18/08/2020 18h10
Ainda com dúvidas sobre fiscal, dólar fecha em queda de 0,55% cotado a R$ 5,466
O dólar devolveu parte de alta da véspera com a redução de ruÃdos sobre a saÃda do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas ainda encerrou a sessão de negócios em nÃvel acima do visto nas últimas semanas, refletindo os temores que se seguem sobre as providências que serão tomadas pelo governo em relação à s contas públicas em um mês no qual se aguarda a entrega da proposta orçamentária pelo Executivo ao Legislativo. Fator técnico, no qual os investidores usam o real como hedge, que vem ocorrendo por conta dos juros baixos, também marcou a sessão.
Durante o dia de negócios, a divisa americana chegou a oscilar na casa dos R$ 5,5163, marcando a máxima do dia, enfatizando que a volatilidade segue alta, uma vez que o vale foi de R$ 5,4213. Encerrou o dia em baixa de 0,55%, a R$ 5,4666.
"O real está com dificuldade de se recuperar na mesma velocidade dos outros ativos, pois está sendo usado como seguro, já que está muito barato, e há pouca perspectiva de apreciação", diz Sérgio Zanini, head de gestão e sócio da Galapagos Capital.
Segundo ele, como o horário de funcionamento dos mercados dos outros ativos financeiros é praticamente o mesmo aqui no Brasil, facilita aos investidores usar essa proteção. "Hoje, por exemplo, o dólar abriu em queda e deu espaço para essa proteção. Se o mercado piora, o investidor carrega essa proteção para o dia seguinte, mas, se melhora, se desfaz e pode aproveitar o movimento de outro ativo", diz do gestor, para quem o real, assim como muitas moedas de paÃses emergentes, está com um cenário complicado e dificuldade de performar na comparação com as divisas do G-10, onde o dólar segue perdendo valor. O Ãndice DXY, que mede as variações da moeda americana frente a outras seis divisas relevantes, está caindo 4% no ano, ressalta.
Para Zanini, o fundamento fiscal segue ruim e há muita volatilidade no ambiente polÃtico. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Vedha Investimentos, faz coro e complementa que o mercado está vendo que está mais distante o sonho de aplicação da polÃtica liberal no Brasil, que foi comprado na eleição de Jair Bolsonaro. "Mas, no âmago, o presidente não tem essa vertente e a todo momento ele dá indÃcios de que está flertando com a ala desenvolvimentista do governo. Ele provou do aumento de popularidade e gostou. E como os programas vão entrar no Orçamento e onde entra o conflito com Guedes", disse ela. "Mercado fica no dia-a-dia fica esperando até quando Guedes vai ter resiliência."
Fonte: Estadão Conteúdo