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Opinião
08/05/2014 09h10

Mundo faz-de-conta

Gilclér Regina

Por Gilclér Regina

 

“As empresas contratam a pessoa que tem mais marketing pessoal. Competência e atitudes, neste caso, vão para o espaço”.

O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento e seleção. É contratada a pessoa com mais marketing pessoal. É contratado aquele que faz teatro e fala aquilo que o entrevistador quer ouvir. Depois... Ora bolas, depois é depois... As empresas valorizam mais a auto-estima do que a competência. E aí falta um pouco de bom senso.

Lembro-me bem de uma história que o Prof. Gretz contava quando éramos parceiros de negócios nos anos 90, sobre uma moça que trabalhava numa companhia aérea, na contabilidade, e era toda sorrisos... Ele dizia que ela estava no departamento errado e que deveria trabalhar no departamento de reclamações da empresa.

Disse o meu amigo Roberto Shinyashiki, presidente da Editora Gente, que numa entrevista uma moça respondia todas as suas perguntas sempre com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. E ela respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, não em relações públicas. Ele a contratou na hora.

Numa entrevista ninguém responde que é desorganizado ou esquecido. Dizem que seu defeito maior é mergulhar de cabeça no projeto da empresa. O “chefe” adora isso, mas na prática onde está a verdade?

Como diz o Roberto, é contratado quem é bom de conversa, que faz teatro, que finge. Esse é “o bom”. Ele vem direto do “mundo faz-de-conta”. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.

Eu me lembro do início da minha vida profissional numa agência bancária. Éramos três trabalhando no “conta corrente”. Dois saíram. Fiquei lotado de serviço. E, quando apareceu a promoção, o “coçador” da agência, que vivia no barzinho da esquina, é que foi promovido. Porque, se me tirassem do conta-corrente, quem iria fazer o trabalho?

Nosso modelo de gestão premia pessoas mal preparadas. Cria arrogantes que não tem humildade para aprender e se preparar. Tem muita gente fazendo besteira. Mas ainda sou do tempo que fazer um estágio de graça ou fazer um bom trabalho era também chamado de “trouxa”. Mas é o trouxa que aprende a se virar sozinho na vida.

Quer deixar um segredo de sucesso para o seu filho? Diga para ele ser um trouxa.

Pense nisso, um forte abraço, e esteja com Deus!

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