30/03/2017 07h30
BNDES vai exigir termo anticorrupção na concessão de novos empréstimos
O BNDES está alterando as exigências para a concessão de novos empréstimos. O banco só vai liberar recursos a partir de agora para empresas que assinarem um termo anticorrupção declarando que a condução de seus negócios segue estritamente a lei. A medida será adotada para todo e qualquer novo financiamento de projetos que envolvam contratos com a administração pública ou parceria com entes públicos, segundo o diretor jurÃdico da instituição, Marcelo Siqueira.
Além de se comprometerem a seguir regras de conformidade, as empresas terão de comunicar ao banco qualquer problema ou indÃcio de irregularidade que identifiquem nos projetos. Se não o fizerem ou se forem envolvidas em investigações de corrupção e ficar provado que os administradores da empresa sabiam das irregularidades, os desembolsos do financiamento serão imediatamente suspensos, a empresa terá de pagar multas e será decretado o vencimento antecipado de todas as dÃvidas da empresa com o BNDES.
A exigência de um "termo de compliance", como nomeou o banco, não afetará em um primeiro momento os empréstimos passados. A exceção são os financiamentos à exportação para obras de empreiteiras envolvidas na Lava Jato. Em maio de 2016, o banco suspendeu o desembolso de R$ 7 bilhões para 25 projetos em execução no exterior. Desde outubro, a instituição abriu a possibilidade de liberar os recursos caso o importador dos serviços e as empreiteiras assinem o tal termo de compliance. Até agora, apenas duas obras tiveram os recursos liberados pela assinatura dos termos.
A medida agora adotada pelo BNDES para financiamentos no Brasil vai abranger todas as investigações em curso e não apenas as decorrentes da Lava Jato. Segundo Siqueira, além do termo de compliance, o banco manterá a regra criada em dezembro de 2014, na administração anterior, de rebaixar o cadastro das empresas que estiverem envolvidas em denúncias de corrupção. Hoje, só o fato de ser investigada já faz a empresa cair um degrau na classificação de seu cadastro.
O cadastro no BNDES é condição para a liberação dos financiamentos. De acordo com as regras, as empresas podem ser classificadas como tendo um cadastro bom, regular ou ruim. Se estiver com cadastro ruim, o pedido da empresa nem vai para a segunda fase de análise, que é a capacidade financeira da empresa e seu risco de crédito.
Uma das formas de voltar ao cadastro positivo do banco é firmar um acordo de leniência. Segundo Siqueira, o cadastro passa a ficar positivo caso a empresa atenda a outras condições do cadastro do BNDES. Mas voltar ao cadastro positivo do banco não significa necessariamente a liberação de empréstimos. Isso porque a segunda fase da concessão de financiamentos é a análise do crédito da empresa e de suas garantias.
Segundo Siqueira, desde o inÃcio da Lava Jato nenhum desembolso deixou de ser feito porque não havia pendências de contratos já firmados com o banco. O que aconteceu é que novos empréstimos não foram realizados, em boa parte por causa do cadastro negativo. "Muita gente confundiu porque o banco tinha concedido empréstimos-ponte para as empresas", disse Siqueira.
Os empréstimos-ponte são, na verdade, um financiamento de curto prazo que as empresas tomam para iniciar uma obra, por exemplo, até que tenham a liberação de um empréstimo de longo prazo. Muitos desses empréstimos de curto prazo é que foram interrompidos, segundo Siqueira. Uma das novas medidas de atuação do banco está justamente na decisão de não mais conceder empréstimos de curto prazo.
Segundo algumas fontes ligadas à s empresas, o BNDES tem restringido de maneira excessiva o acesso ao crédito, o que levou a instituição a ficar com um caixa disponÃvel para empréstimos de R$ 130 bilhões. No ano passado, a inadimplência deu um salto no banco. As provisões para calotes saltaram de R$ 1,4 bilhão para R$ 9,1 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo