05/11/2019 12h10
Ata do BC repete que economia segue operando com alto nível de ociosidade
A ata do último encontro do Comitê de PolÃtica Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada nesta terça-feira, 5, repetiu a avaliação, presente em documentos anteriores, de que a economia brasileira "segue operando com alto nÃvel de ociosidade dos fatores de produção".
Este alto nÃvel de ociosidade, conforme o BC, está refletido "nos baixos Ãndices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego".
A ata do Copom repetiu ainda a avaliação de que "diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em nÃveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensÃveis ao ciclo econômico e à polÃtica monetária" - ou seja, os componentes da área de serviços.
Aceleração do PIB com FGTS e PIS-Pasep
A ata do último encontro do Copom registrou, contudo, que os dados divulgados desde o encontro anterior do colegiado, ocorrido em setembro, reforçam a continuidade do processo de recuperação da economia brasileira. Para o BC, a recuperação ocorrerá em "ritmo gradual".
"O comitê estima que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter apresentado crescimento no terceiro trimestre", disse o BC.
O Banco Central avaliou ainda que "os trimestres seguintes devem apresentar alguma aceleração, que deve ser reforçada pelos estÃmulos decorrentes da liberação de recursos do FGTS e PIS-Pasep - com impacto mais concentrado no último trimestre de 2019".
Na avaliação da instituição, "o ritmo de crescimento subjacente da economia, que exclui os efeitos de estÃmulos temporários, será gradual".
Juros reais
A ata do último encontro do Copom do Banco Central repetiu a avaliação presente em documentos anteriores de que "as atuais taxas de juros reais ex-ante têm efeito estimulativo sobre a economia".
De acordo com o BC, a conjuntura econômica "prescreve polÃtica monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural." Esta conjuntura é caracterizada na ata por "expectativas de inflação ancoradas, medidas de inflação subjacente em nÃveis confortáveis, cenários com projeções para a inflação abaixo ou ligeiramente abaixo da meta para o horizonte relevante de polÃtica monetária e elevado grau de ociosidade na economia".
Condições financeiras
Na ata do último encontro do Copom do Banco Central, os membros do colegiado registraram que as condições financeiras "se encontram em nÃveis favoráveis, não obstante alguma volatilidade inerente a essas medidas".
"O ambiente com condições financeiras favoráveis resulta da ampliação do grau de estÃmulo monetário, do ambiente externo relativamente favorável para economias emergentes e das perspectivas de melhoria dos fundamentos da economia brasileira, como resultado da agenda de reformas e ajustes necessários na economia", afirmou o BC na ata.
Para a autarquia, a distensão das condições financeiras "vem se refletindo de maneira mais nÃtida na dinâmica dos mercados de crédito livre e de capitais, que crescem a taxas robustas neste momento do ciclo econômico".
Importância das reformas
Os membros do Copom reforçaram na ata de seu último encontro a importância da continuidade das reformas econômicas no Brasil. Na visão do BC, "a continuidade do processo de reformas e a perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira são essenciais para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural, para o funcionamento pleno da polÃtica monetária e para a recuperação sustentável da economia".
Neste contexto, a ata também trouxe novamente a avaliação, já presente em documentos anteriores, de que a percepção de continuidade na agenda de reformas "afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes".
Na semana passada, o Copom promoveu corte de 0,50 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros), de 5,50% para 5,00% ao ano. Ao mesmo tempo, sinalizou, no comunicado da decisão e na ata desta terça, que pode promover mais cortes da taxa básica.
"A consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude, no grau de estÃmulo monetário", registrou o BC na ata.
Os membros do colegiado também discutiram "os benefÃcios de oferecer alguma sinalização para além da próxima reunião", marcada para dezembro. "Os membros do Copom decidiram reforçar que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela em eventuais novos ajustes no grau de estÃmulo."
Como vem fazendo nos documentos ligados à polÃtica monetária, o BC ponderou ainda que as sinalizações dadas não restringem suas próximas decisões sobre a Selic. "Os próximos passos da polÃtica monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação", repetiu o BC.
Fonte: Estadão Conteúdo