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Correio do Papagaio - Edição 1393
Regional
11/12/2014 10h14

Entrevista com Oberom

Personalidades de São Lourenço conversam com o Correio do Papagaio.

Nascido na zona rural de Soledade de Minas, Oberom cresceu ali mesmo, rodeado pela natureza. O mais velho de seus sete irmãos, aos 20 anos saiu em busca de novas aventuras e de descobertas pelo mundo. Essa sua primeira viagem intercontinental deu origem ao seu primeiro livro “Viajando na Luz”, lançado em 2008 e traduzido em três idiomas: inglês, francês e alemão.

Agora em 2014, com 30 anos, Oberom irá a lançar o seu terceiro livro, “Vegan Yoga”. O lançamento será no auditório da Livraria Cultura, na av. Paulista, em São Paulo, no dia 17 de dezembro. O autor pretende fazer ainda esse ano o lançamento do livro em São Lourenço e no Rio de Janeiro. O jornal Correio do Papagaio encontrou Oberom para uma entrevista onde ele fala sobre o livro, as suas viagens e o controverso e inconveniente veganismo.

 

Correio do Papagaio: Você vai lançar um livro em Dezembro, o Vegan Yoga. Como foi que surgiu esse projeto?

Oberom: Eu trabalho com a divulgação do veganismo há um tempo já. E teve um retiro de Yoga e nesse retiro pediram para eu dar algumas palestras e toda a oportunidade que eu tenho eu falo sobre o tema. E um dos pedidos que foi feito era que eu não desse nenhuma palestra sobre o veganismo.

Então eu peguei o Yoga Sutra de Patanjali, que é um tratado do Yoga, digamos que o tratado mais importante que oficializa o Yoga enquanto escola védica. E eu peguei a parte prática, a parte da disciplina que é proposta nesse tratado e a palestra foi toda sobre essa parte, só que toda sob a perspectiva vegana.

Eu peguei a ahimsa que é a não violência e falei da não violência, no aspecto verbal, no aspecto físico e no aspecto ético, em relação aos outros habitantes do planeta.

Aí eu peguei satya que é a verdade, e também fiz a mesma coisa: o aspecto verbal, do pensamento, da ação. E peguei a parte do... “será que a gente está sendo coerente?” “a gente acredita que o animal sentem?” “a gente acredita que a gente não gosta de gerar sofrimento no outro?” “a gente acredita que para obter qualquer produto animal a gente gera sofrimento no outro” “será que a gente está sendo verdadeiro?” ... E assim eu fui desenvolvendo o Ashtanga Yoga de Patanjali, só que nessa abordagem vegana e essa foi a minha aula.

Não sei se eu agredi de alguma forma o pedido mas é um compromisso que eu tenho comigo mesmo de nunca passar por uma oportunidade de falar por eles, pelos animais, que são seres sencientes, que ninguém advoga por eles, eles não tem esse poder de defesa, são seres inofensivos, inocentes e são bastantes explorados por nossas atividades desnecessárias.

Então eu fico burlando.... é a minha desobediência civil com relação ao veganismo.

Isso foi há mais ou menos dois anos e meio atrás, e veio a idéia de colocar isso em documento. Eu estava na Coréia do Sul acompanhando um retiro e eu ficava boa parte do tempo, enquanto o pessoal meditava, trabalhando na confecção dessa idéia. Em 21 dias foi quase o tempo que eu precisei para montar o esqueleto da história.

Voltei para o Brasil e o esqueleto da história virou minha monografia numa pós que eu fiz em Yoga. E aí ganhou essa coisa formal que é importante, de referências. Então foi um estudo mais fino, mais profundo, o que tinha de mais atual em termos de pesquisas cientificas, a parte ambiental. Recorri muito à Harvard, à Oxford, à Onu e às adjacentes e aí saiu um material muito bacana, mas naquele formato acadêmico.

Este ano foi o ano de transformar a monografia em livro. Trazer mais a experiência do humano para uma coisa que é super formal e fria.

A minha experiência dentro daquilo, a minha ótica, a experiência da família, de amigos, relatos... Tudo isso eu trouxe para esse livro que era para ser uma coisa bem fininha e de fácil acesso para todos; está numa linguagem que é de fácil acesso para todos mas tem muita coisa, não deu para... por mais eu que tentasse enxugar tem coisas que não dá para tirar, são muito importantes mesmo.

