16/10/2017 14h30
Bolsas da Europa fecham sem direção única com política guiando mercados
Os mercados acionários europeus fecharam sem direção única nesta segunda-feira, 16, com a queda do euro ajudando ações de companhias exportadoras diante de questões polÃticas na União Europeia e da possibilidade do Banco Central Europeu (BCE) continuar com uma polÃtica de compra de ativos vista como forte em 2018.
O Ãndice pan-europeu Stoxx-600 fechou em alta de 0,01% (+0,03 ponto), aos 391,45 pontos.
Eventos polÃticos se uniram a discursos de autoridades monetárias e direcionaram o movimento dos mercados de ações em solo europeu nesta segunda-feira. Em um dia esvaziado de indicadores, os agentes digeriram eleições na Alemanha e na Ãustria, não deixando de monitorar notÃcias relacionadas ao processo de saÃda do Reino Unido da União Europeia (Brexit).
No domingo, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sofreu uma nova derrota à s vésperas do inÃcio da negociação de uma coalizão de seu novo governo. A União Democrata Cristã, de Merkel, obteve 33,6% dos votos e foi derrotada na Baixa Saxônia, perdendo um dos Estados chave no paÃs para o oposicionista Partido Social Democrata (36,9%).
O resultado na Baixa Saxônia pode complicar ainda mais as negociações para a formação de um governo em nÃvel nacional e, com Merkel enfraquecida, também perde força o plano do presidente francês, Emmanuel Macron, de promover uma maior integração na União Europeia.
O projeto de Macron também pode sofrer uma forte oposição na Ãustria. Também no domingo, ocorreram eleições legislativas no paÃs, onde a direita se sagrou vitoriosa, com o Partido Conservador do Povo, liderado por Sebastian Kurz, de 31 anos, obteve 31,7% dos votos. Com o resultado, Kurz deve se tornar o lÃder mais jovem da história da União Europeia.
Já o Partido da Liberdade, de extrema-direita, conquistou o seu melhor desempenho desde 1999, com 26% dos votos. Durante a corrida eleitoral, Kurz prometeu uma repressão à imigração e uma revolução no establishment polÃtico austrÃaco. Ele deseja, ainda, reduzir os benefÃcios sociais para refugiados e restringir o acesso ao Estado de bem-estar social dos trabalhadores de outros paÃses da UE. Nesse cenário, o Ãndice ATX, da Bolsa de Viena, fechou em queda de 0,08%, aos 3.372,99 pontos.
"Kurz recentemente saudou a iniciativa de Macron para uma reforma na zona do euro, mas ele só deseja 'mais Europa' na polÃtica de segurança. Em termos concretos, Kurz está contra um ministro das Finanças Europeu e se opõe a uma maior comunitarização da dÃvida, além de exigir maior adesão aos regulamentos originais estabelecimentos no Tratado de Maastricht", disseram estrategistas do Commerzbank em nota a clientes. Para eles, é improvável que um orçamento comum da zona do euro seja defendido por Kurz ou por seu partido.
No Reino Unido, o Brexit volta a dirigir os mercados. A libra ganhou força nesta segunda-feira com a notÃcia de que a primeira-ministra britânica, Theresa May, irá interferir diretamente nas negociações sobre o processo de divórcio ao jantar com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o principal negociador da UE, Michel Barnier, em Bruxelas.
A libra mais forte impôs um teto à s negociações na praça londrina, com o Ãndice FTSE-100 fechando em baixa de 0,11%, aos 7.526,97 pontos. A queda foi moderada devido aos fortes ganhos de mineradoras, que acompanharam o rali dos metais básicos, após a China informar que seu Ãndice de preços ao produtor esperou as expectativas na comparação anual de setembro. BHP Billiton subiu 1,43%, Glencore saltou 1,86% e Rio Tinto, que divulga o relatório de operações do terceiro trimestre na noite desta segunda-feira, teve expansão de 0,75%.
