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Opinião
25/04/2019 16h48

Maturidade é saber ser benção para o outro

Por Ana Terra Oliveira

Eu acredito que a vida é como montar um grande quebra-cabeça. Singular para cada um de nós e sempre tem aquela pecinha essencial que faz tudo casar, uma peça que faz sentido na nossa história, na nossa configuração de vida. As vezes é aquele ponto mais central onde tudo se resolve, onde tudo se encaixa e pode ser até o calcanhar de Aquiles, aquele lugarzinho onde temos que dar mais atenção e cuidar com afinco, pois pode ser o lugar de nossa redenção, mas também o lugar de nossa queda!

O que quero dizer com isso? Que buscar a maturidade é minha redenção, a nossa redenção, mas fragmentar-me é a minha queda. E estou sempre nesta linha tênue. Para mim desenvolver a maturidade é a peça fundamental. Obviamente que é um aspecto essencial a todo homem. Ocorre que chegou um momento da minha vida que eu me tornei consciente dessa peça fundamental. Eu descobri que era por isso que eu havia nascido: para me tornar uma pessoa inteira, atingir a maturidade na sua forma mais elevada, progredindo sempre. E é tudo o que eu faço hoje, é buscar ser uma pessoa inteira e ajudar pessoas neste caminho, a encontrar pontos de equilíbrio, pontos de inteireza.
Certa vez eu estava na faculdade e eu tinha uma inquietação interna, e eu perguntava: “O que faz com que um homem tenha tamanha força de seguir, superar e atravessar caminhos apesar dos obstáculos, dificuldades, e entraves na caminhada?”

Mas eu não sabia traduzir em palavras exatamente a minha questão. Eu queria saber sobre esse “elã” de viver, esse entusiasmo, essa motivação para a vida, esse impulso vital. Eu conheci uma pessoa que foi benção na minha vida, ela me ajudou a entender onde estavam as peças que eu buscava com tanta inquietação. E para entender todo esse processo de atravessar obstáculos e ter força de seguir eu fui estudar ativamente sobre fragmentação e maturidade. E desde então muitas inquietações encontraram seu lugar, não todas claro, cada nova inquietação surge a cada nova compreensão, é a roda da vida.

Pois é, a maturidade anda junto com a integridade. Então, vale nos perguntar: “aquilo que fazemos, pensamos, sentimos, falamos nos fragmenta ou nos une interiormente?” Bem sabemos que cura é inteireza. Inteireza é peça fundamental para atingir a maturidade. E maturidade é fator de felicidade. É um estar de bem e lidar bem consigo mesmo, com a vida, com os outros.

Nisso três livros viraram meus fiéis amigos: ‘O Ser Fragmentado’, ‘O Ser Inteiro’, ‘Fontes da Força Interior’, de um de meus escritores favoritos, Anselm Grün. Minha boca saliva ao pegar seus livros, me traz muita alegria, ele traduz aquilo que estou ávida por ouvir unindo o conhecimento psicológico e espiritualidade.

E nestes dias eu me lembrei muito de suas palavras, ele diz: “maduro é o ser humano que se tornou coerente em si, não é mais dividido” e “maduro é o ser humano que desenvolveu sua essência e se tornou uma benção para os outros” e “ maturidade não é algo que se desenvolve apenas para si, é também algo que representa um gozo para os outros”.

E como isso tem me chamado a atenção! Eu tenho convivido com pessoas que são tão inteiras, coerentes, e se tornaram bênçãos para os outros! E é tão belo! Esta é a maior beleza que se pode desejar, que se traduz em todos os movimentos, no modo de falar, agir, se expressar. Como é bela a pessoa madura! Onde elas chegam levam harmonia, alegria, são prestativas, agradáveis e compassivas. Sabem respeitar, sabem a hora de falar, o que falar e quando calar. Todos querem ficar perto, todos querem ouvir o que tem a dizer, são pessoas queridas. Estão sempre ajudando os outros, não desdenham, não discriminam, sabem apreciar, admirar os outros e ver o bem.

Então, que tal sermos também bênçãos para o outro? Oferecer sorrisos, gentilezas, falar com mais jeito, mais educação, não ficar tão irritado com qualquer coisa, saber ser mais compreensivo, ser mais amigo, confiar mais, abrir mais o coração para amar e ajudar. Deixar essa fofocação de lado. Nossa, para quê ficar falando mal do outro? É tempo perdido.

Acho que cabe bem essa oração de São Francisco: “mais amar que ser amado, é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado”. Então vale a pena frequentar o salão de beleza da alma e unir tudo o que está fragmentado. Aprender a ser flor, para enfeitar e perfumar os caminhos. Mais que ser espinhos e fazer chorar, é ser benção, embelezar e florescer, frutificar e amadurecer! Maturidade é rendenção!
Ana Terra Oliveira é psicóloga, escritora, contadora de histórias.

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