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Opinião
15/08/2016 10h24

O amor é cego , mas não desatento

por José Luiz Ayres

No ônibus que viajava de regresso ao Rio de Janeiro, oriundo de Varginha, MG, parcialmente ocupado, três moças e quatro rapazes, de certa forma portando-se inconvenientemente através de atos e palavras trocadas entre si, num tom de voz acima do normal talvez pela distância que se posicionavam as poltronas, chega à parada prevista em Resende por volta de 19 horas.
O veículo estaciona no box reservado à empresa e o motorista avisa que serão disponíveis 15 minutos. Ao lado do nosso coletivo, havia outro ônibus também estacionado, da mesma empresa, só que procedia do Rio de Janeiro com destino a São Lourenço. Dos sete jovens, apenas cinco desceram de imediato, inclusive se expressar que estavam doidos por uma boa mijada. Porém, o outro casal ainda permaneceu, pois estava; nos parecia, “in love bastante contundente” às poltronas ao fundo do carro, só descendo pouco depois entre beijos e amassos. Já de regresso, no interior do ônibus que se mantinha sob penumbra e com os passageiros, na maioria retornado, observo que o ônibus destinado a São Lourenço, em marcha-a-ré lentamente se afasta pegando seu rumo. Quase a seguir, o nosso motorista procede a contagem dos passageiros, quando um tanto espavoridos os cinco jovens conduzindo suas guloseimas, penetram ao salão em total balbúrdia sem um mínimo de respeito aos demais passageiros, inclusive até derrubando um pouco de laranjada que respingou sobre o motorista, que naquele instante solicitava dos passageiros à colocação dos cintos de segurança. Fechando a porta da cabine, apagou as luzes se do assoalho, acionou a partida e lá fomos nós a pegar a via Dutra sobre um silêncio parcial, apenas quebrado pelo movimento dos jovens ao degustarem seus petiscos.
De repente, sob o já silêncio predominante e a calma relaxante a percorrer o retão de Resende, uma das moças que estava sentada à parte da frente, resolve dar o ar de sua graça, a dizer para o tal casal “in love” ao fundo do carro”, profere um gracejo malicioso no intuito de “tirar sarro” a amiga a dizer: - Lu, não esquece de colocar o cinto e aproveita usando o mesmo cinto do Marcão pra dar mais segurança, ouviu? Mas como não houve resposta, tornou a perguntar se não tinha ouvido. Continuando sem resposta, berrou: - vocês estão me ouvindo?
Erguendo-se do lugar, caminhou ao fundo do ônibus e eis a surpresa! O casal não se encontrava na poltrona 39 e em nenhuma outra. O tumulto foi criado, as luzes foram acesas pelo escarcéu verificado com a porta da cabine sendo aberta a intimar o motorista a retornar depois de quase 10 minutos de viagem. Como isso não seria possível e sobre protesto dos jovens, seguimos nosso destino, a achar tudo aquilo muito hilário.
Moral da história: Por um amor também se perde a cabeça e engana-se de ônibus. Por isso àquela altura os “agarradinhos” deveriam estar subindo a serra da Mantiqueira de volta a São Lourenço, somente com lenço e sem documentos e muito amor naquele “friozinho” da serra...
Ah... esses turistas romântico e seus romances, quando se desligam do mundo e tudo a sua volta, não passam de uns abilolados a nos oferecer cenas mais que hilariantes e não deixam de ser muito pitorescos...
Como reflexão eu pergunto; - Qual de nós em sã consciência, como jovens obviamente que fomos, não teve um momento como esse, ou assemelhado, que tenha sido muito pitoresco?

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