09/04/2020 11h20
Alimentos sobem no IPCA de março e já sofrem pressão gerada pelo isolamento
O grupo Alimentação e bebidas saiu de uma taxa de 0,11% em fevereiro para 1,13% em março, a maior variação e também maior impacto na inflação do mês, de 0,22 ponto porcentual. O Ãndice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nesta quinta-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE) variou 0,07% em março, o menor resultado para o mês desde o inÃcio do Plano Real (1994).
Os preços dos alimentos foram pressionados em parte pela corrida da população aos supermercados em função da orientação de isolamento para evitar a disseminação do novo coronavÃrus. Também houve forte influência da alimentação no domicÃlio, que passou de 0,06% em fevereiro para 1,40% em março.
"Houve alta grande da alimentação em domicÃlio e a gente acredita que as pessoas estejam comprando muito mais para ficar em casa. Essa alta nos alimentos se justifica tanto pela maior demanda quanto por uma restrição de oferta", diz Pedro Kislanov, gerente do IPCA do IBGE.
Kislanov não descarta uma queda de produtividade relacionada à s medidas de isolamento social por conta do vÃrus, mas destaca que produtos como cenoura e tomate já vinham tendo sua oferta afetada por questões climáticas.
Nos supermercados, as famÃlias pagaram mais caro especialmente pelo ovo de galinha (4,67%), a batata-inglesa (8,16%), o tomate (15,74%), a cebola (20,31%) e a cenoura (20,39%). Os preços das carnes, por sua vez, caÃram pelo terceiro mês seguido (-0,30%), acumulando queda de 7,70% no ano.
A alimentação fora do domicÃlio também acelerou na passagem de fevereiro (0,22%) para março (0,51%), puxada pela alta do lanche (1,90%). A refeição, por outro lado, registrou deflação (-0,10%), após a alta de 0,35% no IPCA de fevereiro.
Fonte: Estadão Conteúdo