E finalmente então eu consegui com uma editora legal, em SP, eles já tinham publicado dois livros meus, eu bancando, e a proposta que eu fiz é que esse livro eu ‘garantia’ que ia dar certo. Pelas pessoas que leram, que comentaram, são pessoas bem importantes, bem influentes. Tipo Sonia Felipe, autora do Galactolatria; o Jerson Dadgio que é o revisor da Yoga Journal, que é a principal revista de Yoga do mundo e eles gostaram.

E eu sei que as informações ali são quentes. Não é uma viagem de alguém que é fanático e quer convencer todo mundo; são informações mesmo. Então eu cheguei na editora com essa proposta, de que a história ia dar certo e se eles bancavam. Porque é caro fazer um livro. E no final das contas você não ganha nada.

Então, eles toparam e o livro sai agora em dezembro. Eu queria que saísse esse ano e eles se espremeram para fazer esse ano. Porque tem muitos dados que são de 2013 e 2014 e eu não queria que entrasse em 2015 e o dado de 2013 já ficou lá para trás. Queria que ficasse uma coisa bem fresquinha.

Então dia 17 [de dezembro] na Livraria Cultura na [av.] Paulista no anfiteatro deles vai estar sendo oficialmente lançado. Provavelmente dois dias depois em São Lourenço, ainda não tenho certo o lugar, está só na idéia, não está fechado. Rio de janeiro, na semana seguinte provavelmente...

Aí eu deixo para o ano que vem as capitais do sul e sudeste – sendo as cidades do sudeste que faltam, Belo Horizonte e Vitória.

 

Correio do Papagaio: Este é o seu terceiro livro? Conte-nos um pouco dos outros trabalhos.

Oberom: O primeiro é o ‘Viajando na Luz’, lançado em 2008. É um relato de viagem que fala da minha primeira experiência em uma grande viagem intercontinental, longe de casa, na época com 20 anos... Foram nove meses de viagem, entre 13 países da Europa e a Índia. Tem todo o decorrer da história, tem uma separação, depois o meu irmão chega junto, tem o ‘Caminho de Santiago’ feito em silêncio, que é uma das passagens mais interessantes do livro... isso em 2008. Ele foi traduzido para o alemão, francês e inglês. E está em processo de tradução para o espanhol.

E tem esse que eu lancei agora, esse ano. É um processo longo lançar livro... foram 3 anos escrevendo para lançar o primeiro, e 3 anos escrevendo para lançar o segundo.

A gente se abasteceu para fazer uma viagem, depois de 5 anos da primeira viagem, mas uma viagem investigativa, mais profunda. A gente começa com 5 meses na Índia, visitando ashrams, visitando seres especiais, tudo isso sendo relatado como um jornalista, todos os dias escrevendo. Como no primeiro eu vim cheio de cadernos, tudo o que eu via eu não queria perder nada.

Eu cheguei e comecei a escrever o livro e foi justo a época que eu fui para a Coréia do Sul. Então o livro estava sendo feito, os diários estavam todos no computador, eu estava mexendo nele e aí veio a historia de passar o Vegan Yoga para livro, e para mim é a maior urgência. Então eles tiveram um caminho meio paralelo acontecendo meio junto.

O outro estava mais adiantado resolvi então finalizar e lancei em março deste ano: “No Fluir da Felicidade”. Que tem essa coisa do momento que a gente entra numa faixa vibratória onde a gente está fazendo o que a gente acredita, a gente está feliz, realizando aquilo que a gente sabe que não vai trazer um beneficio só nosso, e a gente se aproxima daquilo que é a essência, que eu posso chamar de felicidade. As coisas fluem, sem esforço. E foi assim a viagem, muito fluido. E um monte de gente linda, que não é conhecida, mas que transforma o mundo mesmo, que inspira muita gente. A gente teve oportunidade por exemplo de conhecer o Iyengar, que é um dos expoentes do Yoga.

 E então em 2008, ‘Viajando na Luz’ e 2014, ‘No Fluir da Felicidade’.

 

Correio do Papagaio: Esse estilo de vida, essa filosofia de vida, de estar e ser... Como as pessoas te encaram, te recebem? Como é viver essa filosofia de vida?

Oberom: Posso falar de uma experiência que aconteceu ontem... Ontem eu tava dando aula e a aula era sobre isso, sobre veganismo. E as pessoas foram para mais uma aula do curso, um curso de Yoga que acontece em São Paulo.

