30/07/2021 17h10
Ala do governo propõe mudar teto de gastos para ampliar Bolsa Família
Com um espaço enxuto no teto de gastos em 2022, a possibilidade de bancar o novo Bolsa FamÃlia com recursos fora do limite de despesas, ou alterá-lo para acomodar o gasto extra, voltou ao radar de integrantes da ala polÃtica do governo. Duas fontes desse grupo admitem de forma reservada ao Estadão/Broadcast que as opções são consideradas e têm defensores.
O Ministério da Economia, por sua vez, não conta com nenhuma dessas alternativas e trabalha para reformular o programa mantendo as despesas sob o teto atual, segundo quatro fontes consultadas.
A discussão entrou no radar da Casa Civil, que agora está sob o comando do senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos caciques do Centrão, bloco que dá sustentação polÃtica ao presidente Jair Bolsonaro. O tema também é de conhecimento de integrantes do Ministério da Cidadania. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem afirmado que a reformulação do programa será feita dentro das regras fiscais e que há espaço no teto para ir adiante com a medida.
Na segunda-feira, Bolsonaro citou em entrevista à rádio Arapuan, na ParaÃba, o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tratar do Bolsa FamÃlia. "Devemos, não está definido ainda, mandar uma PEC para acertarmos a questão do Bolsa FamÃlia. Se eu não tiver apoio dos partidos de centro, o Bolsa FamÃlia não tem como ser reajustado agora para novembro, dezembro", disse na ocasião, justificando a troca ministerial para fortalecer sua aliança com o bloco. Segundo uma dessas fontes da ala polÃtica, a PEC citada por Bolsonaro seria para resolver o impasse do teto, regra que proÃbe que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação.
Bolsonaro tem acenado com um valor médio de ao menos R$ 300 para o novo Bolsa FamÃlia. Dentro da equipe de formulação do novo programa, há quem avalie que esse benefÃcio precisa ser até maior para evitar sensação de perda na população, que ano passado começou recebendo um auxÃlio emergencial de R$ 600. A polÃtica social do governo é considerada uma peça-chave para o presidente melhorar sua popularidade e disputar a reeleição em 2022.
Anteontem, o ministro da Cidadania, João Roma, disse que o governo pretende dar um reajuste de ao menos 50% no valor médio do Bolsa, hoje em cerca de R$ 190 mensais. "Pretendemos isso ou até mais", disse.
Na ala contrária a qualquer movimento envolvendo mudanças no teto de gastos, a mensagem é que o Palácio do Planalto "não deve gostar de inflação a 10% e juros a 15%", em referência aos impactos negativos que uma medida desse tipo teria na confiança de investidores e nos indicadores do PaÃs.
Ambições
O espaço no teto está enxuto porque Bolsonaro tem outras ambições além do Bolsa FamÃlia. O presidente quer tirar do papel programas para turbinar a geração de empregos e conceder reajuste aos servidores. Como mostrou o Estadão, um aumento de 5% ao funcionalismo teria impacto de R$ 15 bilhões. Há ainda incertezas sobre quanto ficará a fatura das chamadas emendas de relator, usadas por parlamentares para direcionar recursos à s bases eleitorais e que consomem espaço de outras despesas.
A equipe econômica estima que o espaço livre no teto seja de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões em 2022. O sócio e economista-chefe da RPS Capital, Gabriel Leal de Barros, calcula que só a reformulação do Bolsa FamÃlia resultará em despesa extra de R$ 26,2 bilhões, considerando um benefÃcio médio de R$ 300 a 17 milhões de beneficiários.
O valor da "folga" no teto foi revisto recentemente pela equipe econômica devido a uma redução na projeção de despesas com pessoal e Previdência, que se estenderá a 2022. Ontem, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, assegurou que o espaço é "compatÃvel" com um Bolsa FamÃlia para 17 milhões e valor médio de R$ 300. Mas ainda há fatores de risco que podem reduzir esse espaço, como a crise hÃdrica e a possibilidade de novos reajustes na tarifa de energia elétrica, batendo na inflação que corrige benefÃcios pagos pelo governo. Os técnicos precisam fechar os detalhes antes do envio do Orçamento de 2022, que precisa ocorrer em 31 de agosto.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo