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Quarta Feira, 11 de Fevereiro de 2026
Andrelândia
11/02/2026 14h22

Casa dos Açores de Minas promove encontro empresarial em Andrelândia e ganha destaque nacional

O projeto prevê uma missão empresarial à Ilha dos Açores, em Portugal, voltada ao intercâmbio nas áreas de laticínios, com destaque para os queijos finos, e energias renováveis


O município de Andrelândia, localizado no Circuito Turístico das Montanhas Mágicas da Mantiqueira, no Sul de Minas, será palco de um empreendimento inédito na região. Entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março de 2026, a cidade sediará um importante pré-encontro que marcará o resgate da cultura e da história local e regional, com a instalação de uma representação da Casa dos Açores de Minas Gerais e o lançamento de uma Missão Empresarial inédita.

A iniciativa levará um grupo de empresários do ramo de laticínios de Andrelândia e região para a Ilha dos Açores, em Portugal, fortalecendo laços históricos e abrindo novas oportunidades de cooperação econômica, cultural e tecnológica.

O objetivo do pré-encontro é preparar empresários mineiros interessados em ampliar conexões internacionais, explorando oportunidades de negócios no arquipélago português, que abriga a maior bacia leiteira de Portugal e possui forte tradição na produção de queijos artesanais — herança que influenciou diretamente a formação da cultura queijeira no Brasil e, especialmente, em Minas Gerais, durante o período da colonização portuguesa.

O evento é organizado pela Casa dos Açores de Minas Gerais e contará com a presença de seu presidente, Dr. Cláudio Luciano Valença Motta, e de seu diretor, Marcelo Faria, que buscam fortalecer os laços comerciais entre a nossa região e os Açores, especialmente em setores estratégicos ligados à produção leiteira, laticínios, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento (P&D), além de fomentar parcerias com universidades e instituições locais.

Integram ainda o projeto o ex-prefeito de Andrelândia, Sr. Walter Otacílio da Silva Júnior, que abrigará, em seu empreendimento Residencial Casa de Campo & Resort, a representação da Casa dos Açores no município, e o presidente do Circuito Turístico Montanhas Mágicas da Mantiqueira e diretor do jornal Correio do Papagaio, Sr. Márcio Muniz Fernandes, idealizador da iniciativa, que vislumbrou neste empreendimento a oportunidade de incrementar o turismo regional, por meio das comunidades açorianas presentes em todo o Brasil, articuladas pelas Casas dos Açores, implantadas pelo Governo dos Açores em 19 estados brasileiros.


André da Silveira: o açoriano que fundou Andrelândia


Por volta do ano de 1730, a região Sul de Minas começou a receber um intenso fluxo de colonização portuguesa, impulsionado pela busca por ouro, sendo grande parte desses colonizadores oriunda da Ilha dos Açores.

O maior e mais importante colonizador da região foi André da Silveira, natural da Freguesia de São Salvador da Vila de Horta, na Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores. Ele aportou no Brasil por volta de 1735, acompanhado de sua esposa, Maria do Livramento, e de duas filhas pequenas. Movido pelas notícias da descoberta do ouro em Minas Gerais, integrou o intenso movimento migratório português que marcou o ciclo da mineração.

Proveniente de uma família bem situada, possuía sólida formação cultural para a época, sabendo ler e escrever com desenvoltura — uma habilidade ainda rara no início do século XVIII. Ao se fixar na região do Arraial do Turvo, destacou-se como um dos primeiros e mais importantes povoadores. O expressivo número de propriedades rurais adquiridas por meio do apossamento primário comprova sua presença ativa e pioneira no processo de ocupação territorial.

Suas terras abrangiam extensas áreas que hoje correspondem aos municípios de Andrelândia, Bom Jardim de Minas, Arantina, Liberdade, Carvalhos, Aiuruoca, Seritinga, Serranos, São Vicente de Minas, Minduri, Carrancas, entre outros.

Já na década de 1740, André da Silveira encontrava-se estabelecido com sua família na Fazenda das Bicas, nas proximidades do Rio Aiuruoca, onde se dedicava simultaneamente à criação de gado, às lavouras e à mineração — atividades fundamentais para a economia regional da época. Localizada às margens da antiga estrada que ligava o Arraial dos Serranos à Vila de São João del-Rei, sede da Comarca do Rio das Mortes, a fazenda tornou-se uma das mais movimentadas da região.

Até 1771, Silveira permaneceu na região do Turvo, residindo no Congonhal, onde consolidou sua trajetória como grande fazendeiro, minerador e desbravador. A morte de sua esposa, por volta de 1775, marcou profundamente seus últimos anos. Envelhecido e abatido pelas perdas e pelas dificuldades da vida colonial, decidiu deixar a terra que mais tarde levaria seu nome, mudando-se para o arraial vizinho de São Bom Jesus do Livramento, atual cidade de Liberdade, onde passou a viver na companhia dos netos.

Em 27 de dezembro de 1782, André da Silveira faleceu, após receber todos os sacramentos da Igreja Católica. Seu corpo foi solenemente encomendado pelo Padre Manoel Lourenço de Oliveira e sepultado sob o Arco Cruzeiro, no interior da Capela do Milagroso Senhor Bom Jesus, encerrando a trajetória de um dos mais importantes personagens da história do Sul de Minas.

O legado de André da Silveira permanece vivo na memória regional e na formação histórica de Andrelândia, cidade que carrega em seu próprio nome a marca do pioneiro que ajudou a desbravar, estruturar e dar origem a uma vasta porção do território mineiro.

Fonte: Terradeandre.blogspot.com


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