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Opinião
23/04/2015 17h22

Verdade que caiu à teia de Armindo!

José Luiz Ayres

Certa feita, recentemente, lá estávamos numa tarde bem agradável a curtir as cidades englobadas ao maciço mineiro da Mantiqueira, quando chegarmos à pequena cidade de São Sebastião do Rio Verde no intuito de visitarmos a ex-estação férrea, que segundo nos foi passado pelo Sr. Edelmo (Supervisor-diretor do Trem das Águas) será o novo polo turístico a ser atendido pelo Trem das Águas partindo da cidade de São Lourenço em passeio a atender o turismo.

Ao deixarmos o carro e caminhar à direção da estação, cujo aspecto pela preservação e conservação bem demonstrava o quanto de veracidade tinham às palavras ouvidas do responsável na extensão da restauração do leito ferroviário de 32km, inclusive recuperando o traçado original da extinta linha há quase 60 anos, com a reposição de dormentes, trilhos e o pedregal, só faltando para concluí-lo pouco mais de 7km, finalmente penetramos à plataforma.

A olharmos a tudo, paredes, madeiramos da comieira, telhas, pisos, portas e janelas e aproximarmos da plataforma a observar o leito, onde a luzir o brilho dos trilhos pela incidência dos raios do sol, fazia com que se imaginasse a qualquer momento a escutar o apito do trem a dispontar na curva, observamos à margem do leito, um cidadão empurrando um carro de mãos repleto de bananas. Chegando-se a nós, indagace-nos, se queríamos comprar. Olhando-o e notar à qualidade das frutas, solicitei a nos separar duas dúzias no que providenciou. Paguei pela compra e nos agradeceu a seguir seu rumo. De repente, sem que observássemos, um senhor, “bem vivido” se chega e após nos cumprimentar identificando-se como Sr. Armindo, diz para sempre que adquirirmos bananas especialmente de vendedores ambulantes, que tivéssemos o cuidado em verificar se não haviam aranhas; ou melhor, um tipo incomum de inseto no cacho, de coloração esverdeada e preta, originárias da América Central. Então contou-nos, já que o ambiente ali é férreo, um episódio que na época, por volta de 1950, causou um grande mistério na ferrovia Leopoldina Railway pelas inúmeras mortes ocorridas entre estivadores e arrumadores no parque do terminal de cargas, onde os trabalhadores foram surpreendidos com mortes súbitas sem que descobrissem a razão, mesmo após a necropsia.

“Eu, na ocasião, operava na ferrovia como supervisor dos transportes de carga e óbvio preocupava-me cada vez mais com isso, a ponto de não dormir a cada notícia funestra. Inconformado, passei a pesquisar tentando achar uma razão, revendo entre os finados em qual operação de descarregamento dos vagões de carga, haviam funcionado. Levantado o movimento operacional, me surpreendeu à presença em todas as ocorrências convergirem aos vagões no transporte de bananas. O que de certa forma veio a causar espanto. Levei a pesquisa à direção da ferrovia, que lamentavelmente não tomou providências, atribuindo a mero infortúnio. A partir do descaso, passei a reunir o grupo escalado _a carga de bananas antes de dar início a operação, sobre o cuidado na retirada dos cachos e se possível observar algo diferente que se apresentasse chamando atenção. Estas recomendações surtiram efeito, pois não houve qualquer anormalidade. Todavia, uma vez, um estivador estranhou uma aranha diferente, de tamanho regular, de coloração esverdeada e preta que surgiu no cacho que seria transportado sobre o ombro. Tentando matá-la a mesma se introduziu às frutas. Deixando o local, veio a minha procura, onde de posse de um vidro, corri e com sorte conseguimos aprisioná-la e levá-la ao Instituto Biológico de Pesquisa, que após alguns dias comunicou a Leopoldina a gravidade que aquele tipo de  aracnídeo oferece, dada sua forte peçonha, capaz; se não ministrado o antídoto, de levar a morte de um ser humano. Por isso me cheguei a vocês. Me desculpem e perdoem-me pela prosa inconveniente a estragar a poesia que este relicário perdido no tempo, onde o santo martirizado Sebastião quase às margens do Rio Verde, vem nos proporcionar e trazer nesta paz reinante um tanto inspiradora, recordações de um passado lírico que amanhã será talvez resgatado ao ouvirmos aquele apito, até então sucumbido, ecoar novamente e termos aqui não um vendedor de bananas, mas sim, a saudosa e lendária Maria Fumaça puxando um comboio de turistas!”

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