25/04/2017 08h09
BNDES vai mudar política de investimento
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está concluindo uma reformulação em sua atuação no mercado de capitais. A meta é lançar até junho uma nova polÃtica para definir a compra de participações acionárias ou investimentos em tÃtulos de dÃvida corporativa, também conhecidos como debêntures. A instituição promete uma presença mais atuante nesse segundo segmento, disse a diretora de Mercado de Capitais do BNDES, Eliane Lustosa.
Segundo a executiva, um dos objetivos é dar mais liquidez ao mercado secundário de debêntures, uma antiga demanda dos investidores institucionais (como grandes fundos de pensão brasileiros e grandes investidores estrangeiros). Eliane adiantou que o banco lança nesta terça-feira, 25, a chamada pública para selecionar o gestor de um fundo de até R$ 200 milhões de "venture debt", para oferecer financiamento a pequenas empresas inovadoras. Um fundo de recebÃveis também está nos planos para o segundo semestre, com foco em médias empresas.
A BNDESPar, empresa de participações do banco, é o maior investidor institucional do PaÃs, lembrou Eliane. A carteira total encerrou 2016 avaliada em R$ 92,5 bilhões. Com a nova polÃtica operacional, a ideia é ter regras mais claras sobre a atuação desse "gigante" do mercado. "A gente tem trabalhado no sentido de dar mais transparência à s escolhas nas entradas dos investimentos, seja em equity (ações), seja em dÃvida", disse.
Novo foco
Em janeiro, o BNDES anunciou a nova polÃtica operacional para as operações de crédito, reservando as melhores condições em termos de juros e prazos aos projetos com atributos que sinalizem benefÃcios públicos ("externalidades") maiores do que os privados (a rentabilidade do investidor).
À época, a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, explicou que a ideia é mudar o foco das prioridades do banco dos setores para as caracterÃsticas dos projetos. Investimentos em infraestrutura social (como o saneamento básico), inovação, eficiência energética e ambiental, por exemplo, serão favorecidos.
Segundo Eliane, os mesmos princÃpios guiarão as polÃticas operacionais para o mercado de capitais. Será acrescentado um atributo: o desenvolvimento do mercado em si. Aà estão incluÃdas tanto as ações para ampliar a liquidez quanto aquelas para oferecer acesso a empresas que não operam no mercado.
Esse é o intuito do fundo de "venture debt". O instrumento financeiro, voltado para empresas iniciantes, ainda não existe no PaÃs, que já possui fundos especializados em "venture capital". Famosos no Vale do SilÃcio, os fundos de "venture capital" aportam recursos em empresas iniciantes, principalmente no setor de tecnologia da informação, em troca de fatias na composição acionária. No "venture debt", em vez de vender parte de seu capital, a empresa emite tÃtulos de dÃvida a serem comprados pelo fundo.
Segundo o chefe do Departamento de Investimento em Fundos do BNDES, em paÃses
desenvolvidos, as operações de "venture debt" respondem por cerca de 10% do total aplicado em "venture capital". No Brasil, o BNDES estima que esse segmento tem potencial para chegar a R$ 1 bilhão.
O BNDES espera lançar o novo fundo em até 180 dias. Poderão recorrer a ele firmas com faturamento anual de, no máximo, R$ 90 milhões, dos setores de tecnologia da informação, novos materiais, biotecnologia, nanotecnologia e audiovisual. A BNDESPar investirá até R$ 80 milhões, limitados ao teto de 50% no patrimônio máximo de R$ 200 milhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Estadão Conteúdo