31/01/2022 09h10
América Latina não tem agenda para crescimento, diz Citi
O crescimento é o calcanhar de Aquiles não só do Brasil, mas de toda a América Latina. Esta é a opinião do economista-chefe do Citi para a região, Ernesto Revilla. "Não há narrativa de crescimento", disse ele, em entrevista ao Broadcast, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado.
Segundo Revilla, apesar de o cenário ser de crescimento baixo para os próximos anos, não há reformas nesse sentido sendo propostas nos paÃses latinos. "A maior surpresa é que, com a falta de crescimento, você esperaria muitas polÃticas e ideias na região, mas infelizmente não há uma agenda de crescimento", aponta.
O Citi prevê crescimento de 1,6% do PIB da América Latina em 2022; no caso especÃfico do Brasil, a estimativa é de queda de 0,3%.
Revilla afirma que os paÃses da região estão mais focados hoje em propostas na área fiscal, e dá destaque à preocupação de governos como o chileno, o mexicano e o peruano na tentativa de aumentar a sanidade das contas públicas.
Apesar de necessárias, argumenta ele, as reformas fiscais geralmente têm efeito negativo no crescimento, na medida em que são feitas por meio de aumento de impostos ou por redução nos gastos, sacrificando o investimento.
Para ele, as ações que focam no saneamento das contas públicas são um passo importante, mas teriam de vir depois de reformas especÃficas para o crescimento, como medidas para aumentar a produtividade. "A falta de reformas para crescimento é surpreendente, porque essa seria a melhor estratégia agora. A segunda seriam as reformas fiscais que, com sorte, serão feitas de forma inteligente, sem machucar muito o investimento público."
Eleições
No caso do Brasil, mesmo a possibilidade de aprovar reformas fiscais estaria prejudicada pelo momento polÃtico.
Revilla avalia que o cenário para reformas é "próximo do impossÃvel" em um ano eleitoral. Pior que isso, acredita que o apetite hoje é baixo para fazer as reformas necessárias para recuperar uma trajetória de endividamento de qualidade.
Segundo ele, o investidor estrangeiro observa as eleições brasileiras de perto. "A maior preocupação em relação ao Brasil é a situação fiscal. Era o caso antes da pandemia. Agora, é ainda mais urgente. Infelizmente, não vemos muito apetite para consolidação fiscal." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo