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Opinião
16/01/2014 14h28

Pense antes de batizar seu filho

Bebeto Andrade

Por Bebeto Andrade

de Cruzília/MG

 

Nome é coisa séria, é a marca que identifica o cidadão e o acompanha até depois da morte. Os egípcios tentaram explicar sua origem e criaram a “doutrina do nome”, segundo a qual nada existe antes de ser nomeado; a Bíblia, por sua vez, atribui a Adão o batismo de todas as plantas e animais que existem, com exceção do ornitorrinco.

Antigamente era costume nomear os descendentes indicando qualidades e virtudes. Por esse método, Nicolau é o “vitorioso do povo”, Alcibíades representa a “força”, Eulália significa a “arte de bem falar” e Custódio, anjo da guarda. Já os sobrenomes mantinham relação com a realidade concreta, um ofício ou particularidade de uma região, como se percebe em Ferreira, que trabalha o metal, ou Pereira, madeira que fornece madeira dura.

A influência da história e da religião também foi marcante, de tal modo que os nomes dos primeiros cristãos se tornaram extremamente comuns. No Brasil, por exemplo, os Josés são recordistas, os Joões são incontáveis, Pedros são numerosos e Tiagos, triviais. Aliás, a igreja dispõe de um matirológio, lista com nomes de 6.538 santos e beatos (até o momento em que escrevo esta crônica), e aconselha os fiéis a adotá-los na hora de batizar os filhos.

Curioso é que alguns nomes de pessoas famosas não se popularizaram. Sansão, Nero, Calígula, Napoleão, Stalin e Hitler, embora presentes nos apontamentos dos cartórios, aparecem em número reduzidíssimo, talvez por uma certa implicância com seu caráter ou tendências. Celebridades do mundo da arte também são fonte de inspiração, mas dificilmente você cruzará com dois Beethovens ou Carlos Drummond no mesmo dia.

Modernamente, a TV contribui ao transformar alguns nomes em notícia, sejam de atores, cantores, jogadores de futebol, políticos e até criminosos – o que, em alguns casos, vem a dar na mesma. Neste momento, por exemplo, aposto que muitos pais estão avaliando a possibilidade de batizar seus pimpolhos com o nome de Neymar, na esperança de que suas crias tenham um futuro tão promissor como o do atacante da seleção brasileira.

Agora, uma coisa é certa: em 2014, dificilmente algum bebê será batizado com o nome de Renan Calheiros, o atual presidente do senado; de José Dirceu ou mesmo de Antonio Anastasia, governador de Minas. Não é por nada não, mas a maioria das pessoas ainda deseja o melhor para os próprios filhos.

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