05/02/2019 09h11
Benefício poderá ser inferior ao mínimo
O governo Jair Bolsonaro pretende criar regras diferenciadas para o público que hoje recebe o BenefÃcio da Prestação Continuada (BPC), concedido a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A principal mudança é que o valor do pagamento não ficará atrelado ao salário mÃnimo, como é hoje.
Essa medida foi a que teve pior repercussão entre os parlamentares no Congresso Nacional, após a divulgação da minuta da reforma da Previdência com exclusividade pelo Broadcast, serviço de notÃcias em tempo real do Grupo Estado. Deputados e senadores já avisam que uma medida como essa não passa no plenário das duas Casas. A avaliação é de que a ideia penaliza a população que hoje já sofre para conseguir se sustentar.
O ex-presidente Michel Temer também tentou propor a possibilidade de pagar benefÃcios assistenciais abaixo do salário mÃnimo, mas esse foi um dos primeiros pontos a cair em meio à s negociações com os parlamentares. No governo, a percepção é de que não se pode atrelar o salário mÃnimo, que estabelece a remuneração básica do trabalhador, à assistência, cujo pagamento não requer nenhuma contribuição.
Estratégia
Para tentar vencer as resistências, a equipe econômica propõe uma idade menor que a atual, de 65 anos, para que os mais pobres comecem a receber o benefÃcio assistencial. Pessoas "em condição de miserabilidade" e que não tenham conseguido contribuir à Previdência pelo tempo mÃnimo exigido para a aposentadoria receberão R$ 500,00 a partir dos 55 anos. O valor aumenta para R$ 750,00 a partir dos 65 anos.
Haverá ainda um benefÃcio extra para pessoas acima de 70 anos e que tenham contribuÃdo por ao menos dez anos ao INSS. Esse perÃodo é insuficiente para pedir aposentadoria, mas vai garantir um adicional de R$ 150,00.
Para pessoas com deficiência e sem condição de sustento, esse pagamento será maior, de R$ 1 mil. Posteriormente, uma lei complementar poderá estabelecer outros critérios para a concessão de todos esses benefÃcios.
Em todos os casos, será preciso comprovar renda mensal per capita familiar do requerente, que deverá ser inferior a um quarto de salário mÃnimo. Não será possÃvel acumular esse benefÃcio com outro pagamento assistencial.
Abono salarial
A proposta também pretende restringir o pagamento do abono salarial aos trabalhadores que recebem um salário mÃnimo por mês. Atualmente, o abono é pago a todos que recebem até dois salários mÃnimos. O benefÃcio é equivalente a um salário mÃnimo e seu custo está estimado em R$ 19,2 bilhões no Orçamento de 2019.
Essa era uma medida que já estava nos planos da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, como mostrou o Broadcast, serviço de notÃcias em tempo real do Grupo Estado. O governo do ex-presidente Michel Temer também tentou reduzir a abrangência do abono salarial, mas a proposta sofreu resistência e não avançou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo