01/11/2022 17h20
Bloqueio de estradas já causa falta pontual de combustível no Sul e Centro-Oeste
Um dos itens mais sensÃveis ao bloqueio de rodovias federais, os combustÃveis, já começaram a faltar em postos de cidades do Sul e Centro-Oeste do PaÃs, segundo entidades que representam varejistas do setor. A Federação Nacional do Comércio de CombustÃveis e Lubrificantes (FecombustÃveis) diz se tratar de focos de desabastecimento pontuais e nega o risco iminente de uma crise de nÃvel nacional.
Desde domingo à noite, bolsonaristas protestam contra o resultado das eleições e fecharam centenas de rodovias federais, travando a livre circulação de pessoas, bens e serviços.
"Até aqui, são casos pontuais de falta de combustÃveis. O que está nos chamando atenção é uma parte do estado de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás. Essas regiões concentram os bloqueios que estão afetando o transporte rodoviário de combustÃvel", diz o presidente da FecombustÃveis, James Thorp.
Segundo o executivo, ainda não há desabastecimento, situação em que nenhum posto de uma cidade tem combustÃvel para venda, mas há preocupação crescente. Ele avalia que, embora haja movimentações de bloqueios desde domingo à noite, na segunda-feira foi o primeiro dia efetivo de dificuldades ao transporte de cargas de combustÃveis nas estradas.
O primeiro Estado a registrar falta pontual de produto foi Santa Catarina. No fim da tarde de segunda-feira, 31, postos do municÃpio de Joinville (SC) já não tinham mais produto para vender, informou o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina (Sindipetro). Houve corrida para encher os tanques, com filas de carros pelas ruas e aumento de preço onde ainda havia insumo.
No Centro-Oeste, há problemas no Distrito Federal e Goiânia. Segundo o presidente do SindicombustÃveis-DF, Paulo Tavares, o bloqueio total ou parcial das vias de acesso à BrasÃlia, já prejudica caminhões que transportam para a região o etanol anidro, insumo que responde por 27% da mistura da gasolina comum. Por essa razão, as distribuidoras impuseram, desde segunda-feira à noite, quotas diárias para entrega de combustÃvel por revendedores.
"Cremos que os estoques possam durar por até 7 dias, mas é preciso confirmar com as distribuidoras. Postos do entorno (do DF), que recebem combustÃvel de Goiânia, já estão sem produto devido aos bloqueios", informou Tavares por meio de nota.
Durante a greve dos caminhoneiros de 2018, que tinha como foco o aumento do preço do diesel e mudanças na tabela de frete, começou a faltar combustÃvel em postos de todo o paÃs a partir do quarto dia efetivo de bloqueios, em 24 de maio. Um dia depois, passou a faltar combustÃvel de aviação em 11 aeroportos, incluindo o de BrasÃlia, e outros dois, Confins (MG) e Rio Grande do Sul entraram em estado crÃtico. Dois dias depois, em 27 de maio, o então governo Michel Temer (MDB) fechou um acordo com os caminhoneiros que, além de outras concessões, incluiu redução no preço do diesel de R$ 0,46 por litro. Desta vez, lideranças de movimentos de caminhoneiros já descartaram envolvimento com as mobilizações.
Em nota, a FecombustÃveis afirma que "o direito à manifestação não pode estar à frente do bom senso, podendo causar prejuÃzos à economia do paÃs e à liberdade de ir e vir dos cidadãos que estão em trânsito". O SindicombustÃveis-DF diz esperar que "manifestações de cunho polÃtico provocadas por uma minoria", possam terminar com brevidade para evitar transtornos a toda população.
Fonte: Estadão Conteúdo