03/09/2021 17h30
Após apoiarem reforma do IR, prefeitos acusam Câmara de descumprir acordo
Após declarar apoio à reforma do Imposto de Renda mediante um acordo para beneficiar prefeituras com outras medidas, a Confederação Nacional dos MunicÃpios (CNM) manifestou "insatisfação e perplexidade" com o desfecho da votação e anunciou que trabalhará por mudanças no texto no Senado Federal. Segundo a entidade, a versão final da proposta contrariou o acerto realizado com a CNM e desaguou numa perda de R$ 9,3 bilhões para os municÃpios.
Em comunicado assinado pelo presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, a entidade afirma que duas mudanças "de última hora" não estavam no acordo e amplificaram as perdas para as prefeituras.
Uma delas foi a manutenção da possibilidade de contribuintes que ganham mais de R$ 40 mil anuais recorrerem ao desconto simplificado na declaração do IRPF. A segunda foi a redução da alÃquota sobre lucros e dividendos, de 20% para 15%.
"Com essas e outras concessões anteriormente feitas pelo relator para atender a grupos de interesse, a perda do FPM (Fundo de Participação dos MunicÃpios), inicialmente projetada para não ultrapassar R$ 1 bilhão, cresceu para R$ 5,6 bilhões", disse a entidade.
O texto cita o relator do IR, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), como fiadores do acordo descumprido.
Enquanto capitais e Estados criticavam a proposta de mudança no IR, a CNM chegou a declarar apoio ao projeto após costurar um acordo que previa a aprovação de emendas constitucionais para repor as perdas do FPM e até mudar a forma de correção do piso do magistério - medida que acabou não avançando.
Nos últimos dias, também entrou na negociação uma PEC que abre um parcelamento de dÃvidas previdenciárias de prefeituras e pode dar um alÃvio de R$ 31 bilhões, como mostrou o Broadcast, sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado.
"Há duas semanas, finalmente chegamos a um acordo para limitar a perda do FPM a no máximo R$ 1 bilhão. Para nossa surpresa, esse acordo foi rasgado unilateralmente pelas lideranças da Câmara, em uma negociação que envolveu governo, PT e demais partidos de oposição, e que privilegiou o interesse das agremiações polÃticas e dos grandes grupos econômicos, em detrimento dos municÃpios e da imensa maioria da população brasileira", diz Ziulkoski.
Para o presidente da CNM, o resultado demonstra que o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, de mais Brasil e menos BrasÃlia "parece ser mera retórica", uma vez que municÃpios terão perdas significativas, enquanto a União terá prejuÃzos compensados por revisão de benefÃcios fiscais de PIS/Cofins - que não são repartidos com governos regionais.
"Mais uma vez vemos as autoridades federais fazendo bondade com chapéu alheio, bondade destinada a agradar grandes empresários e banqueiros, como vimos na aprovação do destaque que reduziu a alÃquota sobre dividendos de 20% para 15% e retirou R$ 3 bilhões do FPM", afirma a entidade.
Com o descumprimento do acordo, a CNM avisou que vai atuar para reverter as perdas no Senado Federal.
Fonte: Estadão Conteúdo