17/11/2020 20h02
Auxílio emergencial em 2021 custaria R$ 15,3 bi em 4 meses
A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal prevê uma chance alta de prorrogação do auxÃlio emergencial em 2021. Em relatório divulgado nesta segunda, 16, o órgão, responsável por fazer avaliações das contas públicas, projeta que uma prorrogação por quatro meses (janeiro-abril) do auxÃlio de R$ 300 para 25 milhões de pessoas custaria R$ 15,3 bilhões. Em um ano, se o benefÃcio fosse estendido, a despesa seria de R$ 45,9 bilhões.
Nessa simulação, seriam elegÃveis 14,3 milhões de pessoas que estão no programa Bolsa FamÃlia e mais 12 milhões de desocupados com a pandemia da covid-19. Hoje, o auxÃlio é pago a 67,8 milhões de brasileiros.
Com a lenta recuperação do mercado de trabalho, a IFI avalia que é prudente considerar, em uma análise de riscos fiscais, a possibilidade de prorrogação, em 2021, do pagamento de benefÃcios aos cidadãos mais vulneráveis, ou a possibilidade de criação de um novo benefÃcio assistencial.
Segundo o diretor executivo da IFI, Felipe Salto, a prorrogação do auxÃlio é hoje o maior risco fiscal de curto prazo para 2021, já que não há espaço orçamentário no próximo ano. "É muito difÃcil dizer o que deve ou não ser feito. O quadro social e econômico é muito complicado. Mas dá para dizer que há uma probabilidade alta de que algo seja feito", disse ele. "Deve ou não ser feito? Essa é uma questão que tem de ser respondida com base nas avaliações que o próprio governo precisa fazer", completou.
O novo relatório da instituição projeta a necessidade de um ajuste de R$ 327,1 bilhões (3,9 pontos porcentuais do PIB) para a dÃvida pública estabilizar (parar de subir) em 100% do PIB em 2024. A IFI projeta um crescimento de 2,8% do PIB para 2021. Para 2020, a projeção de queda do PIB passou de 6,5% para 5%.
A dÃvida pública bruta deverá alcançar 93,1% do PIB em 2020 e atingir 100% em 2024. O endividamento pode chegar a 156% do PIB, em 2030, no cenário pessimista. O indicador é acompanhado atentamente pelas agências de classificação de risco, que conferem notas aos paÃses (funciona como uma recomendação, ou não, para investimentos). Uma tendência crescente da dÃvida, em um cenário de ausência de reformas, pode gerar a piora na nota brasileira com recomendação para que investidores estrangeiros retirem recursos do PaÃs.
Salto enfatizou que o espaço para fazer essa prorrogação fiscal não existe no teto de gastos, mecanismo que limita o avança das despesas à inflação, o que exigiria corte de outros gastos. "Mas tem alternativas do financiamento do lado das receitas, o que envolveria discutir a regra do teto, a PEC emergencial. É uma questão de diretriz da polÃtica fiscal."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo