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Opinião
17/07/2014 14h21

O caçador em nova ação

José Luiz Ayres

Por José Luiz Ayres

No quarto relaxado sobre a cama enquanto aguardava o início do jantar naquele delicioso Hotel Fazenda, à cidade de Visconde de Mauá – RJ, após reconfortante banho depois de um dia extremamente proveitoso, onde as andanças pelas matas se fizeram presente, eis que percebo alguém a pedir por socorro. Sem titubear, ergui-me da cama abrindo a porta e constatei uma mulher no corredor envolta numa toalha, visivelmente apavorada, que ao ver me solicitou ajuda para sua amiga no quarto, pois não conseguia desvencilhar-se dos asquerosos bichos que a acuava no interior do box, a deixá-la bastante desesperada sem saber como agir.

Com sua ajuda, penetramos no aposento e me dirigi à porta do toalete, cauteloso, afinal o pavor externado pela mulher me determinava tal procedimento e indaguei da companheira acuada se estava bem. Ao me ouvir, quase sussurrando falou: Eles estão aqui, não posso sair, salve-me, por favor, pois estão me atacando!

Pedindo a sua amiga qualquer objeto para me defender, afinal não sabia o que me esperava, ela passou-me sua toalha. Chegando à porta do box, apreensivo, olhei e presenciei uma cena patética. A mulher a um canto, colada aos azulejos com os braços para trás do corpo desnudo, tinha os olhos esbugalhados quase a soltarem das órbitas com a boca aberta de lábios arroxeados. No canto oposto, observo, duas inofensivas pererecas, uma ao chão e outra na parede bem acima a movimentarem-se como quisessem acasalar-se, pois a do chão lançava-se aos pulos sobre a da parede que se esquivava do “assédio”.

Dentro do box, agachado e óbvio, molhado pelo chuveiro aberto, consegui capturar os “inofensivos e inconvenientes” batráquios entre gritos histéricos e agarrões aflitos da neurótica mulher, acompanhado da nervosa companheira que agitada à porta assistia o desenrolar da “caçada”.

Agradecendo-me pelo “ato de coragem”, sem se tocarem que estavam nuas ainda um tanto apavoradas a observarem os animais às minhas mãos, me acompanharam a porta com mais agradecimentos onde as deixei seguindo ao meu aposento.

Felizmente minha mulher permaneceu no nosso quarto e eu me livrei de ter que engolir “sapos” em profusões... e ter que ser obrigado a caminhar para o brejo, depois da caçada bem sucedida naquele box.

Como pode imaginar caro leitor, minha vida tem sido ligada a esses batráquios pelos vários episódios aqui já descritos, cuja coincidência de ações quase sempre solidárias, me fazem pensar o quanto sou um predestinado “caçador de pererecas”, mesmo enfrentando situações que por vezes me deixam um tanto complicado perante a obrigação em querer ser solidário, por praticar uma nova ação de características idênticas. Espero que estas pererecas desgrudem de mim, assim também as serpentes se afastem a evitar que me transforme em eterno e privilegiado protetor das apavoradas turistas.

Moral da historia: A solidariedade nem sempre nos deixa solidário com a paz de espirito, pois pode ser mal compreendida e nos complicar por um simples gesto de solidariedade.

Ah... Esses “Turistas Apavorados” quando se veem diante de instantes desse mundo animal, por eles desconhecidos, e fazem deles um estado de pavor abdicando por isso de seus princípios de sensatez, moralidade e pudor, são sem dúvida uns eternos pitorescos a nos proporcionarem momentos bastante inusitados e...Às vezes muito complicador... Dadaà insólita solidariedade prestada...

 

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