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São Vicente de Minas - Notícias
27/06/2017 10h54

Reunião pública debate instalação de eletrodo em São Vicente de Minas

Processo de licenciamento do Sistema de Transmissão Rio-Xingu tem sido alvo de críticas

A polêmica envolvendo a implantação do Sistema de Transmissão Rio-Xingu chega em São Vicente de Minas. O processo de licenciamento do projeto, que está sendo investigado pelo Ministério Público, será debatido em reunião pública na próxima sexta-feira (30).

O encontro é aberto a toda população e acontecerá no Teatro da Escola Estadual José Bonifácio. A reunião deve ter início a partir das 19h. A unidade escolar está localizada na Rua São Vicente Ferrer, 610, Bairro Centro.

No início do ano, em 30 de janeiro, a mesma reunião pública ocorreu em Andrelândia, cidade onde a empresa pretendia instalar o eletrodo em solo do município. Porém, devido a forte pressão de ambientalistas e da sociedade civil, a companhia decidiu transferir a proposta de implantação ao município vicenciano.

A composição da linha de transmissão faz parte do projeto de construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio-Xingu (PA). A transferência deve passar por cinco estados brasileiros, entre eles, Minas Gerais.  A implantação do sistema prevê a instalação de eletrodo de terra – um conjunto de materiais condutores enterrados em contato direto com o solo ou embebidos em betão, destinados a assegurar boa ligação eléctrica com a terra.
A empresa Concremat Engenharia e Tecnologia S.A é a responsável por fazer estudos os ambientais dos solos que serão afetados com a colocação do eletrodo. No início do ano, análises, como impactos ambientais, foram feitas em cidades que podem receber o material. Na época, a linha de transmissão previa a instalação do sistema em São Vicente de Minas; Andrelândia; Arantina e Bom Jardim de Minas.

O Jornal Correio do Papagaio entrevistou o Promotor de Justiça, Alex Fernandes Santiago, do Ministério Público. Em Andrelândia, o promotor havia informado que falhas no estudo foram apontadas, como desconsideração das áreas de preservação permanente e do próprio Rio Turvo, que seriam afetados pelo eletrodo; desconsideração do tombamento da Pedra do Índio e da proteção ambiental do Morro do Serrote, que seriam afetados pelas linhas de transmissão.

Para o MP, São Vicente será o principal município afetado, pois o eletrodo abrange uma área total de 68 hectares – 680 mil metros quadrados, com área construída de 4,8 hectares. “Os riscos para pessoas e animais também devem ser investigados, pois o empreendedor se limita a afirmar que não serão atingidos, mas necessita melhor comprovação. Além disso, o eletrodo pode promover aquecimento do solo e ressecamento. O empreendedor não apresentou a identificação das áreas de preservação permanente, fragmentos florestais e cursos d’água, com especificação de locais, co-ordenadas, e sua distância em relação ao eletrodo, limitando-se a afirmar, sem qualquer comprovação, que não as atingirá”, afirmou o Promotor de Justiça, Alex

Fernandes Santiago em reportagem publicada no site do Jornal em 02 de fevereiro de 2017.

Naquela publicação, a Concremat tinha informado que todos os dados relativos ao eletrodo estão contidos nos estudos já protocolados no IBAMA e na Promotoria de Justiça, sem prejuízo da apresentação complementar de detalhamentos específicos solicitados na Audiência Pública. Por meio de nota, a empresa disse ainda, que o município mais afetado pelo empreendimento no Estado será Unaí. Além disso, a companhia apresentou em audiência que os estudos e critérios ao eletrodo foram estipulados de acordo com referidas normas nacionais e internacionais impostas.

A Usina de Belo Monte e a Linha de Transmissão Xingu-Rio

Parte da energia gerada na Usina Hidrelétrica de Belo Monte será transmitida pela linha Xingu-Rio, com 2.534 km de extensão, cortando os estados do Pará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A capacidade da linha será de 7.800 MW, suficiente para transportar metade da energia produzida por uma usina do porte de Itaipu. Aliás, a tecnologia selecionada para esta linha - a transmissão em corrente contínua em ultra alta tensão -  é utilizada no Brasil desde a construção de Itaipu, mas é pouco disseminada.

A eletricidade, gerada em corrente alternada nas máquinas da usina de Belo Monte, é convertida em corrente contínua ainda no Xingu e injetada na linha a 800 kV, sendo convertida novamente para corrente alternada ao chegar no Rio de Janeiro, no município de Paracambi. Apesar de apresentar algumas desvantagens, a transmissão em corrente contínua gera menos perdas elétricas e permite a construção de linhas de custo menor, além de tornar o sistema mais robusto frente às oscilações elétricas. Porém, esta técnica requer a construção de estações conversoras nas duas extremidades das linhas (que convertem a corrente alternada em contínua e vice-versa) e só se torna economicamente viável quando a linha é muito longa.

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