30/07/2019 15h00
Bolsas da Europa fecham em baixa após dados fracos e ataques de Trump à China
As principais bolsas europeias fecharam com fortes perdas em geral nesta terça-feira, 30. Indicadores econômicos fracos na França e na zona do euro pesaram sobre os pregões, e as crÃticas dirigidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China trouxeram novas incertezas sobre o cenário do comércio internacional.
O Ãndice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 1,47%, aos 385,12 pontos.
Trump voltou a adotar a retórica incisiva contra Pequim na manhã desta terça. Em sua conta no Twitter, o presidente acusou os chineses de "sempre mudar o acordo para o seu benefÃcio", reiterou que o paÃs asiático precisa de um acordo mais do que os EUA e afirmou que, caso seja reeleito em 2020, o acordo será "muito mais difÃcil" do que o negociado atualmente "ou nenhum".
Os comentários foram publicados em meio à rodada de negociações entre representantes americanos e chineses que ocorre em Xangai e levantaram dúvidas sobre a possibilidade de progresso das discussões. "O estilo de comunicação de Trump pode ser visto pelos chineses como desrespeitoso, o que aumenta a pressão sobre seus lÃderes para serem igualmente duros", avalia o analista-chefe de Comércio Internacional do ING Group, Raoul Leering.
No cenário doméstico, os mercados europeus foram frustrados pela leitura do Ãndice de sentimento econômico na zona do euro, que recuou ao seu menor nÃvel desde março de 2016. No setor manufatureiro, o registro foi o mais baixo desde julho de 2013.
Além disso, a libra renovou mÃnima histórica contra o dólar, repercutindo preocupações de que o Reino Unido deixe a União Europeia (UE) - o "Brexit" - no dia 31 de outubro sem acordo com o bloco econômico, como vem sendo ameaçado pelo premiê britânico, Boris Johnson. "Ninguém, incluindo provavelmente o próprio Boris, sabe até que distância do abismo ele dirigirá o carro do Reino Unido, ou mesmo se ele pretende parar", avalia o diretor-geral para Europa da Eurasia, Mujtaba Rahman.
Por outro lado, a libra fraca favoreceu exportadoras britânicas e a bolsa de Londres foi a que mais resistiu à s baixas da sessão na Europa, com o Ãndice FTSE 100 em baixa de 0,52%, para 7.646,77 pontos. Mesmo com perdas de empresas importantes, como Fresnillo (-17,75%) e EasyJet (-5,58%), os ganhos de outros nomes fortes como BP (+3,07%), Rio Tinto (+1,0%) e Unilever (+0,52%) contribuÃram para conter a queda do Ãndice. A Centrica (-19,0%) recuou após a distribuidora de gás divulgar balanço e anunciar corte no dividendo e a saÃda de seu executivo-chefe. O grupo bancário CYBG (-9,55%), também após publicar balanço.
Em Paris, o Ãndice CAC 40 caiu 1,61% para 5.511,07 pontos, prejudicado pela leitura de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) da França no segundo trimestre do ano ante o primeiro. Já o Ãndice DAX da bolsa de Frankfurt sofreu retração de 2,18%, aos 12.147,24 pontos. Entre as quatro maiores economias da zona do euro, a Alemanha registrou o maior recuo do Ãndice de sentimento econômico, caindo ao pior nÃvel desde junho de 2013.
Na Itália, onde permanece a crise polÃtica interna da coalizão governamental, o Ãndice FTSE MIB da bolsa de Milão caiu 1,99% para 21.278,24 pontos. O setor bancário sofreu forte impacto, com recuo do FinecoBank (-4,76%), BPER Banca (-3,91%), UniCredit (-3,23%) e UBI (-2,83%).
Também persistem os atritos polÃticos domésticos na Espanha, sob risco de eleições antecipadas se o primeiro-ministro Pedro Sánchez falhar em constituir um governo. O Ãndice Ibex 35, da bolsa de Madri, recuou 2,48% para 8.986,60 pontos. A Siemens Gamesa (-17,65%) recuou após balanço que mostrou queda de mais de 50% no lucro lÃquido da empresa em seu terceiro trimestre fiscal, na comparação com igual perÃodo de 2018.
O Ãndice PSI 20, da bolsa de Lisboa, fechou em queda de 2,05%, aos 5.029,67 pontos.
(Com informações da Dow Jones Newswires)
Fonte: Estadão Conteúdo