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Opinião
11/10/2016 14h57

Personagens que Fazem Parte da Nossa História: José Landim de Almeida

Por Natália T. de Almeida Faria

Por Natália T. de
Almeida Faria

Era 10 de agosto de 1915, quando o lar do jovem casal José Landim da Silva e Maria Marcellina das Dores se encheu de alegria ao receber seu primogênito, o qual foi batizado com o nome de José Landim de Almeida. José Landim de Almeida, carinhosamente apelidado Zequinha Venço, nasceu na Fazenda da Lagoa, próximo aos Dois Córregos, na cidade de Bom Jardim de Minas, onde viveu sua infância, numa família de onze filhos, rodeado por dez irmãos: sete homens e três mulheres. Sendo o filho mais velho do casal, ainda bem cedo precisou assumir responsabilidade, não só ajudando o pai que era lavrador, mas também colaborando com a criação dos irmãos.
Aos onze anos sentiu necessidade de trabalhar para terceiros lavrando a terra, pois era o que até então sabia fazer, a fim de conseguir algum dinheiro para realizar o sonho de calçar sapatos. E conseguiu... foi um pouco além! Como a região onde morava era rica em pedra rutilo, nas horas vagas juntava pedras e nos finais de semana levava até a cidade, para trocá-las por mercadorias com o comerciante Rachid José Abrahão. De posse das mercadorias, retornava para o seu local de origem e as revendia com algum lucro, até que conseguiu algumas cabeças de gado e a ter sua “vendinha” onde morava. Ia tudo muito bem, até que um acidente ocasionado por uma queda do alto de um cavalo, além de um forte coice que levou do animal no momento em que caiu, causou-lhe uma fratura exposta na perna esquerda, alguns anos de sofrimento, internação no Rio de Janeiro, perda de todos os bens materiais e uma deficiência física que o acompanhou para o resto da vida, pois além de mancar ele sentiu sempre fortes dores nesta perna.
Em 27 de abril de 1944 casou-se com Maria da Glória Carvalho, viveram 52 anos de um feliz casamento e criaram com muito carinho , quatro filhas. A primeira, Anaide, filha do coração, que deles zelou até o fim dos seus dias. As biológicas, Natália, Andrelina e Lourdes, casaram-se e sempre disseram espelhar no exemplo de vida dos seus pais, para a educação dos filhos. Zequinha teve cinco netos, três homens e duas mulheres, aos quais amava muito e mantinha uma relação de grande afeto. Também, enquanto vivia teve duas bisnetas: Gabriella, que ele curtiu bastante, e Ana Julia, que infelizmente não chegou a conhecer, pois nascera em Cuiabá poucas horas antes de sua morte. Anos depois nasceram mais duas bisnetas: Ana Clara, também cuiabana e Cecília, mineira como a irmã Gabriella.
Desde seu casamento, Zequinha mudou-se definitivamente para Bom Jardim, trabalhando primeiramente no corte de lenha para o senhor Américo Ferreira Pena. Depois, teve sua carteira assinada caixeiro, no dia 10 de agosto de 1944, pelo comerciante senhor Raimundo Landim. Sonhando trabalhar por conta própria, pediu baixa da carteira em 20 de outubro de 1945 e, aprendendo a profissão de barbeiro, foi profissional da área por mais de 40 anos. Foi paralelamente comerciante e sitiante. Com a intensa ajuda da esposa, trabalhou muito para estudar as filhas. Na época em que estudar era um privilégio de poucos, todas fizeram Curso Superior. Foi um excelente chefe de família, onde usava o diálogo para dirigir sua família. Foi um pai muito à frente de seu tempo. Preferia conversar sobre qualquer assunto com as filhas não deixando que elas aprendessem com o mundo.
Embora nunca tenha se candidatado a nada, gostava muito de política. Torcia pela antiga UDN, pela ARENA e nos últimos anos era filiado ao PSDB. Foi Adjunto de Promotor por muitos anos e fez parte da Diretoria do Clube Recreativo Bonjardinense por vários mandatos, tendo trabalhado bastante para a construção da sede própria.
José Landim de Almeida, o Zequinha para os íntimos, marcou história. Foram 92 anos bem vividos. Vida simples, mas feliz. Deu muito carinho... viveu intensamente seus momentos... não se entregou à dor... amou a vida... fez de cada momento um preparo para o instante derradeiro. E partiu em paz. Era domingo, 14 de outubro de 2007, quando uma forte dor no peito calou para sempre sua voz. A última lembrança que ele nos deixou foi um semblante calmo e sereno. Sinal de missão cumpria. Como não chorar a ausência e uma pessoa tão amada¿! Impossível! Mas a dor não nos impede de agradecermos a Deus o privilégio de termos nascido suas filhas. Mesmo distante de nós, em tudo sentimos sua presença. Ele sempre teve uma palavra de consolo para aliviar nossas dores, sempre aplaudiu nossas vitórias,sempre nos carregou no colo quando fraquejávamos, sempre nos mostrou o caminho a seguir para corrigir nossos erros. Sorriu conosco... chorou conosco. Foi PAI em todos os sentidos. O que lhe faltou em cultura concedida pelos bancos escolares, pelos títulos e diplomas, sobrou-lhe em conhecimentos adquiridos nas escolas da vida, em nobreza de coração e na capacidade de se relacionar com as pessoas.
Para nós, suas filhas, um exemplo de luta, de doçura e de amor. Para os netos, a saudade do carinho recebido. Para as bisnetas, a certeza de que sempre ouvirão histórias bonitas do vovô Zequinha. Para a cidade de Bom Jardim, terra que ele amou de verdade, ficam seus restos mortais, sua saudade e a lembrança do velhinho de 92 anos, que mesmo com dificuldades, apoiado em bengala, fazia questão de caminhar todos os dias e voltar para casa falando com orgulho do progresso de sua gente. E a sua alma Ah! Ela, com certeza voou tranqüila na imensidão do infinito. Hoje, descansa em paz e olha por nós.

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