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Opinião
25/04/2019 16h52

TODAS AS QUARTAS-FEIRAS

Por Henrique Selva Manara

Todas as terças-feiras madrugo pensando que quero escrever, escrever para a minha cidade, escrever na terça o que lerão na quarta-feira. Às vezes vou dormir tarde, muito tarde, e ponho o relógio para acordar às 6 horas, para que ao meio dia consiga mandar um texto para minha amada Arcádia, minha amada Liverpool, sentindo tudo o que ela foi e é para mim. Todo poeta tem sua Arcádia, todo artista tem sua Liverpool. Muitas vezes caminho numa ponte que não tem mais volta, todo caminho é para frente, mesmo que pensemos o contrário. Eu sigo para frente, vezes louco e entusiasmado, vezes cansado e consciente, vezes pura resistência, e graças a Deus, vezes esquecido do que se passou pelos dias. Mas não esqueço dos amores, não me esqueço das quimeras, não me esqueço dos momentos efêmeros.
Dedico esse poema à uma amiga que não se satisfaz em ter somente uma lua como aniversário, ela invoca três para cumprir seu sol taurino, e daqui lhe sopro meus ventos do não saber. Seja sua.

O SOL

O Sol é primo da Madrugada
é o primo safado da madrugada
que arranca sua roupa
beija suas nádegas
abre suas pernas e nela mergulha
que a leva sem perguntar
para os limites dos dias
para as encruzilhadas das estradas
para as ressacas do mar
e das manhãs impuras
e sábias
e bêbadas,
e graças ao Deus primordial
nem um pouco virginais.
O Sol é o primo da Madrugada,
é o primo mais velho
que percorreu países exóticos
que comeu a carne
de touros e búfalos
que bebeu das
poções mágicas dos índios
e sentiu seu
sangue quente com eles,
e em sua mandala
mirou o meio
e do meio
explodiu
para além
dos tempos,
para outras esferas,
outras auroras,
virgens ou velhas...
É o primo delinquente
e quente
que ela ama e
fica esperando chegar
O Sol
seu primo,
de barba mau feita,
de olhos profundos e ferozes,
o Sol ,
seu primeiro,
seu amor,
seu pai ,
amante e assassino,
o Sol.
O que lhe rouba a vida
e lhe dá luz
o que se esquece
nela para ser um só
o SOL.

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