11/12/2017 19h50
Anac critica uso de índices de inflação para avaliar regra de bagagem
O gerente de Acompanhamento de Mercado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Cristian Vieira dos Reis, criticou a utilização dos Ãndices de inflação do IBGE e da FGV para se fazer inferências quanto ao comportamento dos preços das passagens aéreas após o fim da franquia de bagagem. Vieira reforçou que nenhuma das instituições fez qualquer avaliação de causa e efeito da desregulamentação sobre as tarifas, as quais possuem um comportamento naturalmente errático, dificultando interpretações preliminares. "O propósito é medir inflação durante o ano, de repente foi medir efeito das bagagens?", questionou.
Ainda de acordo com o representante da Anac, as variações de preços divulgadas pela agência não são totalmente comparáveis à s captadas pelos Ãndices de inflação, já que as instituições usam metodologias diferentes para apurar os resultados, além de terem objetivos distintos. "Não há um indicador melhor que o outro, cada um serve à finalidade para que foi concebido, então os resultados podem ser diferentes."
Ele destacou algumas diferenças metodológicas entre os indicadores, como o tipo de passagem considerada - o que importa para as amostras do IBGE e a FGV são as viagens destinadas a lazer, enquanto a Anac apura os preços de todos os bilhetes vendidos, desconsiderando o motivo da viagem. Vieira afirmou também que há um problema em começar a observação dos Ãndices de preços em junho, uma vez que as informações foram coletadas 60 dias antes pelo IBGE e 30 dias antes pela FGV - portanto, em meses em que a venda de passagens sem franquia ainda não havia sido iniciada.
Outro ponto ressaltado por Cristian Vieira dos Reis é o componente da sazonalidade sobre as tarifas aéreas entre junho e setembro. "No segundo semestre do ano, vemos um comportamento histórico de elevação", observou. Ele avalia que, se a regra tivesse entrado em vigor no primeiro semestre e fosse feito esse mesmo teste, a conclusão sobre a tendência dos preços teria sido diferente.
Segundo a Anac, os preços das passagens aéreas domésticas subiram 0,1% em julho e 3,1% em agosto (em termos reais), ambas as variações ante igual mês de 2016. Já em setembro, houve queda de 5,8%. A agência não divulgou o dado acumulado do trimestre, que deve sair nas próximas semanas.
Fonte: Estadão Conteúdo