29/06/2022 11h20
Bezerra diz que PEC dos Combustíveis vai reconhecer estado de emergência no País
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos CombustÃveis, que concede uma série de benefÃcios sociais à s vésperas da eleição, vai incluir o reconhecimento de um estado de emergência no PaÃs, de acordo com o relator da matéria, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Como mostrou na terça-feira, 28, o Broadcast (sistema de notÃcias em tempo real do Grupo Estado), a estratégia do governo de adotar estado de emergência para ampliar benefÃcios sociais em pleno ano eleitoral tem causado desconforto nos bastidores.
Técnicos de diferentes áreas do Executivo estavam com receio de futuros questionamentos e vinham evitando assinar pareceres, estudos e outros documentos relacionados ao tema.
A lei eleitoral impede, em situação normal, a ampliação ou adoção de benesses em ano de eleição, mas há exceção em caso de calamidade e emergência.
Em entrevista nesta quarta-feira, 29, após reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Bezerra disse que o estado de emergência terá como justificativa a elevação "extraordinária e imprevisÃvel" dos preços do petróleo e dos combustÃveis e seus impactos sociais.
O relator afirmou também que os efeitos do estado de emergência ficarão circunscritos à s medidas contidas na PEC dos CombustÃveis.
"Não é um cheque em branco", declarou Bezerra.
AuxÃlio Brasil
Bezerra confirmou ainda nesta quarta-feira que a intenção do Congresso e do governo é zerar a fila de espera do AuxÃlio Brasil, estimada em 1,6 milhão de famÃlias, na PEC dos CombustÃveis, que também prevê um aumento do valor do programa social que substituiu o Bolsa FamÃlia de R$ 400 para R$ 600 até o final do ano.
Na entrevista coletiva após reunião Pacheco, Bezerra apresentou o relatório final da proposta. Com a inclusão da medida para zerar a fila do AuxÃlio Brasil, o custo estimado com o programa social na PEC subiu de R$ 21,6 bilhões para R$ 26 bilhões.
A menos de 100 dias das eleições, o Congresso e o Planalto agiram para ampliar ainda mais o "pacote do desespero", como foi apelidado nos bastidores por técnicos as medidas que estão sendo adotadas para fazer frente à alta dos preços dos combustÃveis.
A ideia inicial era que a PEC previsse compensação de receitas a Estados que decidissem zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre diesel e gás de cozinha. No entanto, o lÃder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), anunciou na última quinta-feira, 23, que os recursos previstos para a compensação aos Estados seriam usados, em vez disso, para conceder os benefÃcios sociais.
Vale-gás
O Congresso voltou atrás na ideia de conceder mensalmente o vale-gás a famÃlias de baixa renda na PEC dos CombustÃveis. De acordo Bezerra, o parecer final prevê o subsÃdio para um botijão a cada dois meses.
O custo dessa medida, que deve atender 5,86 milhões de famÃlias, será de R$ 1,05 bilhão fora do teto de gastos. Hoje, o vale-gás subsidia apenas metade do valor do botijão a cada bimestre.
Na terça, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que a intenção era transformar o benefÃcio em mensal.
SubsÃdio para gratuidade a idosos no transporte metropolitano
Bezerra confirmou também que a PEC dos CombustÃveis vai incluir um subsÃdio para garantir gratuidade a passageiros idosos nos transportes públicos urbanos e metropolitanos, como antecipou o Broadcast PolÃtico.
Essa medida, que valeria até o fim do ano, deve ter um custo de aproximadamente R$ 2,5 bilhões fora do teto de gastos - regra que limita o crescimento das despesas do governo.
A gratuidade a idosos no transporte coletivo é lei, mas prefeitos reivindicam ajuda financeira do governo federal para garantir o benefÃcio em meio à alta no preço dos combustÃveis.
Fonte: Estadão Conteúdo