29/09/2017 19h00
Após recentes altas, dólar tem dia de correção e fecha trimestre em queda de 4,4%
Após a moeda americana tocar o patamar dos R$ 3,20 durante o mês de setembro, os investidores aproveitaram o último dia útil para corrigir a alta acentuada, levando o dólar a fechar aos R$ 3,1666. ContribuÃram também para o movimento vendedor os dados de inflação e de renda pessoal nos Estados Unidos abaixo do esperado.
As perdas da moeda chegaram a ser invertidas pontualmente durante a manhã com a informação de que o presidente dos EUA, Donald Trump, teria se encontrado com Kevin Warsh, para sondar sobre o cargo de presidente do Federal Reserve (Fed). Warsh é um ex-diretor do Fed e fazia parte do Fórum de PolÃticas Estratégicas de Trump. Além disso, tem um perfil considerado progressista.
"Tivemos hoje um movimento de correção depois da moeda ter atingido os R$ 3,20 esta semana. Este movimento foi ajudado pelos dados mais fracos dos EUA", disse Bruno Foresti, gerente da mesa de câmbio da banco Ourinvest. O núcleo do Ãndice de preços do PCE, a medida de inflação preferida do Federal Reserve, teve alta 1,3% em agosto, ante 1,4% na comparação anual. A renda pessoal subiu 0,1% em agosto ante julho, ante previsão de avanço maior de 0,2%.
O operador da H.Commcor corretora Cleber Alessie Machado Neto também apontou para um movimento de correção. Para ele, o mercado encarou três fatores externos que impulsionaram o dólar mundo afora durante os últimos 15 dias: possÃvel alta de juros nos EUA, enfraquecimento do euro com a reeleição da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e conflito geopolÃtico entre os EUA e a Coreia do Norte. "O caso Merkel passou, o conflito geopolÃtico se esvaziou e sobrou apenas a questão de alta de juros pelo Fed. No entanto, os investidores entenderam que os devidos ajustes já foram feitos e agora aproveitam para vender", disse Machado Neto.
Ainda assim, a tendência do dólar, caso não haja surpresas negativas no front polÃtico, é de queda, corroborada pela melhora econômica. Além disso, Foresti, do banco Ourinvest, lembra que no fim do mês de outubro haverá fluxo de entrada mais acentuado devido à s duas próximas rodadas de leilão do pré-sal. "Podemos esperar o dólar a R$ 3,10 até o final de novembro diante deste fluxo e se a denúncia contra Temer for barrada", acrescentou.
No mercado à vista, o dólar fechou em baixa de 0,53%, aos R$ 3,1666. O giro financeiro somou US$ 2,27 bilhões. Na mÃnima, a moeda ficou em R$ 3,1570 (-0,82%) e na máxima, R$ 3,1910 (+0,23%). No mês, o dólar terminou em alta de 0,55%, enquanto no trimestre houve queda de 4,39%.
No mercado futuro, o dólar para novembro caiu 0,61%, aos R$ 3,1770. O giro financeiro somou US$ 23,29 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,1695 (-0,84%) a R$ 3,2035 (+0,21%).
Fonte: Estadão Conteúdo