22/07/2020 11h50
4 em cada 10 municípios não tinham rede de coleta de esgoto em 2017, diz IBGE
Quatro em cada dez municÃpios brasileiros ainda não tinham rede de coleta de esgoto em 2017. Em 2.211 municÃpios, 39,7% dos existentes, não havia oferta de esgotamento sanitário por rede coletora. Apenas metade dos lares brasileiros tinha acesso ao serviço, ou seja, 34,1 milhões de domicÃlios não eram atendidos por rede coletora de esgoto sanitário.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2017, com informações de todas as prestadoras de serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto, levantadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE).
O levantamento mostra que somente 67,0% do volume de esgoto gerado são coletados por rede. No Norte, esse porcentual era de apenas 19,0%, mas subia a 83,6% no Sudeste.
Houve melhora em uma década, a cobertura do esgotamento sanitário por rede coletora passou de 3.069 municÃpios (55,2%) em 2008 para 3.359 municÃpios (60,3%) em 2017, sendo que em 153 deles o serviço ainda estava em implantação. No Sudeste, a rede de esgoto atendia a 96,5% dos municÃpios, ao passo que no Norte esse porcentual contemplado era de apenas 16,2%.
As prestadoras informaram a existência de 35,3 milhões de clientes residenciais ativos de esgotamento sanitário, ou seja, domicÃlios onde houve pagamento de conta ou coleta de esgoto no PaÃs. Em relação à pesquisa de 2008, houve um crescimento de 39,2%, 25,4 milhões de clientes residenciais a mais. No entanto, o número de lares contemplados corresponde a apenas 50,8% dos domicÃlios do PaÃs. O porcentual de residências atendidas alcançava meros 7,4% no Norte, mas subia a 76,7% no Sudeste.
Quase um quarto do esgoto coletado não recebia tratamento. Entre as localidades com serviço de esgotamento sanitário, 37,2% não tinham tratamento do esgoto coletado. O Nordeste tinha o maior porcentual de regiões com esgotamento mas sem tratamento, 48,8%, seguido por Sudeste (37,3%), Norte (30,6%), Sul (28,3%) e Centro-Oeste (5,6%).
O volume de esgoto tratado por dia totalizava 11,0 milhões m³, 77,1% do volume de esgoto coletado, medido ou estimado pelas entidades executoras. Dos 2.013 municÃpios com serviço em funcionamento, 62,8% possuÃam Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) em operação.
SubsÃdio
A pesquisa do IBGE mostrou que, em todo o PaÃs, cerca de 2,8 milhões de consumidores residenciais recebiam subsÃdios na cobrança da taxa ou tarifa de abastecimento de água e 1,5 milhão na cobrança da coleta de esgoto. O abastecimento de água era cobrado em 94,6% dos municÃpios onde estava em funcionamento em 2017. Já a cobrança pelo esgotamento sanitário ocorria em 63,9% das localidades que prestavam esse tipo de serviço.
O levantamento mostrou que os descontos aos usuários subsidiados pelo governo "como instrumento econômico de polÃtica social para garantir a universalização do acesso ao saneamento básico" estavam presentes em 3.783 municÃpios com abastecimento de água (72,6%) e em 1.387 municÃpios com esgotamento sanitário (67,8%), onde existia cobrança de tarifa ou taxa pelos respectivos serviços.
No Norte, esse instrumento de polÃtica social existia em menos de 40% das localidades onde havia cobrança de tarifa ou taxa para ambos os serviços. Os maiores porcentuais foram observados no Nordeste (onde havia subsÃdio a usuários de abastecimento de água em 79,2% dos municÃpios com cobrança) e no Sul (com subsÃdios para 79,3% dos municÃpios no serviço de esgotamento sanitário).
Os critérios mais comuns para concessão de subsÃdios foram inscrição em programas sociais (69,6% dos municÃpios com subsÃdio para o abastecimento de água e 52,8% para o esgotamento sanitário), caracterÃsticas do imóvel (63,2% para água e 68,5% para esgoto) e rendimento do usuário ou de sua famÃlia (56,8% para água e 63% para esgoto).
Em 2017, as principais executoras dos serviços de esgotamento sanitário no PaÃs eram as prefeituras (responsáveis pelo serviço em 46,2% dos municÃpios), companhias estaduais (41,6%) e autarquias municipais (11,0%). As empresas privadas atuavam em apenas 3,1% dos municÃpios.
Quanto ao abastecimento de água, as principais executoras eram as prefeituras (responsáveis pelo serviço em 35,2% dos municÃpios), companhias estaduais (69,5%), autarquias municipais (10,3%) e associações (11,6%). As empresas privadas atuavam em apenas 3,6% dos municÃpios.
Fonte: Estadão Conteúdo