E eles não estavam cientes do que seria a aula, eles estavam para mais uma aula do curso.

Eu faço uma preparação para o tema, porque realmente mexe muito com as pessoas, dói muito no ego delas. Elas estarem fazendo uma coisa que elas acreditam que é errado, elas sabem que está errado. Mas que culturalmente é aceito, então existe uma contrariedade interna, embora seja legitimo, seja legal, é aceito pela sociedade e gera um prazer. E ninguém gosta de estar fazendo uma coisa que é errada, ainda mais na profundidade que é, que é uma injustiça com seres inocentes. Eu realmente tomo muito cuidado, porque é muito fácil as pessoas olharem para essa pessoa e para esse discurso, essas poucas palavras que eu acabei de falar elas já são dignas de serem taxadas como radicalismo, como fanatismo.

Então eu faço essa preparação. Eu começo dizendo que o nosso ego não vai gostar do tema, que a gente vai tentar se defender, com todos os meios que a gente tem. A gente é super criativo para se defender, com desculpas e tudo mais, com justificativas... Muitas das justificativas são aquelas que estão no repertório e a gente reproduz há muito tempo porque já justificaram para a gente. Hábitos que são controversos. As pessoas já vêm justificando, a gente se sente mal por estar fazendo uma coisa que a gente não reconhece como verdadeiro e já que a gente não vai se livrar do habito a melhor forma é acolher essas justificativas. E a gente passa a ser um reprodutor também dessas justificativas e a coisa nunca acaba. A gente em algum momento acaba até se convencendo disso.

As pessoas até então só ficam apreensivas: “o que será que esse cara vai falar?”... Porque até então essas informações podem caber para qualquer coisa, qualquer hábito nosso. E a hora que eu falo que a gente vai falar do nosso comportamento com os animais, a reação é muito curiosa. Tem gente que bate a mão na perna e fala “eu sabia que era isso” e ficam muito inquietos, tem aqueles que ficam nervosos, tem aqueles que levantam e saem da sala. Não querem... não querem ouvir. Nem começou a escutar o que é proposto... não quer ouvir. “Não mexa na minha zona de conforto. Assim está bom”.

Aí eu começo com uma historinha que é assim:

“Tem uma espécie de pássaros nos países nórdicos que no frio severo do inverno quando a vaca faz coco eles pulam no meio do coco da vaca. E porquê? Porque está quentinho”

A zona de conforto é o coco da vaca. A gente está quentinho, mas a gente está no coco da vaca. E a gente começa a defender essa zona de conforto, com unhas e dentes.

E [Arthur] Schopenhauer fala uma coisa que é bem interessante, que a verdade ela é sempre repudiada. A gente se sente mais cômodo vivendo as nossas mentiras. Toda vez que a verdade se revela, a gente tem choques existenciais, tem conflitos. Como é conflitante viver a verdade a gente foge dela, a gente não quer conflito, a gente não quer entrar nesse sofrimento.

Então, ele fala o seguinte, a verdade é recepcionada de três maneiras: a primeira é a reação violenta – de você defender mesmo a sua zona de conforto, de lutar se for preciso, de esbravejar; a segunda é ridicularização –você pega a informação e começa a brincar com a informação de forma a que aquilo não deve ser levado a sério, logo você não incorpora aquilo não se identifica com o personagem que está sendo falado; e a terceira forma de recepção da verdade é a aceitação – isso não significa mudança, mas é o meio para a mudança.

E aí as pessoas se abrem um pouco mais. Porque elas começam a se perceber se elas estão reagindo dessa forma ou não... como o ego delas está reagindo. Porque na verdade é só informação.

Eu não vou bater em ninguém, e eu só vou levar uma informação que é inconveniente, isso eu sei. As pessoas choram... dói... dói saber que para fazer queijo mata bezerro, porque tem a quimosina, no quarto estomago e arrancam a quimosina do bezerrinho.... tem que matar ele para ter a coagulação do leite. Ninguém gosta de ouvir isso. Todo mundo sabe que é ruim. A gente reconhece no ser que tem olhos e olha para a gente, a gente reconheço o que anima, a alma. Existe esse conflito.

