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Domigo, 19 de Novembro de 2017
São Lourenço
14/10/2017 10h08

Mulheres que cuidam da chegada das crianças

Doulas, como são chamadas, estão cada vez mais presentes no país e no mundo

Por Simone Leite
Doula vem do Grego “A mulher que serve”, é a profissional que oferece suporte físico, emocional e informativo para a gestante antes, durante e depois do parto. Nos dias atuais a doula oferece suporte também em casos de aborto e óbito fetal, além de pós-parto.
Antigamente, com famílias numerosas e sem a relação tão estreita entre partos e procedimentos hospitalares e de extrema tecnologia, por vezes, o contato da parturiente com mãe, avó e outros familiares que pudessem ajudar no nascimento de um filho, era fundamental, pois se sentia acolhida num momento tão importante de sua vida.
Com o tempo e os avanços tecnológicos, esses laços foram desfeitos e o ambiente acolhedor e íntimo, de quem tem um filho, foi substituído na maioria das vezes, por um ambiente impessoal e com equipe simplesmente especializada, sem compromisso maior com tudo que normalmente envolve a mãe no momento do nascimento de um filho: dor, medo, ansiedade e desconforto. Com toda a especialização hospitalar, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula.
O que a doula faz?
Antes do parto: orienta o casal sobre o parto e pós parto.
Durante o parto: atua no conforto maior da parturiente e realiza interface entre equipe médica e casal.
Após parto: oferece ajuda e orientação a nova família e principalmente, na nova relação entre mãe e filho.
É uma profissão reconhecida pelo Cadastro Brasileiro de Ocupações com o CBO 3221-35 em 2012.
A profissão no Sul de Minas
No interior, os cursos na área, ainda são raros, e os hospitais, com pouco recurso e por falta de informação, muitas vezes desconhecem a profissão. Lyz Ferri é técnica de enfermagem e doula que atua no Sul de Minas, conta que este trabalho se iniciou há 04 anos, no Hospital da Fundação Casa de Caridade de São Lourenço, com uma sala para parto humanizado, e acrescenta que quando profissionais da saúde conhecem o trabalho da doula, valorizam e apoiam a profissão, pois a presença desse profissional pode beneficiar toda a equipe, enfermagem e médica.
Lyz comenta ainda, que sente como a profissão mais gratificante que existe, pois é pura doação e deve estar inteira e presente, para a gestante e mãe, durante todo o tempo.
Como toda profissão, a doula deve manter-se atualizada, e transmitir para a gestante, o maior número de informações possíveis, para que este momento único e cercado naturalmente de ansiedade, possa acontecer da forma mais natural possível.
No Brasil e no mundo
Em nosso país, a profissão vem ganhando espaço com maior abertura nos grandes centros pela facilidade de cursos, hospitais e casas de partos. No interior do país, o processo é mais lento e desafiador, pois muitos desconhecem a profissão e seu valor. A demanda de mulheres e instituições que solicitam esse serviço, ainda que bem menor do que no exterior, também vem crescendo significativamente. Mais de cem doulas atuam no atendimento individual à mulher (particular, acompanhando partos em casa, casa de parto e maternidades) e outras tantas como voluntárias em hospitais do SUS.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o ministérios da Saúde de vários países reconhecem hoje a profissão de doula. Pesquisas realizadas na última década demonstraram que, sob a supervisão de uma doula, o parto evolui com maior tranquilidade e rapidez e com menos dor e complicações tanto maternas como fetais.
Com a difusão da nova profissão, poderá também ocorrer uma substancial redução de custos para os sistemas de saúde, graças à redução do número de intervenções médicas e do tempo de internação de mães e bebês.
Na América do Norte, por exemplo, estima-se que existam atualmente de 10 a 12 mil doulas, inclusive, formando homens na profissão.
Existem aproximadamente 8.000 doulas certificadas nos Estados Unidos, também já muitas no Canadá, Austrália, Portugal, Itália e outros países da Europa. No Brasil, entre voluntárias e profissionais, o número está próximo de 800 formadas, porém só uma pequena parte atua.
No Exterior, a doula é mais valorizada, já que em muitos países, como no Reino Unido, o parto já é cuidado de forma mais natural, facilitando o trabalho da profissional.
Para encontrar uma doula próxima de você e conhecer mais sobre a profissão acesse: www.doulas.com.br

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