15/02/2021 18h11
BCE/Schnabel: por crescimento, políticas fiscal e monetária devem operar juntas
Dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Isabel Schnabel argumentou nesta segunda-feira, 12, que as polÃticas monetária e fiscal devem operar de forma complementar para que a economia da zona do euro possa atenuar o quadro de inflação e crescimento deprimidos.
"Quanto mais baixas as taxas de juros nominais, maiores são os benefÃcios de usar outros domÃnios de polÃtica de forma mais ativa, em particular as polÃticas fiscais e estruturais", explicou, em discurso na Conferência Interparlmentar de Estabilidade, Coordenação Econômica e Governança da União Europeia.
Schnabel ressaltou que, em muitos paÃses avançados, bancos centrais têm sido criticados pela dificuldade em garantir que a inflação fique acima da meta. No entanto, para ela, algumas dessas crÃticas não têm fundamento, porque BCs possuem controle limitado sobre tendências de longo prazo que influenciam o comportamento dos juros.
"Ao longo das últimas décadas, fatores estruturais lentos, como menor tendência de crescimento da produtividade, envelhecimento da sociedade e excesso de poupança global, juntos levaram a um declÃnio mensurável dessas taxas de juros", destacou.
Segundo a dirigente, por esses motivos, o BCE adotou uma série de polÃticas novas nos últimos anos, como programas de compras de ativos e juros negativos. "Existem muitos dados empÃricos que sugerem que essas medidas não só foram necessárias para cumprir o nosso mandato de estabilidade de preços, mas também tiveram efeitos positivos consideráveis sobre o crescimento e o emprego na área do euro", analisou.
Esses fatores, no entendimento de Schnabel, reforçam a mutualidade das polÃticas fiscal e monetária. "Não é hora de se preocupar com o fato de que o aumento da dÃvida pública hoje possa minar a estabilidade de preços amanhã. Pelo contrário, o uso mais ativo das polÃticas fiscais e estruturais no ambiente atual irá, se usado com sabedoria, apoiar a estabilidade de preços e promover a independência do banco central", pontuou.
Fonte: Estadão Conteúdo