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Opinião
18/06/2015 11h47

Tributo ao amigo “São” Barbosa

José Luiz Ayres

Numa tarde de sábado, lá estava eu no interior da matriz de São Lourenço, apreensivo, pois aguardava notícias do estado de saúde do meu amigo e confidente monsenhor Barbosa, que no leito do hospital da Ordem da Penitência no Rio de Janeiro, sobre estado crítico, permanecia pelos desígnios de Deus ao mau que o afligia no alto dos 89 anos dedicados ao sacerdócio de uma vida pastoral, cuja bondade pautou em seus sentimentos por amor ao próximo.

Ali sentado, após orar pelo eterno amigo, a rogar a Deus por um desenlace em paz, sem sofrimentos e digno de um missionário que sempre soube conduzir o seu rebanho e apascentá-lo a levar o conforto espiritual àqueles que desgarrados necessitavam de ajuda, de súbito ergui-me do banco indo à direção da imagem do Cristo, onde me ajoelhei e quando contrito me fixei a ela, fui envolvido por uma brisa por inteiro e um perfume suave de aroma agradável, o qual me fez olhar a todas as direções e me surpreender ao notar que nada pudesse provocar tal sensação daquela aura. Voltando-me a imagem, fui tomado por uma tristeza seguida de uma angustia, onde no meu peito um aperto fez com que meus olhos se enchessem de lágrimas, que caíram pela face. Erguendo-me do genuflexório, enxugando o rosto, penetrei à sala do Santíssimo, em que diante do sacrário simbolizando a presença de Deus, agradeci por interceder no meu, talvez cruel pedido, a clamar que o levasse para junto de ti a viver a vida eterna.

Caminhando pela nave da matriz, triste e conformado, optei por sentar-me e ali fiquei a recordar os momentos que tivemos a prosear no Convento d´Ajuda, quando em meio ao silêncio reinante, passei a ouvir os apitos do Trem das Águas, que pela hora; 16:30, retornava  do passeio turístico a Soledade de Minas. Aqueles apitos fizeram com que fluíssem da memória mais recordações e óbvio, mais saudades de Barbosa, onde teve o trem durante anos como seu condutor nas suas incansáveis andanças pastoral, cuja abnegação imbuída da bondade e ternura no atendimento desprovido de qualquer contrariedade, a nunca deixar de atender um irmão necessitado; a hora que fosse, a ponto de ser reconhecido e chamado de “São Barbosa”, mesmo que esse chamamento ser por ele considerado uma heresia, mas que perdoava e aceitava como forma carinhosa expressada pelos irmãos interioranos fluminenses.

O tempo passou e de repente os sinos começam a tocar, a chamar os fiéis à missa 18:00hs. Deixando a matriz, segui para casa que ao chegar o telefone tocou. Ao atendê-lo, era do Rio de Janeiro, mais precisamente do Convento d´Ajuda dando a notícia que monsenhor Barbosa havia nos deixado às 16:00hrs. Suas exéquias dar-se-iam no domingo após a missa de corpo presente das 08:00hs.  Segundo as normas eclesiásticas, a cerimônia fúnebre só seria presenciada pelos parentes diretos, o clero e as internas. Mas de acordo com a vontade de Barbosa; deixado por documento, indicava três amigos a presenciá-la e, entre eles eu eram um dos beneficiados. Desligando o telefone, consternado, contei a minha mulher o que se passou e logo a seguir me dirigi a rodoviária a adquirir passagem para ônibus das 23:30hs com o retorno do Rio de Janeiro às 13:00hs, no que fui agraciado além de ter sido honrado por participar do adeus ao amigo, com uma medalha de São Bento, a qual me foi entregue pela Madre Superiora do convento ao chegar às exéquias, que mantenho junto a mim, deixada por Barbosa com bela mensagem despedindo-se de mim a considerar-me um grande e fraterno amigo.

Hoje, 8 anos se passaram e sinto sua presença como vivo estivesse, escrevendo seus episódios onde o trem se faz presente nas inúmeras crônicas, as quais venho expondo nesse cantinho da segunda página aos leitores do nosso jornal; Correio do Papagaio há 5 anos ininterruptos.  

 

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