduro bike nas trilhas às matas circundantes da cidade, cujo percurso acidentado e um tanto íngreme, previa uns 12 km. Claro que sua loucura, foi motivo de apreensão e preocupação pelos seus amigos e nós que ali estávamos tentando dissuadi-lo da ideia. Afinal sua idade não recomendava tal empreitada, mesmo sendo um ciclista urbano como dizia. Mas todo aparatado, no meio daquela garotada, que carinhosamente o apelidou de “Iron uncle” (tio de ferro) em inglês. Pela idade, foi o primeiro a dar a partida, para logo a seguir o grupo deixar o local rumo ao destino, pelas desconhecidas trilhas tortuosas e íngremes de descidas perigosas, limosas e lamacentas.

Por volta da hora do almoço, a garotada começou a retornar. Chegou o primeiro, o segundo, o quinto, o nono, o vigésimo e nada do Iron uncle dar as caras, embora soubéssemos que sua tarefa não seria fácil em completar a prova. O tempo se estendia e a demora passou a preocupar, pois o último a transpor a linha de chegada já havia cruzado, quando um funcionário do hotel da recepção se chega, a dizer que o Odílio; o Iron uncle, encontrava-se na Santa Casa local. A notícia bombástica fez com que os amigos se apavorassem e sua mulher acompanhada de um deles seguisse às pressas ao hospital a deixar o grupo sobtensão.

Durante o almoço veio a notícia, passada pela sua mulher, que Odílio estava bem e que em repouso recuperava-se do esforço físico despendido, câimbras, perda do potássio, artrite e lógico da capacidade aeróbica não compatível com a idade que o levou ao desmaio, que por sorte fora socorrido por um grupo de pessoas quando por ali passava praticando o ecoturismo.

Em suma, o Iron uncle estava enferrujado e desgastado em suas peças e deu-se o inevitável não suportando o peso da idade.

Moral da história: Nada como se ter consciência naquilo que praticamos, quando pelos arroubos de juventude nos sentimos aptos a praticar exercícios físicos, os quais os demonstramos ser capacitados por simples falácia apenas na teoria.

Ah... Esses Turistas deslumbrados, que diante da liberdade não medem às consequências e transgridem na maturidade com procedimentos pueris, são sem contestação bastante deslumbrados a nos oferecerem passagens bem pitorescas.

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