Mas é um trabalho essencialmente de amor. Então também não adiante eu bater boca e querer que essa informação prevaleça e seja engolida à força. Então se a pessoa não está receptiva, tem que enviar amor e de repente vai haver a sensibilização. Se não... ou a pessoa deixa de ouvir e vive na ignorância dela – e eu digo isso ‘ignorância’ no sentido de ignorar - , ou ela vai mudar.

Correio do Papagaio: Encontra dificuldades em trabalhar nesse meio no Brasil?

Oberom: Mais ou menos. Por exemplo quando eu vou para dentro de uma universidade, onde as pessoas de alguma forma se sentem numa posição, que o ego delas coloca elas numa posição de saber, eu sinto mais bloqueio. As pessoas que têm um maior volume de conteúdo intelectual são mais rígidas e menos receptivas.

Não quero dizer que a informação seja passível de erro. O que eu estou trazendo é um fato, não é uma teoria. Não existe um argumento que possa quebrar o fato. Então por mais avançado que seja a forma de pensar da pessoa e o grau de intelectualidade que ela tenha, ela não combate o fato. Mas é onde tem maior resistência.

Agora se eu vou numa escola, com crianças, elas não precisam de muitas palavras, elas sentem, elas sabem... está muito mais puro, não tem tanta defesa...

No meio alternativo, no meio espiritualista.... tem egos que bravejam muito, mas tem maior sensibilidade e aí os que não bravejam, se comportam, se abrem.... é legal.

 

Correio do Papagaio: E lá fora, como é a receptividade?

Oberom: Ano passado eu fui para o Barcelona Yoga Conference, que é o segundo maior encontro de Yoga do Ocidente. E eu usei a mesma estratégia: de estar falando sobre o Yoga e estar falando sobre o veganismo. Muita gente se incomoda demais, porque o Yoga é todo abalizado em cima de uma dieta lacto-vegetariana. Só que lacto-vegetariana daquele jeito lá de milênios atrás, onde os rebanhos eram livres e tudo mais, e não no sistema industrial hoje do leite, em que as vacas são escravas.

Tem resistência sim, as pessoas se incomodam, mas eu percebo que quando existe um argumento cientifico a aceitação é quase que imediata.

Aqui as pessoas não se importam tanto com o argumento cientifico. Elas querem é se convencer de que aquilo está errado. Mesmo usando argumentos já bem ultrapassados, tipo ‘você precisa da proteína animal”...

Sinto que lá fora se é cientifico, eu não vou ser bobo de argumentar o que é cientifico. Eu fui para a Alemanha agora no final de setembro, e me convidaram para fechar um Congresso. O tema do Congresso era de espiritualidade, não um segmento único, mas uma coisa bem abrangente.

Todo mundo fala de muitas técnicas, muitas coisas bonitas, muitas descobertas. E o elementar que é o que a gente coloca nas nossas mesas todos os dias, que a gente vai fazer todos os dias, não é tocado. Eu até tinha um tema para estar falando, que era mais especifico, mas a minha era a última palestra e eu assisti a todas as palestras do Congresso e isso faltava...

Então eu troquei a minha palestra para falar sobre isso. E claro que choca toda mundo. Mas de novo esse é o compromisso que eu tenho, ainda mais quando eu sinto que não falaram por essa minoria.

O veganismo toca a todas as minorias, o nosso desrespeito com os animais é a raiz de todos os preconceitos. De todos. A gente aceitar que um ser inocente seja subjugado e escravizado, faz com que a gente banalize o nosso igual. A mulher com o sexismo... A mulher é igual, mas existe esse preconceito. E a raiz vem muito dessa insensibilidade que a gente incorporou.

O negro por ele ter uma pigmentação diferente do branco que era o dominante, sei lá porque razão, ele era tratado como inferior. E tinham justificativa para isso: “não tem alma”. Usavam esse tipo de argumento. E faziam o que queriam com o negro. E quando alguém falava em nome deles, esse alguém era perseguido, era aniquilado, porque perturbava o conforto da sociedade. E isso foi “ontem”.

Há 60 anos na Bélgica tinha zoológico de negro. As pessoas iam para dar comida e falavam, “ai que gracinha, faz igual a gente”. Ontem.

E o que a gente está fazendo agora com os animais...? ... “agora”... desde sempre! ... É a mesma coisa. É só a textura da pele e o formato do corpo [que é diferente], só isso. O sistema cognitivo é igual. Mais desenvolvido e menos desenvolvido em alguma espécie..... mas é igual. Dentro da veia passa hemoglobina, hemácia, plaqueta... igual a todo mundo... sistema endócrino, sistema nervoso... tudo igual.

