05/12/2022 17h10
Bancos globais estarão protegidos contra um aumento de inadimplência, diz Moody's
Bancos globais estarão protegidos contra aumento da inadimplência dos empréstimos em 2023 pela alta de juros e fortalecimento das reservas, analisa a Moody's. De acordo com a agência de risco, as perspectivas para o setor permanecem estáveis e os bancos reportarão lucros fortes. Na América Latina, a previsão é de contÃnuo crescimento das taxas de juros e diminuição das reformas estruturais, o que pode prejudicar a confiança dos investidores.
"O aumento das margens de juros permitirá a geração contÃnua de capital que já está forte, enquanto a liquidez e o financiamento permanecerão robustos, mesmo que as condições econômicas adversas em grande parte do mundo façam com que o desempenho dos empréstimos se deteriore", defende Edoardo Calandro, vice-presidente diretor de Crédito Sênior na Moody's.
América Latina
Segundo a agência de risco, a demanda por crédito deve enfraquecer e, aliada a taxas de juros, diminuir o benefÃcio para as margens dos bancos. "Os paÃses latino-americanos, entre eles Chile e Brasil, provavelmente começarão a cortar as taxas de juros no final do primeiro semestre de 2023, à medida que as pressões inflacionárias diminuÃrem", analisa.
Mudanças governamentais no Chile, Colômbia, México, Peru e Brasil representam incerteza para a região no próximo ano. No Brasil, a Moody's acredita que o novo governo deve pressionar os fundamentos financeiros dos bancos públicos no médio prazo. Já Uruguai e Peru apresentam riscos adicionais devido ao elevado uso do dólar.
A inflação deve continuar sobrecarregando a capacidade do pagamento da dÃvida das famÃlias em 2023, aumentando riscos dos ativos. Padrões de subscrição rÃgidos e nÃveis elevados de provisionamento dos bancos devem suavizar o impacto sobre o desempenho dos empréstimos. Na Argentina e no Paraguai, apesar dos bancos emprestarem amplamente ao agronegócio, carteiras de empréstimos bem diversificadas mitigam os riscos climáticos. Na América Latina em geral, os empréstimos diretos para setores vulneráveis à s mudanças climáticas são baixos, em torno de 3/4 das instituições financeiras na região, segundo a Moody's.
Quanto aos negócios no exterior, a baixa dependência dos mercados internacionais de capitais deve limitar o impacto da volatilidade global nos bancos latino-americanos, enquanto "a liquidez doméstica elevada ajudará os bancos a gerenciar as condições financeiras restritas".
Fonte: Estadão Conteúdo