As questões polÃticas também direcionaram os negócios em solo madrilenho, com a praça destoando das demais e fechando no vermelho. O presidente regional da Catalunha, Carlos Puigdemont, tinha até a manhã desta segunda para responder a uma solicitação do governo central espanhol sobre se declarou independência ou não.
O lÃder, no entanto, se esquivou da pergunta em uma carta endereçada ao primeiro-ministro Mariano Rajoy e pedir por conversas com a Espanha. Rajoy, por sua vez, afirmou que Puigdemont tem até quinta-feira para retirar os planos de tornar a região independente. Nesse cenário, o Banco de Sabadell recuou 2,97% e o BBVA cedeu 2,01%. Já o Ãndice Ibex-35 fechou em queda de 0,75%, aos 10.181,40 pontos.
O mau humor espanhol contagiou os negócios de Portugal, com o Ãndice PSI-20, da Bolsa de Lisboa, em baixa de 0,10%, aos 5.452,53 pontos.
PolÃtica monetária
Na sexta-feira, relatos de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia reduzir pela metade a sua compra de ativos a partir de janeiro fez com que os preços dos tÃtulos europeus saltassem, reduzindo os rendimentos dos bônus e fazendo o euro enfrentar uma pressão vendedora. "Os investidores esperavam um corte mais agressivo e o plano que vazou na semana passada foi visto como 'dovish' (mais leve) pelo mercado", destacou o estrategista de juros do Macquarie Group, Thierry Wizman.
Nesta segunda-feira, a flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) do BCE continuou no radar dos investidores, com o retorno do Bund alemão de 10 anos caindo de 0,404% na sexta-feira para 0,376%; já o juro do OAT francês de 10 anos recuou de 0,667% para 0,636%.
Em ocasiões anteriores, o BCE já havia insinuado a diminuição de suas compras e a sinalização impulsionou um rali do euro. Na reunião de polÃtica monetária de 26 de outubro, é esperado um anúncio do plano da autoridade monetária para o QE, onde pode haver visões opostas entre integrantes do Conselho considerados mais 'dovish', como o economista-chefe do BCE, Peter Praet, e integrantes mais 'hawkish' (mais duro), como o presidente do Bundesbank, o banco central alemão, Jens Weidmann. A economia da Alemanha, aliás, foi tema de um discurso de Weidmann, ao afirmar que o paÃs "certamente não precisa de nenhum estÃmulo fiscal" e que, caso haja algum, há o risco de superaquecimento.
No fim de semana, o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou, no evento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que a instituição precisa ser paciente e persistente diante do quadro de inflação fraca na zona do euro. "Temos que ser persistentes em nossa polÃtica monetária", comentou.
Draghi se mostrou confiante de que a inflação irá aumentar de forma sustentável e gradual, mas ponderou que isso irá "levar tempo". O vice-presidente do BCE, VÃtor Constâncio, chamou a evolução da inflação como "subjugada" apesar da "dinâmica de crescimento favorável".
Com o euro mais fraco e a possibilidade de manutenção dos estÃmulos por parte do BCE, os investidores continuaram indo à s compras. O Ãndice DAX, da Bolsa de Frankfurt, fechou na máxima histórica novamente, em alta de 0,09%, aos 13.003,70 pontos.
"As condições favoráveis do mercado, o alÃvio nas tensões da secessão catalã na Espanha e as taxas de juros baixas combinadas com o QE ajudaram a impulsionar o mercado acionário alemão", afirmou o analista Fawad Razaqzada, da Forex. O câmbio favoreceu ações de exportadoras, como a Daimler, que subiu 0,81%.
O Ãndice FTSE-MIB, da Bolsa de Milão, fechou em alta de 0,07%, aos 22.428,31 pontos. Já em Paris, o Ãndice CAC-40 avançou 0,21%, aos 5.362,88 pontos. (Com informações da Dow Jones Newswires)
Fonte: Estadão Conteúdo