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17/02/2011 10h49

Veículos O motorista dos pés à cabeça (final)

Veículos: O motorista dos pés à cabeça (final)

É imperceptível, mas sutil também. O tempo prolongado dentro do carro, em meio ao trânsito caótico das grandes cidades, ou mesmo longas viagens sem pausas para “esticar o esqueleto”, provocam sérios danos à saúde. Veja o que acontece silenciosamente no nosso corpo, quando exposto a longos períodos de intenso estresse dentro do carro.

 


As dores no trânsito

 

por César Kurt

 

Primeira, segunda. Primeira, segunda. Os congestionamentos típicos das metrópoles — e das estradas em época de férias — põem a saúde em marcha lenta. Mas ela pode fluir melhor se você adotar as manobras que freiam os problemas


Vôos de avião há muito são acusados de causar dores na parte inferior das costas, conhecidas como lombalgia, até os casos mais raros (e bem mais dramáticos) de trombose, quando um coágulo se forma dentro de um vaso na perna, afetando perigosamente a circulação sangüínea. Essas encrencas, tão associadas a viagens aéreas que foram apelidadas de síndrome da classe econômica, são cada vez mais comuns em terra firme, ou melhor, asfaltada — mais precisamente nos engarrafamentos que infernizam a vida dos cidadãos.


“Esse é um problema que não tem recebido a devida atenção”, lamenta o especialista Marcelo Sampaio, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. O tempo de clausura dentro do carro se reflete sobretudo nos músculos e nos ossos, antes mesmo do que você imagina. “O limite ideal para ficar apertado no veículo seria de 50 minutos. Depois disso, o organismo passa a ser sobrecarregado”, sentencia Helder Montenegro, fisioterapeuta do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, em Fortaleza, no Ceará.


Cinqüenta minutos, lembra? Para não ultrapassar esse limite máximo e evitar ser penalizado por toda sorte de tormento, o jeito é um só: sair do carro de vez em quando para dar uma boa esticada no corpo ou caminhar um pouco. Mas, claro, quando você é uma ilha cercada de veículos por todos os lados, isso é impossível. Ainda bem que algumas medidas podem ser tomadas dentro do próprio automóvel para minimizar os efeitos do trânsito no corpo moído.


Importante: as estratégias que sugerimos a seguir devem ser adotadas antes mesmo de surgir qualquer sinal de cansaço. “Não espere a dor. Quando ela aparece, o organismo já sofreu alguns dos efeitos do tráfego lento”, explica Rubens Rodrigues, ortopedista do IOT-SP.

 


Prepare-se para rodar

 

Se o organismo paga infrações pelo trânsito, condicione-se para enfrentar o suplício de todo dia sem correr risco. Faça atividade física regularmente, concentrando-se nos exercícios de peso, ao pé da letra. “Músculos fortes protegem a coluna”, decreta Rodrigues. Alongar- se com freqüência e apostar em práticas como o pilates, que aliam desenvolvimento muscular e flexibilidade, também são boas maneiras de minimizar os efeitos nocivos dos congestionamentos. O saudável hábito de botar o corpo em movimento só não impede que um grande problema permaneça no ar: sim, ela mesma, a nefasta poluição. O ideal seria cada um de nós buscar soluções alternativas de transporte não poluente. Enquanto não dá para deixar o carro na garagem, conte com a gente: nós indicamos o melhor caminho para salvaguardar a sua saúde.

 


Dos pés à cabeça

 

 

Pulmões e coração (foto 04)


Quanto maior a exposição aos poluentes despejados pelos escapamentos, pior para esses órgãos vitais. “Se for prolongada, pode até causar um infarto”, alerta Ciro Kirchenchtejn, pneumologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). É que certas substâncias tóxicas dificultam a entrada de oxigênio e isso danifica as artérias.

 

Tornozelos e joelhos (foto 05)


Movimentos alternados de acelerar e frear freqüentes, durante o trânsito, são um verdadeiro martírio para os tornozelos — existe a possibilidade de a articulação começar a se deteriorar. No caso dos joelhos, quem já sofreu um desgaste da cartilagem ou uma lesão de ligamento precisa redobrar a atenção, isso porque muito tempo sentado culmina em inchaço e incômodo.

 


Panturrilha (foto 06)

Esse músculo na batata da perna é vital para a circulação dos membros inferiores. Quando andamos, ele impulsiona o sangue para cima, impedindo a formação de coágulos que bloqueiam a passagem do líquido vermelho para áreas como o cérebro — o que causaria um derrame. “No trânsito, a pessoa não move tanto as pernas. E isso favorece o problema”, explica o cardiologista Marcelo Sampaio.

 

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