31/05/2022 10h00
Avaliação de risco climático estará no Relatório de Estabilidade Financeira do BC
A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Fernanda Guardado, afirmou nesta terça-feira, 31, que a autarquia está trabalhando na publicação do primeiro exercÃcio de avaliação de risco climático do sistema financeiro nacional. O exercÃcio será publicado no próximo Relatório de Estabilidade Financeira, que será publicado logo, segundo a diretora.
Fernanda Guardado participa de painel na "The Green Swan Conference", com o tema "Como adaptar operações do banco central a um mundo mais quente?". O evento é promovido pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), pelo Banco Central Europeu (BCE), pelo Banco do Povo da China e pelo Network for Greening the Financial System.
A diretora do BC explicou que o exercÃcio será composto de duas partes. A primeira será um mapeamento da exposição das carteiras ao risco de transição climática. Já a segunda parte será uma análise sensitiva dos riscos fÃsicos ligados à seca extrema, utilizando os cenários climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "O BC vai medir a exposição de crédito dos bancos a risco de seca."
Fernanda Guardado ainda afirmou que o BC deve levar em conta outros eventos climáticos em um próximo passo. Durante sua apresentação, a diretora do BC lembrou da crise hÃdrica do ano passado e dos efeitos sobre a geração de energia e a produção agropecuária, com impacto nos preços. "Estamos acima da meta há um tempo e os preços de energia e alimentos têm grande parte nisso."
Sobre as iniciativas do BC na agenda verde, Fernanda Guardado destacou o "green bureau", que permite identificar quais operações de crédito rural atendem aos princÃpios ambientais, sociais e climáticos.
Recentemente, o BC colocou o crédito rural no Open Finance, permitindo que os beneficiários compartilhem suas informações. Segundo ela, isso permite uma melhor precificação e é um incentivo para adoção dos princÃpios ESG. "Pode ser o inÃcio da taxonomia verde no Brasil."
Taxonomia verde
Fernanda Guardado também afirmou que a autarquia pode ser um importante player nas discussões para a criação de uma taxonomia oficial no PaÃs para classificação de ativos sustentáveis. "Mas reconhecemos que isso vai um pouco além das nossas capacidades", disse, explicando que, no Brasil, as taxonomias são feitas por diferentes instituições, sem uma padronização.
Segundo a diretora, a falta de padronização global mÃnima de taxonomia para ativos verdes criar dificuldades para o desenvolvimento desse mercado a nÃvel mundial, pois dificulta a comparabilidade e a confiança na classificação. "Acho que isso tem que ser endereçado. Ao menos, uma taxonomia mÃnima do que é sustentável."
Fonte: Estadão Conteúdo