Aí precisa ir lá um grupo de neurocientistas, para desenvolver um aparelho chamado iBrain que mede as zona do cérebro responsável pela consciência. Aí, a partir de 7 de Junho de 2012 os animais sentem!

E isso deveria ser um BOOM. Poxa, se eles sentem, se eles têm consciência cientificamente... tinha que parar imediatamente qualquer tipo de exploração. Mas não, de novo... é inconveniente... a gente já está todo amparado, sustentado em cima desse tipo de praticas, é cultural. Tem festa de peão de rodeio, de boiadeiro. E isso rende muito dinheiro. Está certo que está todo mundo ali para ver o show. Mas faz parte da tradição, ter o boi, com as partes apertadas, sofrendo... quebra uma perna, é sacrificado.... essas coisas assim...

Então é um trabalho que é em nome da justiça e da igualdade, em todos os níveis.

É com a criança que é abandonada pelo estado por insensibilidade das pessoas, é pelas minorias e é tudo reflexo de como a gente se comporta com aqueles que não sabem se defender.

Enquanto a gente usa a nossa força e a nossa inteligência para explorar isso vai se refletir sempre na nossa sociedade. É uma tentativa até política de mudar esse cenário.

A gente ir para uma outra escala. É elementar, a gente sabe disso. Se a gente for conversar sobre ética todo mundo vai concordar com isso. Mas a indústria farmacêutica ganha muito com isso, muito, muito. E a indústria alimentícia ganha muito. E as duas dominam a mídia de massa. E é importante as pessoas estarem sedadas, estarem menos sensíveis, ter o senso crítico baixo. Assim fica fácil manipular elas. E nada melhor do que dar aquilo que não é da natureza delas. Então elas comendo o que não é da natureza delas, toda a energia disponível para o senso crítico é convertida para resolver o problema orgânico. Eu dou farinha refinada, eu dou açúcar refinado, eu dou sal, eu dou fritura (a gordura saturada), a gordura hidrogenada e produto de origem animal de todo o tipo – o leite, o ovo, os derivados e a carne.

E isso faz com que o nosso campo de defesa cognitivo tenha uma interferência e esse senso crítico baixo facilita todo esse cenário ‘cabuloso’ que a gente vive e a gente até acha normal, de injustiça, etc.

É bem complexo e é perigoso levar essa bandeira, porque mexe muito. A mídia não fala nada dessa relação com os animais, porque ela é patrocinada por quem quer que isso continue.

Em 20 anos, só no Brasil foram mil e cem ativistas mortos por estarem indo contra a bancada ruralista, contra os fazendeiros e contra os produtores de gado, tanto para leite quanto para corte. Então é um tema que é um baita de um tabu. Mas está crescendo bastante.

Só na Alemanha, de 2010 até 2013, o veganismo cresceu 800%. Não é 8% que já é legal, nem 80% que seria “uau”, são 800%. Mas está mudando. Mas precisa dessas pessoas falando, mostrando, precisa de material e eu acredito que o Vegan Yoga vai estar mexendo numa camada da sociedade que são formadores de opinião. E que independente do público do Yoga o livro dá base para o público em geral. Acho que vai ser mais uma ferramenta importante para essa transformação geral, política, social....

 

Correio do Papagaio: Quais os seus projetos futuros?

Oberom: Bom, eu tenho uma agenda e na agenda já mostra que eu vou fazer isso por esse próximo ano. Tem a Europa em junho e julho, tem EUA e Canadá em agosto e setembro e aqui no Brasil depois de março, todo o final de semana eu vou estar atuando com isso, que é o que já vem acontecendo, mais nas capitais.

Aqui na roça eu sou professor de Yoga e eu levo grupos para Índia - em fevereiro eu vou estar com um grupo na Índia.

 

Correio do Papagaio: E quais os seus sonhos para o futuro?

Oberom: Para um futuro distante é que os meus filhos tenham água e tenham numa sociedade justa... esse é o meu sonho... E o que eu faço hoje tem essa face egoística também, de pensar nos meus filhos.

 

 

Confira a reportagem sobre o lançamento do livro.


 Capa do Livro ‘Vegan Yoga’

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