23/02/2022 10h20
BoE/Bailey: efeitos colaterais impõem sérios riscos à inflação do Reino Unido
O presidente do Banco da Inglaterra (BoE, pela sigla em inglês), Andrew Bailey, disse nesta quarta-feira (23) que há um claro risco de que a inflação elevada persista no Reino Unido se houver um ciclo de preços altos que impulsione os salários. Em testemunho no Parlamento britânico, Bailey disse que efeitos colaterais impõem sérios riscos à inflação britânica, que está no maior nÃvel em três décadas.
Segundo Bailey, se todos tentarem derrotar a inflação, haverá efeitos colaterais que podem forçar o BoE a responder com juros mais altos. Especificamente sobre o salto dos preços de gás, ele atribuiu a questão à crise entre Ucrânia e Rússia.
Bailey afirmou também que modestas altas de juros são prováveis nos próximos meses. O BoE elevou o juro básico em suas duas últimas reuniões de polÃtica monetária, da mÃnima histórica de 0,10% para 0,50%.
Escalada salarial
Andrew Bailey reforçou, na sessão no Parlamento, preocupação com o impacto da alta salarial na inflação. No inÃcio deste mês, Bailey foi duramente criticado por lideranças polÃticas e sindicais após sugerir que trabalhadores deveriam evitar pedir aumentos de salários acentuados como forma de combater à escalada inflacionária.
Hoje, o banqueiro central reconheceu que o comentário é "impopular", mas reiterou o argumento de que o avanço dos salários pode impulsionar a inflação. Segundo ele, nesse cenário, o impacto seria sentido de forma mais aguda entre pessoas com menor renda.
A dirigente Silvana Tenreyro, que também participou da sessão, defendeu que um aperto monetário "modesto" será necessário nos próximos meses para conter a espiral inflacionária. Na visão dela, uma ação muito rápida de polÃtica poderia trazer riscos à economia.
Fonte: Estadão Conteúdo